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terça-feira, abril 14, 2026

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Homem é curado do HIV após receber transplante do próprio irmão

Cura do HIV voltou ao centro das discussões científicas após um homem norueguês de 63 anos alcançar remissão total do vírus depois de receber células-tronco do próprio irmão. O paciente, chamado de “Paciente de Oslo”, passou pelo procedimento originalmente para tratar um câncer no sangue.

O caso chama atenção porque o doador tinha uma mutação genética rara, conhecida como CCR5Δ32, que dificulta a entrada do HIV nas células de defesa. Segundo o relato científico, o transplante substituiu o sistema imunológico do paciente por células resistentes ao vírus e permitiu a interrupção do tratamento convencional.

Resumo rápido
Paciente de OsloHomem norueguês de 63 anos entrou em remissão após transplante.
CCR5Δ32Mutação rara bloqueia a porta usada pelo HIV para infectar células.
10º casoRegistro integra o pequeno grupo de curas documentadas no mundo.

Cura do HIV ocorreu após substituição do sistema imunológico

O transplante de células-tronco funcionou como uma troca profunda do sistema imunológico. Primeiro, os médicos usaram quimioterapia para eliminar células doentes. Depois, inseriram células do irmão do paciente. Com o tempo, essas novas células passaram a formar defesas sem o receptor CCR5, usado pelo vírus para entrar nos linfócitos T CD4.

Vírus em forma de esferas vermelhas
Para entrar nas nossas células de defesa, o vírus HIV precisa de uma “chave” que se encaixe numa “fechadura” na superfície delas.

Como a mutação atua

O HIV precisa encontrar o receptor CCR5 para invadir parte das células de defesa. Quando essa “porta” não existe, a maioria das linhagens do vírus perde a capacidade de se instalar e se multiplicar no organismo.

O estudo também destacou o chamado quimerismo total. Isso significa que 100% das células de defesa analisadas no sangue, na medula e no intestino passaram a ser do doador. Dessa forma, quando o HIV tentou sair dos reservatórios onde permanecia escondido, encontrou um organismo sem as células originais vulneráveis.

A cura do HIV, nesse caso, também pode ter contado com um efeito adicional. O paciente desenvolveu doença do enxerto contra hospedeiro, reação em que células do doador atacam tecidos do receptor. Embora seja uma complicação perigosa, os pesquisadores acreditam que ela ajudou a eliminar células antigas que ainda poderiam carregar o vírus.

Etapas do caso

Como o transplante mudou a defesa do organismo

O procedimento não foi feito inicialmente para tratar o HIV, mas acabou criando um novo sistema imunológico resistente ao vírus.

1
Quimioterapia preparou o organismoOs médicos reduziram o sistema imunológico comprometido pelo câncer antes do transplante.
2
Células-tronco vieram do irmãoO doador tinha a mutação CCR5Δ32, associada à resistência contra a maioria das linhagens do HIV.
3
Nova defesa bloqueou o vírusAs novas células passaram a formar um sistema imunológico sem a “porta” usada pelo HIV para infectar o corpo. 

Por que o caso não representa tratamento amplo

Apesar do impacto, a cura do HIV registrada no Paciente de Oslo não significa que o transplante possa ser usado em larga escala. O procedimento envolve riscos altos, exige indicação médica grave e pode ter mortalidade elevada no primeiro ano. Além disso, encontrar um doador compatível com a mutação CCR5Δ32 é extremamente difícil.

Vírus HIV em ilustração científica sobre AIDS e prevenção no Brasil
Representação visual do HIV ajuda a explicar os riscos, a prevenção e os avanços no combate à AIDS.

Por isso, o caso tem maior valor como prova científica. Ele mostra que o HIV pode ser eliminado quando perde acesso às células que usa para se manter no corpo. Esse ponto fortalece pesquisas sobre terapia gênica, que buscam formas de editar células para reproduzir o bloqueio natural sem depender de transplantes tão arriscados.

O que muda para a ciência

O avanço aponta caminho, mas ainda não vira rotina médica

A principal contribuição está na confirmação de que bloquear o receptor CCR5 pode impedir a permanência do vírus. Agora, a pergunta científica é como transformar essa lógica em terapias mais seguras, acessíveis e aplicáveis a mais pacientes.

A cura do HIV nesse paciente reforça a importância da pesquisa biomédica, mas também exige cautela na comunicação pública. O tratamento ocorreu em uma condição excepcional, associada a câncer no sangue, transplante, compatibilidade familiar e mutação rara. Ainda assim, o resultado amplia o entendimento sobre os caminhos possíveis para combater o vírus.

Para os cientistas, a cura do HIV documentada no caso de Oslo representa um marco por envolver um transplante entre irmãos consanguíneos. O avanço não substitui prevenção, diagnóstico, tratamento antirretroviral e acompanhamento médico, mas abre uma nova frente de estudo sobre como tornar as células humanas menos vulneráveis ao HIV.

Fonte da notícia: Olhar Digital

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