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sábado, maio 16, 2026
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Nas redes bolsonaristas, o ‘Fora Mandetta’ avança com força

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Depois de Jair Bolsonaro atacar publicamente o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, nesta quinta, as redes bolsonaristas sentiram o sangue na água e passaram ao massacre do comandante da estratégia brasileira de combate ao coronavírus.

Nas últimas horas, o Radar compilou alguns comentários de bolsonaristas – os publicáveis, evidentemente – nas redes.

Mandetta é chamado de “traidor” e acusado de agir para derrubar Bolsonaro da Presidência. Há ainda quem acuse o ministro da Saúde de ser incompetente, arrogante e desobediente.

“O presidente não precisa evitar atrito com Mandetta, pois existe uma hierarquia a ser respeitada. Se o ministro discordar de Bolsonaro, marque uma reunião de portas fechadas para entrar num acordo. Um funcionário não deve desautorizar seu chefe em público. Boa sorte ao ministro”, postou uma famosa conta bolsonarista nas redes.

Outros, em que pese não terem o diploma de medicina ou de estudos na área, criticam Mandetta por uma suposta resistência ao uso da cloroquina no tratamento de pacientes com coronavírus.

“O governo focar em TESTES é um ERRO, pela necessidade de tratar rapidamente. O teste consome tempo sem agir. É uma obstaculização (sic) disfarçada ao tratamento. O foco deveria ser TOMOGRAFIA, logo após suspeita (tosse/febre)”, escreveu Hélio Beltrão, presidente do Instituto Mises Brasil, que se apresenta como “think-tank ultraliberal brasileiro”.

Em outros comentários postados por bolsonaristas nas redes, Mandetta é associado ao mais novo inimigo do gabinete do ódio, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que até a semana passada era aliado de Bolsonaro, mas caiu em desgraça entre bolsonaristas ao romper com o presidente.

Chovem também comentários a respeito do partido do ministro, que é do DEM, mesma legenda do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Rodrigo Maia. “Não curto teorias de conspiração, mas parece que Mandetta está trabalhando para o DEM e não para o Brasil! Espero estar errada, e que ele só esteja sendo cauteloso”, escreveu uma seguidora.

Outra teorizou sobre problemas de visão do ministro e sua qualificação para o cargo: “O Mandetta está cego… Na verdade, nunca teve essa competência toda que falam! Se tomasse atitudes como essa conseguiria rapidamente identificar o grau de severidade de cada caso e identificar o tratamento mais eficaz”.

Mais exagerados, outros seguidores alimentaram uma corrente que subiu nas redes uma hashtag com o pedido de demissão do ministro: “Mandetta é um incompetente de propósito! Está ajudando a acabar com o Brasil!! FORA MANDETTA #DemiteMandetta.”

Não faltou, claro, uma conspiração entre Mandetta, os governadores e a China para derrubar Bolsonaro: “Ministro @Ihmandetta, se o senhor não percebeu que existe uma GUERRA contra o vírus e PRINCIPALMENTE contra o presidente Bolsonaro, e que 26 dos 27 governadores se aliam à China CONTRA o Brasil e que se NÃO voltarmos ao trabalho vamos MORRER de fome, o senhor não entendeu nada”.

SP, Rio, DF, Ceará e AM podem entrar em fase de aceleração descontrolada do coronavírus, diz ministério

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Exército faz descontaminação dos hospitais Hospital de Base, em Brasilila. Sérgio Lima/Poder360 31.03.2020

Passados 37 dias desde a confirmação do primeiro caso de coronavírus no Brasil, a transmissão no país está em fase inicial, mas a alta incidência de casos em quatro estados (São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Amazonas) e no Distrito Federal já indica uma transição para fase de aceleração descontrolada nesses locais.

A avaliação consta de novo boletim epidemiológico sobre a doença elaborado pelo Ministério da Saúde e divulgado neste sábado (4).
No documento, antecipado pela Folha de S.Paulo, a pasta faz uma revisão da trajetória do vírus e reconhece gargalos diante de uma possível fase aguda da epidemia, como a falta de testes e leitos suficientes.
Em pouco mais de um mês, o Brasil já soma 9.056 casos do novo coronavírus, com 359 mortes.
Para fazer a análise, o documento aponta quatro fases para a epidemia: localizada, aceleração descontrolada, desaceleração e controle.
A avaliação da pasta é que, em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Amazonas e no Distrito Federal, a taxa de incidência já fica acima da nacional, de 4,3 casos por 100 mil habitantes. No Distrito Federal, já é quase o triplo: 13,2 casos a cada 100 mil habitantes.

