Cidades sem planejamento crescem para os lados, afastam moradores dos serviços e tornam a rotina mais cara. Esse é o ponto de partida do primeiro episódio da série “Ocupação Urbana”, do programa PontoDeVista, produzido pela Câmara dos Deputados.
Mariana Monteiro conversa com Benny Schvarsberg, professor da Universidade de Brasília e especialista em planejamento urbano. Ele explica como a urbanização acelerada deixou bairros inteiros sem saneamento, drenagem, transporte e equipamentos públicos suficientes.
Na prática, cidades sem planejamento aumentam a distância entre moradia, trabalho, escola e atendimento de saúde. O problema não está apenas na falta de leis, mas também em planos que não consideram a realidade local ou nunca saem do papel.
O especialista fala sobre periferias, planos diretores, terrenos vazios, gentrificação e participação popular.
Cidades sem planejamento ampliam distâncias
Schvarsberg lembra que o Brasil deixou de ser um país predominantemente rural em poucas décadas. Milhões de pessoas passaram a viver em áreas urbanas, mas a infraestrutura não acompanhou o mesmo ritmo.
O resultado aparece em cidades sem planejamento: regiões centrais concentram oportunidades e serviços, enquanto moradores das periferias enfrentam viagens longas e maior dificuldade para acessar emprego, estudo e saúde.
O professor explica por que o crescimento rápido trouxe precariedade para grande parte da população.
Plano diretor não pode ser documento de prateleira
O plano diretor deveria organizar o crescimento, definir usos do solo e orientar investimentos. O problema, segundo o entrevistado, é que muitos municípios não têm equipe técnica suficiente e acabam copiando modelos de outras localidades.
Quando isso acontece, cidades sem planejamento continuam se expandindo mesmo com uma lei aprovada. Um plano genérico não responde às necessidades dos bairros, não orienta obras e perde força diante da especulação imobiliária.
Moradia: onde as pessoas podem viver com infraestrutura e segurança.
Serviços: onde devem ficar escolas, postos de saúde, comércio e áreas de lazer.
Investimentos: quais obras precisam vir primeiro e quem será atendido.
O episódio mostra por que copiar modelos de outras cidades pode deixar o planejamento sem efeito.
Terrenos vazios podem empurrar a população para longe
O entrevistado chama atenção para terrenos desocupados em áreas que já receberam pavimentação, energia, transporte e outras redes públicas. Mantidos vazios à espera de valorização, esses imóveis deixam de cumprir uma função social.
Em cidades sem planejamento, esse movimento ajuda a espalhar a ocupação para bairros cada vez mais distantes. A prefeitura precisa ampliar redes e serviços, enquanto o morador gasta mais tempo e dinheiro para circular.
Benny Schvarsberg explica por que cada área da cidade precisa ter uma destinação definida.
A área melhora, mas o morador pode ser expulso
O programa também explica a gentrificação. Ela acontece quando uma região recebe investimentos, valoriza e passa a ficar cara demais para moradores e comerciantes tradicionais.
Nas cidades sem planejamento, a melhoria urbana pode acabar beneficiando apenas quem consegue pagar pelos novos preços. Quem vivia no local é levado para áreas mais afastadas, onde o acesso a oportunidades costuma ser menor.
Melhorar o bairro sem tirar quem mora nele
Obras: podem valorizar a região e melhorar os serviços.
Risco: aluguel e preço dos imóveis podem subir rapidamente.
Desafio: garantir que moradores e pequenos negócios possam permanecer.
O especialista mostra como a valorização pode trocar moradores de menor renda por grupos com maior poder econômico.
Morador precisa ter voz nas decisões da cidade
Na parte final, o professor defende centros com moradia, comércio, escolas, saúde, cultura, lazer e serviços públicos funcionando juntos. Para isso, o planejamento não pode ficar restrito aos gabinetes.
Combater cidades sem planejamento exige conhecimento técnico e participação popular. Audiências, consultas e revisões de planos diretores precisam ser acessíveis para quem vive os problemas no dia a dia.
O debate termina com a defesa de cidades mais misturadas, vivas e planejadas com a sociedade.
Plano diretor: veja se está atualizado e se orienta as obras do município.
Orçamento: acompanhe investimentos em moradia, saneamento, drenagem e transporte.
Participação: procure audiências, consultas públicas e conselhos municipais.
O primeiro episódio do PontoDeVista mostra que cidades sem planejamento não são resultado apenas da falta de regras. O problema também envolve decisões adiadas, planos ignorados e pouca participação da população.
Enfrentar cidades sem planejamento exige continuidade, fiscalização e decisões que considerem quem mora mais longe.
O programa completo está disponível no canal da Câmara dos Deputados no YouTube.



