A internet em UBS deve ganhar nova etapa de expansão no Brasil com editais federais voltados à conexão de unidades básicas de saúde e ao fortalecimento da telessaúde no Sistema Único de Saúde (SUS). A medida mira principalmente regiões vulneráveis, distantes dos grandes centros e com dificuldade de acesso a especialistas.
Segundo o Ministério das Comunicações, a proposta é conectar até 3,8 mil Unidades Básicas de Saúde e beneficiar cerca de 2,5 milhões de brasileiros que ainda enfrentam problemas de conectividade. Na Amazônia, o tema tem impacto direto sobre comunidades rurais, ribeirinhas, indígenas, quilombolas e municípios onde a distância ainda pesa no acesso ao atendimento médico. Na prática, a internet em UBS pode aproximar pacientes de especialistas sem exigir grandes deslocamentos.
Internet em UBS reforça atendimento em áreas isoladas
O edital voltado à internet em UBS prevê investimento de R$ 104 milhões para ampliar a conectividade das unidades básicas de saúde. A iniciativa deve atender municípios dos 26 estados e do Distrito Federal, com prioridade para locais onde o acesso à internet ainda é insuficiente ou instável.
A proposta é fazer com que a tecnologia ajude a reduzir desigualdades regionais no atendimento. Em regiões remotas da Amazônia, por exemplo, uma consulta especializada pode depender de deslocamento por estrada, barco ou longas viagens até centros urbanos maiores. Com a telessaúde, parte desse processo pode ser antecipada, orientada ou acompanhada por meios digitais.
De acordo com o Ministério das Comunicações, as empresas e provedores interessados deverão apresentar propostas que incluam não apenas a conexão por fibra óptica ou satélite, mas também a instalação de redes Wi-Fi internas nas unidades de saúde. Essa estrutura é considerada essencial para que equipes médicas e administrativas possam usar sistemas, prontuários, ferramentas de teleatendimento e comunicação interna.
Medida dialoga com a realidade da Amazônia
Embora o edital tenha alcance nacional, o tema tem peso especial na Região Norte. A internet em UBS pode ter efeito prático em áreas onde a presença de especialistas é limitada e onde a logística dificulta o acesso rápido a consultas, exames e cirurgias.
Em Rondônia, a pauta se conecta à realidade de distritos, comunidades rurais, áreas ribeirinhas e localidades afastadas dos centros urbanos. Nessas regiões, a conectividade não é apenas uma ferramenta tecnológica. Ela pode se tornar parte da estrutura básica para organizar atendimentos, reduzir filas e fortalecer a comunicação entre profissionais da saúde.
A ampliação também deve favorecer equipes que lidam diariamente com desafios de distância, transporte e infraestrutura. Com internet estável, a unidade pode consultar sistemas, registrar informações, enviar dados, receber orientações e organizar fluxos de atendimento com mais segurança.
Caminho da conexão
Como a internet em UBS pode chegar às unidades
O processo combina seleção por edital, infraestrutura de rede, instalação interna e uso prático no atendimento.
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Edital define regras para empresas e provedores interessados em atender as UBS.
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A conexão pode usar fibra óptica ou satélite, conforme a realidade local.
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As unidades também devem receber estrutura de Wi-Fi para uso das equipes.
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Com conexão, a UBS pode ampliar teleconsultas, diagnósticos e apoio remoto.
Editais também miram pequenos provedores
Além da expansão da internet em UBS, o governo federal anunciou um segundo edital voltado ao programa Acessa Crédito Telecom. A medida prevê R$ 500 milhões em recursos para expandir a infraestrutura de internet em municípios remotos e de pequeno porte.
Essa frente busca fortalecer Prestadoras de Pequeno Porte, que têm papel importante na cobertura de internet em cidades menores e regiões afastadas. Na prática, pequenos provedores regionais podem ser decisivos para levar banda larga a áreas onde grandes empresas nem sempre chegam com a mesma velocidade.
O Ministério das Comunicações informou que os recursos são resultado de operação de financiamento junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A ideia é selecionar agentes financeiros que depois poderão abrir linhas de crédito para provedores interessados em investir na expansão da conectividade.
Atendimento digital não substitui a unidade, mas pode fortalecer o serviço
A telessaúde não elimina a necessidade de médicos, enfermeiros, técnicos, medicamentos e estrutura física nas unidades. No entanto, a internet em UBS pode reforçar o trabalho das equipes e melhorar a organização do atendimento em locais onde a distância é um obstáculo permanente.
Para a população, o principal ganho esperado está na possibilidade de agilizar etapas do cuidado. Isso inclui orientação remota, análise de casos, marcação de exames, acompanhamento de pacientes e integração de informações entre unidades básicas e serviços especializados.
O desafio, agora, será transformar o anúncio em execução efetiva. Para regiões remotas da Amazônia, o resultado dependerá da qualidade da conexão, da manutenção da estrutura, da capacitação das equipes e da integração com os sistemas de saúde já usados pelos municípios.
Mesmo assim, a internet em UBS abre uma frente importante para reduzir desigualdades. Em áreas onde chegar ao médico pode exigir horas de deslocamento, a conectividade pode encurtar caminhos e tornar o SUS mais presente na rotina das comunidades.
Ministério das Comunicações