Por isso, a pasta reforça a recomendação para que os estados mantenham medidas de distanciamento social. “Este evento representa um risco significativo para a saúde pública, ainda que a magnitude (número de casos) não seja elevada do mesmo modo em todas os municípios”, aponta o ministério, que avalia o risco nacional como muito alto.
Um dos principais motivos é a falta de estrutura da rede de saúde. Segundo o documento, a rede atual de laboratórios é capaz de processar 6.700 testes por dia. No momento mais crítico da emergência, porém, serão necessários 30 mil a 50 mil testes por dia.
A pasta diz finalizar parcerias para ampliar a testagem -chegou a anunciar, por exemplo, 22,9 milhões de testes. “No entanto, não há escala de produção nos principais fornecedores para suprimento de kits para pronta entrega nos próximos 15 dias.”

Os leitos de UTI e internação também não estão ainda “devidamente estruturados e em número suficiente para a fase mais aguda da epidemia”, diz a pasta, que aponta ainda “elevado risco para o SUS”.
“E apesar de alguns medicamentos serem promissores, como a cloroquina associada à azitromicina, ainda não há evidência robusta de que essa metodologia possa ser ampliada para população em geral”, informa.
Estados que implementaram medidas de restrição de circulação devem mantê-las até que o suprimento de equipamentos e profissionais seja suficiente, conclui o documento.

O texto não traz informações de quando isso deve ocorrer. Afirma, no entanto, que medidas de restrição e distanciamento social têm ajudado a estruturar a rede de saúde “para o período de maior incidência da doença, que ocorrerá dentro de algumas semanas”.

Juristas denunciam Bolsonaro ao Tribunal de Haia por crime contra a humanidade

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A Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) protocolou na quinta-feira, 2, uma representação contra o presidente Jair Bolsonaro no Tribunal Penal Internacional em Haia, nos Países Baixos. Na denúncia, a entidade alega que o chefe do Executivo praticou crime contra a humanidade ao incentivar ações que aumentam o risco de proliferação do novo coronavírus. Desde o início do avanço da covid-19, Bolsonaro minimizou a letalidade da doença e criticou o isolamento recomendado pelo próprio Ministério da Saúde.

A denúncia recupera um estudo da Imperial College, de Londres, que estima que até 1,1 milhão de brasileiros poderiam morrer caso as medidas de prevenção não fossem adotadas. “É precisamente o presidente da República quem incita as pessoas a retornarem a seus postos de trabalho, as crianças a voltarem às escolas, os jovens a retornarem às universidades e as pessoas a circularem normalmente pelas ruas”, afirma o documento.

Coronavírus: o impacto da doença na saúde mental de adolescentes e jovens

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Para adolescentes, perder a liberdade é algo muito difícil. Lígia e sua família, por exemplo, estão em isolamento em seu apartamento no Reino Unido desde o dia 18 de março, porque sua mãe está nos últimos meses da gravidez.

Para alguém que estava sempre fora de casa, encontrando amigos e trabalhando, ela diz que é um desafio ficar presa em um apartamento com quatro pessoas.

“Desde o início do isolamento, minha ansiedade aumentou muito”, diz Ligia. “Com frequência, ela vem sem que eu espere. Tenho dificuldade em respirar e pensar direito. É uma sensação de confusão.”

O maior “golpe”, ela conta, foi o cancelamento das provas do final do ensino médio pelo governo do Reino Unido, para as quais ela estava se preparando (no país o ano letivo começa em agosto e termina em junho do ano seguinte).

“Foi muito difícil. Eu chorei”, diz ela. “É como se eu estivesse me preparando para correr uma maratona e, pouco antes do início, já na linha de partida, me dissessem que eu não iria correr.”

A jovem continua. “Eu passei muito tempo me preparando para a prova. E agora não posso nem sair para me distrair.”

Mas Ligia encontrou estratégias para melhorar sua saúde mental. “Eu arrumo a cama de manhã para não voltar a me deitar. Tento regular minha respiração e ouvir músicas relaxantes”, diz.

