A coleta de lixo no Baixo Madeira entrou em uma nova etapa de discussão em Porto Velho. Audiências com moradores de São Carlos e Calama abordaram uma proposta para reorganizar o transporte dos resíduos e prever estações de transbordo em comunidades atendidas por embarcações.
O modelo ainda está em consulta pública e na elaboração da parceria público-privada (PPP). As estruturas anunciadas não estão prontas nem há contrato concluído para a nova operação. A coleta fluvial já funciona desde 2024; o que está em debate é como enfrentar as dificuldades que persistem ao longo do rio.
O que as comunidades discutiram nas audiências
A Prefeitura apresentou aos participantes de São Carlos e Calama alternativas para o serviço de limpeza nas localidades ribeirinhas. As reuniões permitiram que os moradores relatassem problemas no acesso às embarcações, no recolhimento e na retirada de resíduos.
A coleta de lixo no Baixo Madeira integra uma modelagem municipal mais ampla. O projeto inclui a possibilidade de novas estruturas de apoio ao transporte, mas a realização das audiências não autoriza afirmar que a concessão foi contratada ou que as obras começaram.
Calama, São Carlos, Nazaré e Demarcação estão entre os distritos considerados prioritários no planejamento. O estudo técnico estima, para esse conjunto, cerca de 1.500 toneladas de resíduos ao ano, parâmetro usado para dimensionar a logística pretendida.
Como a coleta por balsa funciona atualmente
A coleta de lixo no Baixo Madeira não começa com essa proposta. O transporte dos resíduos por balsa já ocorre desde 2024, e o diagnóstico utilizado na modelagem descreve trabalhadores locais, contêineres e embarcações que fazem a retirada periódica.
Em São Carlos, o estudo relata transferência informal de materiais antes do transporte até a destinação final. Também foram apontados resíduos de serviços de saúde misturados ao lixo urbano e ausência de coleta na Agrovila Rio Verde no momento do levantamento.
Esses registros são um retrato do diagnóstico técnico, não uma medição atualizada de cada comunidade. Eles ajudam a explicar por que a Prefeitura discute condições de trabalho, organização dos pontos de entrega e alternativas para os períodos de seca.

Cheias, estiagem e terras caídas complicam o acesso
O nível do rio Madeira varia intensamente ao longo do ano. Segundo o estudo socioambiental reunido no handoff, a diferença entre cheia e estiagem pode chegar a 12 metros, alterando a altura das margens e as condições para atracar.
Na vazante, equipes podem ter de carregar recipientes manualmente pela várzea para alcançar a embarcação. Em Calama, o fenômeno conhecido como terras caídas também afeta os pontos utilizados no embarque dos materiais.
Por isso, a coleta de lixo no Baixo Madeira exige soluções que funcionem em mais de uma estação do ano. Uma estrutura adequada na cheia pode exigir outra forma de acesso quando o nível da água baixa.
Para que serviriam as estações de transbordo
As estações previstas funcionariam como pontos intermediários: os resíduos coletados seriam reunidos em locais definidos para posterior transferência a balsas ou outros meios de transporte. O modelo em análise considera instalações nos quatro distritos prioritários.
A proposta também menciona uma estação regional na Boca do Jamari. Essa instalação é prevista, não uma unidade existente. Seu papel seria apoiar a logística do sistema, conforme o desenho que ainda passa por consulta e modelagem.
Para a coleta de lixo no Baixo Madeira, a intenção é reduzir deslocamentos improvisados e tornar o processo mais organizado. Ainda não há base para afirmar que a operação planejada eliminou riscos, diminuiu custos ou melhorou indicadores sanitários.
O que falta definir e como acompanhar a proposta
A etapa atual envolve receber contribuições das comunidades, revisar as alternativas técnicas e avançar pelos procedimentos administrativos da PPP. Licitação, contrato, cronograma definitivo e implantação dependem de decisões posteriores.
Quem utiliza a coleta de lixo no Baixo Madeira deve acompanhar as informações oficiais e relatar dificuldades concretas de acesso, acúmulo de materiais e segurança nos pontos de retirada. As sugestões podem ser encaminhadas pelos canais de consulta pública da Prefeitura.
O comunicado de 20 de outubro pode ser lido no portal da Prefeitura de Porto Velho. Até que haja nova confirmação documental, permanecem separados o serviço fluvial em andamento e as estações ainda planejadas.
→ Audiências debateram proposta de PPP de resíduos em Porto Velho
→ Cadastro de grandes geradores de resíduos na capital
→ Recolhimento de resíduos em diferentes pontos de Porto Velho
Informação e serviço para Porto Velho e as comunidades de Rondônia.




