O cacau de Rondônia chega à edição de 2026 do Concurso Nacional de Cacau Especial depois de permanecer entre os três primeiros colocados do país em todas as edições de 2021 a 2025. Neste ano, 43 amostras produzidas em oito municípios foram mobilizadas para participar da nova disputa.
Nesta sexta-feira, 28 de agosto, termina o prazo indicado no edital para inscrições e recebimento das amostras no Centro de Inovação do Cacau, em Ilhéus. O número de 43 amostras não equivale a 43 produtores nem significa que todas já estejam homologadas no concurso.
- como Rondônia chegou a cinco anos seguidos no pódio;
- por que genética não explica sozinha a qualidade;
- como fermentação e secagem interferem na amêndoa;
- o que representam as 43 amostras de 2026;
- como origem reconhecida pode ampliar diferenciação comercial.
Cinco anos seguidos entre os melhores do país
A sequência do cacau de Rondônia começou em 2021, quando Mauro Celso Tauffer, de Buritis, terminou em terceiro no Varietal. Em 2022, Deoclides Pires da Silva, de Jaru, venceu a categoria; em 2023, repetiu o título, enquanto Robson Tomaz de Castro Calandrelli, de Nova União, venceu na Mistura.
Em 2024, Mauro Tauffer voltou ao pódio com terceiro lugar no Varietal e segundo na Mistura. Em 2025, venceu o Varietal, e Luíz Anastácio da Silva, de Cacoal, ficou em terceiro. O histórico confirma Rondônia no pódio por cinco edições consecutivas.
O que mudou na qualidade do cacau
Uma análise do Centro de Inovação do Cacau reuniu 141 amostras de Rondônia e encontrou características recorrentes como acidez cítrica, frutas tropicais, notas amendoadas, vegetais, florais e de especiarias. Isso não quer dizer que todo lote de cacau de Rondônia tenha exatamente o mesmo perfil sensorial.
Capacitação e assistência técnica ajudam produtores a identificar defeitos e melhorar etapas do processo. Sebrae, Senar, Seagri, Emater-RO, Ceplac, IFRO, Cacauron e CIC aparecem entre as instituições que apoiam a cadeia, mas o resultado final depende do trabalho realizado em cada propriedade.
Genética é parte da história, não a explicação inteira
Pesquisa científica publicada em 2026 acompanhou 30 clones durante sete safras e destacou EEOP 33, EEOP 63, EEOP 65, EEOP 80 e Ipiranga 1 entre os materiais mais produtivos e estáveis. O ganho genético estimado foi de 64,66%.
Esse resultado não significa aumento equivalente na qualidade sensorial do cacau de Rondônia e também não permite afirmar que esses clones sejam os mesmos das 43 amostras mobilizadas para 2026. Genética, manejo e pós-colheita precisam ser analisados em conjunto.
Fermentação e secagem ajudam a definir a qualidade
Depois da colheita, o cacau de Rondônia passa por quebra do fruto, fermentação, secagem, seleção e armazenamento. A fermentação ajuda a desenvolver precursores de aroma e sabor; a secagem precisa ser controlada para reduzir risco de mofo, reumidificação e sabores indesejados.
43 amostras de oito municípios miram a edição de 2026
Segundo o Sebrae em Rondônia, 43 amostras de cacau de Rondônia produzidas em oito municípios foram mobilizadas para a oitava edição. A fonte não relaciona, no material utilizado, quais são os oito municípios.
Cada participante pode apresentar lotes nas modalidades previstas pelo regulamento. Por isso, 43 amostras não significam 43 produtores. Até o fechamento desta matéria, o dado disponível se referia ao material destinado ao concurso, e não a 43 inscrições homologadas.
O cacau de Rondônia ganha identidade territorial
Em 2024, o cacau de Rondônia somou aproximadamente 8.677 toneladas, colocou o estado na quarta posição nacional e registrou rendimento médio de 1.251 quilos por hectare. Esses números são referentes a 2024 e não devem ser apresentados como produção de 2026.
Em 2023, o INPI reconheceu “Rondônia” como Indicação de Procedência para cacau em amêndoas. A concessão foi registrada oficialmente, mas isso não significa que todo produtor utilize automaticamente a indicação geográfica.
A presença recorrente do cacau de Rondônia em concursos nacionais amplia o reconhecimento da origem, mas não substitui critérios de qualidade de cada lote nem garante resultado comercial específico.
Qualidade consistente, presença em concursos e origem reconhecida podem ampliar a diferenciação comercial do cacau de Rondônia e abrir espaço para compradores especializados. Isso, porém, não garante preço maior, exportação ou valorização financeira automática.
Source: Sebrae Rondônia. Fontes complementares: Concurso Nacional de Cacau Especial, Centro de Inovação do Cacau, Scientific Reports, Ceplac e INPI. Via: AgoraRO.