Ilustração colorida de fones de ouvido laranja com fundo verde

Naomi, de 21 anos, diz que sua ansiedade também aumentou muito por causa do coronavírus. Estudante de psicologia, ela teve as provas de final de semestre canceladas e, embora as aulas tenham sido feitas às distância, pela internet, a falta de rotina e incertezas quanto ao curso a afetaram.

Coisas que ela fazia para controlar a ansiedade, como voluntariado e seguir uma rotina rígida que a fazia sair de casa, não são mais uma opção. Então ela teve que desenvolver novas ferramentas.

Naomi tem escrito um diário, onde tenta responder questões como “O que está me fazendo me sentir assim?” e “Pelo que estou grata hoje?”.

“Essas perguntas me ajudam a pontuar o que eu fiz durante o dia, o que foi positivo, e também o que me preocupa”, diz ela.

Outro ponto positivo é o forte senso de comunidade que a crise do coronavírus criou. “Estamos todos juntos nisso e é bom saber que outras pessoas por aí entendem essa preocupação.”

Ao mesmo tempo, ela tem medo de que pessoas como ela, que tem problemas de saúde mental crônicos, sejam esquecidas.

Uma pesquisa do instituto YoungMinds, organização não-governamental pela saúde mental dos jovens, mostrou que a pandemia está tendo um efeito profundo em jovens com questões ligadas a saúde mental. Embora eles entendam a necessidade das medidas de isolamento social, diz a pesquisa, isso não diminuiu o impacto em sua saúde.

Muitos dos que participaram da pesquisa relataram aumento da ansiedade, problemas para dormir, ataques de pânico ou maior desejo de se automutilar.

Profissionais que trabalham no setor de saúde mental juvenil continuam a oferecer apoio, afirma a entidade. “Eles estão fazendo tudo o que podem para chegar aos jovens, apesar do contato presencial não ser possível”, diz Emma Thomas, diretora da YoungMinds.

Outra organização que notou mudanças resultantes da crise do coronavírus é a Shout, um serviço de mensagens de celular 24h para pessoas em crise. Na última semana, eles tiveram um aumento constante no número de pessoas procurando o serviço, chegando a mais de mil conversas em um dia.

Cerca de 70% das pessoas que os procuram tem menos de 25 anos. Neste grupo, a entidade percebeu um aumento no número de conversas sobre o coronavírus — elas agora representam 25% dos assuntos do dia.

Entre os atendimentos sobre o coronavírus, 60% envolvem questões ligadas a ansiedade — trata-se do dobro do normal.

“É só ansiedade, ansiedade, ansiedade”, diz Amy, uma das voluntárias do Shout. “O tema geral tem sido a falta de controle.”

Amy diz que as pessoas em crise têm dificuldade até de falar ao telefone, então mandar mensagens pode ser mais fácil. Em suas conversas, ela procura acalmar e ajudar a pessoa a decidir sobre os próximos passos.

Muitos estão sofrendo com a perda da rotina, então uma das missões de Amy é ajudar a criar uma nova.

“Sem uma rotina, eu sei que muitos hábitos ruins e pensamentos ruins podem aparecer”, diz Amy, que já teve ela mesma problemas de saúde mental.

Estretégias para lidar com os problemas

Desde o início do isolamento, John, de 18 anos, tem tido dificuldade para lidar com sua depressão. Sua família está em quarentena desde 15 de março, quando sua mãe teve suspeita de covid-19.

Ser forçado a ficar em casa teve impacto negativo na saúde mental do jovem.

“Normalmente, se eu estivesse muito mal, eu fazia um passeio de ônibus só para conseguir clarear meus pensamentos um pouco”, diz ele. “Eu escolhia uma linha de ônibus e percorria ela toda. Agora não posso fazer isso. Estou preso em meus ciclos de pensamento e tenho me sentido mais cabisbaixo que o normal.”

John já perdeu um semestre e meio na escola por causa de um episódio de depressão e já tinha se convencido de que iria repetir de ano.

O fechamento da sua escola na verdade o ajudou, porque os recursos agora estão disponíveis online e ele prefere essa forma de aprender.

No entanto, John ainda não conseguiu se encontrar com o novo psicólogo por causa do isolamento, e isso o preocupa.

Ilustração de laptop sobre um fundo vermelho

“Eu não quero me sentir pior”, diz ele. Embora seja “bastante noturno”, ele tenta sair do quarto o máximo que pode para que possa dormir melhor.

