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quarta-feira, setembro 2, 2026

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Vacina contra nicotina é testada em animais; Rondônia amplia busca por tratamento

Uma vacina contra nicotina em desenvolvimento no Brasil apresentou resultados iniciais em modelos animais, mas ainda está longe de ser uma opção disponível para pessoas. O projeto do Laboratório Cristália está em fase Early Discovery e não iniciou estudos clínicos em humanos.

Enquanto a pesquisa avança no campo experimental, Rondônia registrou forte aumento na procura pelo tratamento para parar de fumar oferecido pelo SUS: foram 10.427 atendimentos em 2025, contra 4.437 em 2022, alta aproximada de 135%, segundo o Ministério da Saúde.

Vacina contra nicotina ainda está na fase inicial da pesquisa

A vacina contra nicotina começou a ser estruturada a partir de maio de 2024, quando o laboratório criou uma plataforma voltada a tecnologias contra dependência química. A etapa atual é de seleção de protótipos e demonstração de resultados em modelos experimentais.

Até agora, os testes foram realizados apenas em animais. O próprio laboratório informa que ainda são necessários estudos pré-clínicos de eficácia e segurança, desenvolvimento farmacotécnico e analítico, aumento de escala e, depois, estudos clínicos em seres humanos antes de qualquer eventual pedido de registro à Anvisa.

O que já está confirmado
FASE: Early Discovery.
TESTES: apenas em animais até o momento.
HUMANOS: estudos clínicos ainda não iniciados.
ANVISA: sem registro e sem previsão confirmada de disponibilidade.

Como a candidata pretende agir sobre a nicotina

A proposta da vacina contra nicotina é estimular o sistema imunológico a produzir anticorpos capazes de se ligar à nicotina ainda na corrente sanguínea. A ideia é reduzir a quantidade da substância que alcança o cérebro e, com isso, diminuir o reforço associado à sensação de prazer.

Esse mecanismo permanece experimental. A vacina contra nicotina ainda precisa atravessar etapas de desenvolvimento antes que qualquer efeito em pessoas possa ser medido. Os resultados relatados pelo desenvolvedor em animais não podem ser convertidos em eficácia ou segurança humana.

Também não há base para afirmar que a tecnologia funcionará para cigarro eletrônico ou substituirá os tratamentos já oferecidos pelo SUS. A vacina contra nicotina não deve ser apresentada como alternativa disponível para quem deseja interromper o tabagismo agora.

vacina contra nicotina em estudo experimental com pesquisadores em laboratório
A candidata brasileira ainda está em fase inicial e foi testada somente em animais.

Estudos anteriores reforçam a cautela

A ideia de uma vacina contra nicotina não é nova. Candidatos anteriores chegaram a estudos clínicos sem demonstrar benefício suficiente para virar tratamento de rotina. Um estudo indexado no PubMed sobre uma vacina de nicotina mostrou por que respostas de anticorpos não garantem, por si só, sucesso clínico.

No caso brasileiro, a divulgação disponível vem do próprio laboratório responsável pelo desenvolvimento. Os dados iniciais ainda não foram publicados em artigo científico revisado por pares, e a empresa informa que a publicação está prevista para depois do depósito de patente.

Procura por tratamento mais que dobrou em Rondônia

Os números do SUS ajudam a mostrar por que a vacina contra nicotina desperta interesse, embora ela ainda não tenha papel no atendimento atual. Em Rondônia, os atendimentos relacionados à cessação do tabagismo passaram de 4.437 em 2022 para 10.427 em 2025.

O crescimento de cerca de 135% não significa que o número de fumantes tenha aumentado na mesma proporção. Ele mostra expansão da procura por apoio. Em Porto Velho, o percentual de adultos fumantes caiu de 18,5% em 2006 para 8,9% em 2023, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde.

Tratamento para parar de fumar já está disponível no SUS

A eventual vacina contra nicotina não deve adiar a busca pelo cuidado existente. O tratamento do tabagismo é oferecido gratuitamente na rede pública e pode incluir acompanhamento individual ou em grupo, orientação profissional e medicamentos quando houver indicação clínica.

A porta de entrada é a Unidade Básica de Saúde. Adesivos e gomas de nicotina e bupropiona estão entre as opções que podem ser utilizadas conforme avaliação dos profissionais. A vacina contra nicotina, por outro lado, continua sendo uma tecnologia em pesquisa, sem indicação para uso na população.

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