Médicos Explicam Por Que Antidepressivos Não Viciam Como Outras Drogas

Especialistas esclarecem as diferenças entre dependência química e o uso de medicamentos para saúde mental

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O debate sobre antidepressivos tem ganhado força nos Estados Unidos, especialmente no Senado, onde se discute se esses medicamentos podem ser tão viciantes quanto substâncias comumente abusadas. Durante uma audiência em 29 de janeiro, o senador Robert F. Kennedy Jr. afirmou que algumas pessoas enfrentam mais dificuldades para interromper o uso de inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs) do que para deixar a heroína.

No entanto, os especialistas consultados pela CNN garantem que os antidepressivos não são viciantes. Embora algumas pessoas enfrentem sintomas difíceis ao interromper o tratamento, isso não significa que esses medicamentos tenham o mesmo efeito viciante das drogas ilícitas.

O Que Torna Uma Droga Viciante?

As drogas viciantes, como heroína, cocaína e álcool, ativam o sistema de dopamina do cérebro, gerando uma sensação intensa de prazer. Esse efeito provoca um desejo compulsivo de consumo, levando ao uso repetitivo, mesmo diante de consequências negativas.

Os antidepressivos, por outro lado, atuam de maneira diferente. Os ISRSs aumentam a disponibilidade de serotonina no cérebro, o que contribui para a melhora do humor e da ansiedade sem causar a sensação de euforia intensa associada às drogas viciantes. De acordo com o Dr. Keith Humphreys, professor de psiquiatria da Universidade Stanford, os antidepressivos são “puramente terapêuticos” e não possuem potencial de abuso.

Dependência x Vício: Qual a Diferença?

O termo “dependência” se refere à adaptação do corpo a um medicamento, o que pode resultar em sintomas de abstinência quando ele é interrompido abruptamente. No entanto, isso não significa que o medicamento seja viciante. Já o vício envolve um desejo compulsivo, a perda de controle sobre o uso e impactos negativos na vida pessoal e profissional.

Os sintomas de abstinência dos antidepressivos podem incluir tonturas, dores de cabeça, insônia e irritabilidade. Além disso, algumas pessoas relatam “choques cerebrais”, descritos como sensações de pequenos choques elétricos na cabeça. Entretanto, esses sintomas costumam durar de algumas semanas a seis meses e podem ser minimizados com a redução gradual da dose.

Como Parar de Tomar Antidepressivos com Segurança?

Os especialistas enfatizam que a interrupção dos antidepressivos deve ser feita sob orientação médica. A retirada gradual, ao longo de meses, reduz os efeitos da abstinência e permite que o cérebro se adapte à mudança.

A Dra. Gail Saltz, professora de psiquiatria do Weill Cornell Medical College, destaca que comparar a abstinência de antidepressivos com a de drogas ilícitas é inadequado. “Para muitas pessoas, esses medicamentos são essenciais para salvar vidas, impedindo o suicídio ou melhorando significativamente sua qualidade de vida”, ressalta.

Se você está considerando interromper o uso de antidepressivos, converse com um profissional de saúde para definir o melhor plano de retirada. Além disso, caso esteja passando por dificuldades emocionais, busque apoio. No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece suporte gratuito pelo telefone 188 ou pelo site www.cvv.org.br.