“Se você está constantemente fazendo atividades no seu quarto, quando você quer dormir vai ficar preso nesses pensamentos. Então eu tento ir para a sala ou para o jardim quando posso. Sinto que isso me ajuda.”

Chloe, de 13 anos, ficou acordada até a meia noite nesta semana arrumando seu quarto só para se manter ativa.

“Quando ela começa algo, ela fica bastante obsessiva com isso”, diz a mãe, Julie Cambridge.

Filha caçula, Chloe tem déficit de atenção e ansiedade, e desde que as escolas fecharam ela tem “subido pelas paredes”, diz Julie. A adolescente normalmente é muito ativa, pratica esportes e está sempre com os amigos.

“Agora eu estou entediada e com preguiça”, diz Chloe. “Eu quero sair porque fico com claustrofobia.”

Ela ouve música, fala com os amigos nas redes sociais e tem feito aulas à distância. Mas sua ansiedade piorou, e ela tem estado de mau humor.

A filha de 16 anos de Julie, Jade, perdeu a motivação para estudar quando as provas de fim de ensino médio (cujas notas são necessárias para entrar na faculdade) foram canceladas.

Ilustração de fone de ouvido branco com fundo rosa choque

Jade quer estudar biomedicina na universidade. Diz que suas notas são boas, mas quer melhorá-las ainda mais.

“Eu estou preocupada com a ‘geração covid’, os que não conseguiram fazer as provas. As pessoas vão tratá-los de forma diferente porque eles não fizeram os exames?”, diz Julie. “É um senso de realização que eles estão perdendo.”

Provas e formaturas são rituais importantes para o desenvolvimento dos jovens, diz o psicólogo Hanspeter Dorner, especialista em crianças e adolescentes. “Perder esses rituais pode ter um impacto negativo, ainda que seja possível passar por eles no futuro”, diz ele.

Naomi e seus colegas de faculdade estão querendo fazer justamente isso.

Os jovens estão planejando fazer uma festa de formatura em algum momento no futuro. “Podemos tentar marcar para a mesma época em que nos formarmos para finalmente termos uma comemoração”, diz ela.

“A festa é uma forma de encerrar uma fase da vida e é importante que a gente tenha a oportunidade de fazer isso.”

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7 Dicas para cuidar da saúde mental em casa:

Mantenha-se em segurança, mas não se afaste das pessoas — Isolamento significa cortar o contato presencial, mas não é preciso cortar toda a comunicação. Na verdade, é mais importante do que nunca conversar, falar e ouvir, compartilhar histórias e conselhos, e ficar em contato virtual com as pessoas que importam para você.

Repare nas coisas que fazem você se sentir bem — Ter uma dieta saudável, se manter ativo fazendo caminhadas ou se exercitando podem nos ajudar a nos sentir melhor. É importante notar quais são as coisas que ajudam a melhorar sua saúde mental e tentar fazê-las na medida do possível.

Leia menos notícias — As atualizações constantes de notícias sobre a covid-19 e as pessoas comentando o assunto nas redes sociais podem ser demais para aguentarmos. É importante ter as informações necessárias para sua segurança, mas tente evitar ficar o dia todo vendo ou lendo sobre isso.

Compartilhe seus sentimentos — Converse com as pessoas que você ama e com seus amigos. Conversar ajuda a tirar um peso das costas e a nos sentirmos um pouco mais positivos se estivermos passando por um momento difícil.

Não fique sedentário — Encontre formas de movimentar seu corpo e mudar seu humor todos os dias. É possível fazer uma caminhada ou correr desde que você evite contato com outras pessoas.

Tenha uma rotina — Isso pode ser tedioso, mas vai ajudar a chegar ao fim do dia. Vá dormir e acorde nos mesmos horários, coma regularmente, tome banho, troque de roupa, saia para tomar um ar, marque videochamadas com colegas e amigos, faça o serviço de casa. Mas também não se coloque muita pressão para fazer tudo: é importante ter tempo para o lazer!

Encontre formas de relaxar e se distrair — Encontre coisas que ajudem a respirar profundamente, colocar as preocupações de lado e recarregar.

Médico não abandona paciente, diz Mandetta ao descartar pedir demissão

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O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, descartou nesta sexta-feira (3) deixar o governo do presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia do novo coronavírus, afirmando ter aprendido a lição que “médico não abandona paciente”.

