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terça-feira, julho 21, 2026

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Favelas de Rondônia mostram onde a cidade ainda não chega

As favelas em Rondônia mostram que água, saneamento, transporte e serviços públicos ainda não chegam com a mesma força a todos os bairros.

Esse é o ponto de ligação entre a realidade regional e o quinto episódio da série “Ocupação Urbana”, do programa PontoDeVista. Mariana Monteiro entrevista Sarah Habersack, diretora do Programa de Transformação Urbana da GIZ Brasil.

O programa tem abordagem nacional, mas cita diretamente as cidades amazônicas e a Região Norte. A conversa ajuda a entender por que as favelas em Rondônia precisam de políticas adaptadas às condições locais, sem copiar modelos criados para outras partes do país.

▶️ Ative o som e acompanhe o episódio completo

Quando a casa vira investimento, morar fica mais caro

Sarah explica que a moradia é reconhecida como um direito, mas também é negociada como produto. Terrenos e imóveis são comprados para valorizar, gerar renda e ampliar patrimônio.

O problema aparece quando essa lógica aumenta o aluguel e reduz as opções de quem recebe salário baixo. Famílias passam a procurar terrenos mais distantes, onde o preço é menor, mas a infraestrutura costuma ser incompleta.

Esse mecanismo ajuda a entender por que as favelas em Rondônia podem crescer em áreas onde a moradia é mais acessível, mas água, pavimentação, iluminação, transporte e serviços demoram mais para chegar.

▶️ Veja o trecho sobre moradia, mercado e expulsão

Por que as favelas em Rondônia exigem atenção regional

O Censo 2022 registrou 83.295 moradores em favelas e comunidades urbanas no estado. Em Porto Velho, 25.020 domicílios ocupados estavam dentro desses territórios.

O acesso à água revela uma diferença ainda mais profunda. Em Rondônia, somente 27,8% dos domicílios particulares permanentes dessas comunidades possuíam ligação à rede geral de distribuição.

Rondônia em números

83.295 moradores: população registrada em favelas e comunidades urbanas no estado.

25.020 domicílios: unidades ocupadas nesses territórios em Porto Velho.

27,8%: parcela dos domicílios rondonienses com ligação à rede geral de água.

A entrevistada destaca que o desenvolvimento urbano da Amazônia ainda é pouco compreendido. As comunidades do Norte têm formas diferentes de ocupação, relação com rios e igarapés, condições climáticas e distâncias maiores.

A realidade das favelas em Rondônia precisa, portanto, ser analisada comunidade por comunidade. Uma solução criada para uma grande metrópole pode não funcionar em Porto Velho ou em municípios menores do estado.

▶️ Assista ao trecho sobre desigualdade e cidades amazônicas

Infraestrutura precisa chegar às favelas em Rondônia

Uma família pode construir a própria casa aos poucos. Ela não consegue, sozinha, implantar uma rede de esgoto, organizar coleta de lixo, criar uma linha de ônibus ou construir escola e unidade de saúde.

Urbanizar as favelas em Rondônia exige um conjunto de ações. Moradia, água, saneamento, drenagem, pavimentação, calçada, iluminação, transporte e equipamentos públicos precisam avançar juntos.

A participação dos moradores é importante para identificar prioridades e evitar projetos que não combinam com o território. Isso não significa transferir para a comunidade obrigações que pertencem ao poder público.

▶️ Veja o debate sobre responsabilidade do governo e da comunidade

Bairro melhora, mas família precisa conseguir permanecer

Pavimentação, saneamento, iluminação e espaços públicos aumentam a qualidade de vida. Essas melhorias também podem elevar o valor dos imóveis e dos aluguéis.

Nas favelas em Rondônia, a urbanização precisa vir acompanhada de regularização, segurança jurídica e medidas que protejam os moradores contra a expulsão provocada pela valorização.

Melhorar sem expulsar

Permanência: famílias precisam participar das decisões sobre obras e reassentamentos.

Regularização: documentação ajuda a proteger direitos e organizar investimentos.

Nova moradia: remoções necessárias devem oferecer localização e condições adequadas.

Existem casos em que a remoção é necessária, principalmente quando a residência está em área de risco grave. A alternativa oferecida precisa ter transporte, escola, saúde, comércio e possibilidade de manter os vínculos da família.

Em 2026, Porto Velho firmou cooperação com a União para avançar na regularização de áreas como Centro, Caiari, Baixa da União, Triângulo e Terra Prometida. O trabalho envolve cadastro, análise técnica, regularização jurídica e entrega de títulos.

As informações sobre as ações municipais podem ser acompanhadas no portal da Prefeitura de Porto Velho.

▶️ Assista ao trecho sobre reurbanização, valorização e remoções

Mobilidade também pesa nas favelas em Rondônia

Na parte final do episódio, Sarah relaciona transporte, gênero, raça e desigualdade. Mulheres e pessoas negras estão entre os grupos que mais usam transporte coletivo e também enfrentam viagens longas, insegurança e pontos sem estrutura.

Quem mora longe gasta mais tempo e dinheiro para trabalhar, estudar, buscar atendimento ou cuidar da família. O problema aumenta quando ônibus passam com pouca frequência e os pontos não têm iluminação ou acessibilidade.

O que acompanhar em Rondônia

Água e saneamento: expansão das redes e funcionamento contínuo.

Regularização: cadastros, vistorias, análise e entrega de documentos.

Transporte: linhas, horários, acessibilidade e segurança nos pontos.

Permanência: proteção para que a valorização não afaste os moradores.

A entrevistada defende que melhorar o transporte de mulheres e pessoas negras também fortalece as cidades diante das mudanças climáticas. Quanto melhor o serviço coletivo, menor a dependência do transporte individual.

▶️ Veja o trecho sobre mobilidade antirracista e feminista

O episódio mostra que enfrentar a desigualdade nas favelas em Rondônia exige mais do que entregar casas. Água, esgoto, drenagem, mobilidade, regularização, serviços e proteção contra remoções precisam fazer parte da mesma política.

O programa completo está disponível no canal da Câmara dos Deputados no YouTube.

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