“Quanto a eu deixar o governo por minha vontade, tenho uma coisa que aprendi com meus mestres: médico não abandona paciente”, disse ele, em entrevista coletiva no Palácio do Planalto, ao ser perguntado sobre os conflitos recentes com o presidente e a possibilidade de deixar o cargo.

Na quinta-feira, o presidente admitiu, em entrevista à rádio Jovem Pan, que está “se bicando” com o ministro da Saúde sobre a melhor forma de condução das políticas para enfrentar o coronavírus.

Bolsonaro tem defendido o relaxamento medidas de isolamento social, enquanto Mandetta segue pregando essas ações para reduzir o contágio do vírus.

O ministro da Saúde admitiu que o Brasil tem tido dificuldades para comprar respiradores e outros insumos de auxílio no combate ao novo coronavírus e reforçou a necessidade de que as pessoas diminuem a atividade social para reduzir o avanço do contágio no país.

Mandetta disse que o país continua num “momento difícil” em termos de abastecimento e contou que nesta sexta-feira foi frustrada a confirmação de compra de 680 respiradores pelo Nordeste que viriam da China.

“O mundo inteiro compra da China, isso fez com que atravessássemos fevereiro e março sem poder adquirir de lá”, disse ele, citando o fato que o país –que foi a origem do coronavírus– voltou inicialmente a sua produção de insumos apenas para abastecer o mercado interno.

“Temos aí uma coleção de problemas que vão se somando neste mercado”, acrescentou Mandetta, que nesta semana já havia reclamado de compras enormes dos Estados Unidos na China que tinham derrubado compras do Brasil.

O ministro fez um apelo por racionalidade dos países na hora de fazer compras de insumos e equipamentos no momento em que a pandemia se espalha pelo mundo.

Diante do cenário, Mandetta recomendou mais uma vez que as pessoas diminuam a atividade social com o objetivo de reduzir o contágio,

Na véspera, Bolsonaro disse em entrevista à Jovem Pan que falta humildade ao titular da Saúde e que ele deveria ouvi-lo mais. No entanto, pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira mostrou que o Ministério da Saúde tem uma aprovação mais de duas vezes superior à atribuída a Bolsonaro.

O ministro recomendou “fortemente” por parte da sociedade e dos governadores que mantenham medidas de contenção social e justificou que cada pessoa que deixa de ir para um centro de terapia intensiva (CTI) é um insumo que está se economizando.

“A gente sabe que mais na frente pode ter uma espiral de casos”, considerou.

Mandetta também voltou a levantar suspeitas sobre as informações da China a respeito dos casos no país, colocando em dúvida inclusive o número de casos relatados pelo país asiático.

Segundo o ministro “é digno de muitas perguntas” que um país com a população da China tenha tido pouco mais de 3 mil mortes, sem que cidades grandes como Pequim tenham sofrido um colapso de seu sistema de saúde, enquanto países como Itália, Espanha, França, Inglaterra e Estados Unidos têm enfrentado problemas enormes.

“Momento é de estresse”

Mandetta ressaltou que o momento é de estresse e que tem tomado “muito chá de camomila” durante a crise. Em certo momento, houve uma divergência entre um funcionário da equipe presidencial e um fotógrafo que tentava fazer um registro dos ministros presentes.

“Está todo mundo muito estressado. Estou tomando muito chá de camomila. Tomem também”, disse o ministro após ser interrompido. Em seguida, voltou a fazer as atualizações do Ministério da Saúde.

No dia anterior, Mandetta foi excluído de reunião entre Bolsonaro e um grupo de médicos para discutir o uso da cloroquina.

A substância é outro tema de divergência entre Bolsonaro e Mandetta. Enquanto o presidente defende irrestritamente a aplicação do medicamento, Mandetta pede cautela até que haja comprovação científica da eficácia desse fármaco, normalmente usado para malária. Agora, Mandetta tem dito que estudos sobre cloroquina tem avançado e ampliou o uso para casos graves do novo coronavírus no País.

Um dia atrás, Mandetta disse que os primeiros testes científicos com uso de cloroquina começam a mostrar resultados positivos e que a “ciência começa a achar o caminho” no combate à doença.

Nesta sexta, porém, o ministro disse que, após uma reunião com médicos especialistas que analisaram um primeiro trabalho científico publicado pelo New England Journal of Medicine, dos Estados Unidos, concluiu que o resultado não é tão promissor.

“O ‘paper’ é muito frágil no caso de cloroquina”, disse Mandetta ao se referir ao trabalho científico.

Hoje, Mandetta não mencionou a reunião, mas deu seu recado a Bolsonaro e àqueles que estiveram com o presidente. “Estou trabalhando com pouca gente, mas normalmente os ‘cabeças brancas’ aqueles que têm mais tempo e vivência, não só de sistema, mas de medicina, onde a gente está discutindo algumas possibilidades em tempos de tantas incertezas.”

Independentemente disso, Mandetta disse que o Ministério da Saúde vai oferecer aos médicos do País a possibilidade de utilizarem a cloroquina como opção de tratamento não apenas para os casos críticos de pacientes, como tem ocorrido até agora, mas também para aqueles que estão em situação grave.

COM AUDIÊNCIAS SUSPENSAS NOS FÓRUNS, CASAMENTOS VIRTUAIS VIRAM MODA EM PERNAMBUCO; VEJA VÍDEO

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“Denise Coutinho Siqueira Guimarães, é de livre e espontânea vontade que deseja se casar com Marcelo Siqueira de Araújo?”. A pergunta repetida ao noivo durante a celebração de um casamento em Recife (PE) seria apenas mais uma de praxe do ritual, não fosse por um motivo: o juiz a fez por chamada de vídeo pelo WhatsApp.

Em meio às restrições por conta do coronavírus, essa foi a solução encontrada por magistrados de Pernambuco para unirem casais que já haviam programado a solenidade. Os casamentos virtuais começaram quando o Tribunal de Justiça do Estado suspendeu, em 16 de março, audiências e sessões para reduzir o fluxo de pessoas. No dia seguinte, houve a primeira celebração online.

Os funcionários públicos Denise Guimarães, 37, e Marcelo Siqueira, 40, se programaram para casar oficialmente no dia 18. Na véspera, receberam uma ligação repentina para que fossem o mais breve possível ao cartório. A celebração seria imediata. “Estávamos na rua. Eu, de blusa, short, sandália havaiana e meu marido, de bermuda. Só tínhamos dobrado a esquina da casa do meu cunhado, quando ele me ligou, e saímos correndo. Casamos com roupa de casa”, contou Guimarães.

Os casamentos na capital costumam ocorrer às quartas-feiras com média de 40 casais a cada semana. Dessa vez, os noivos imaginavam uma celebração privada, apenas com juiz e testemunhas presentes. “Quando chegamos lá, o oficial disse que ia ser por videochamada. A gente ficou bem surpreso”, afirmou Guimarães. O alívio, no entanto, só veio após a entrega da documentação. “Só acreditamos que realmente tinha validade quando o oficial entregou nossa certidão”, disse.

Noivos Denise Guimarães e Marcelo Siqueira foram os primeiros a se casarem online em Recife Foto: Arquivo pessoal

A solenidade online dura entre um a dois minutos. Noivos e testemunhas se reúnem no cartório para fazerem uma chamada de vídeo com o magistrado. Já há planos para que os matrimônios ocorram por videoconferência, com todos de suas casas. Responsável pela iniciativa em Recife, o juiz Clicério Bezerra, da 1ª Vara de Família e Registro Civil, explicou que a cerimônia virtual é muito mais simples e rápida, além de preservar os participantes em tempos de isolamento social.

“A diferença básica é que não falo tanto com no presencial, no qual aproveito que é um momento muito importante da vida dos casais, para falar algumas coisas sobre os deveres do casamento, sobre o casamento civil e a diferença do casamento religioso”, disse Bezerra. “Infelizmente, no casamento virtual, não. Me atenho somente a saber se eles estão se casando por livre e espontânea vontade”, concluiu.

Juiz Clicério Bezerra celebra casamento de Denise Guimarães e Marcelo Siqueira pelo WhatsApp Foto: Arquivo pessoal

Bezerra já conduziu oito casamentos no formato alternativo. As exigências são as mesmas do matrimônio presencial, bastando apenas o processo de habilitação e apresentação dos documentos requisitados por lei. Não são necessárias justificativas especiais até o momento, o que pode mudar caso o número de pedidos dispare.

“Se a demanda aumentar e não conseguirmos fazer dessa outra forma, teremos que fazer a triagem para ver quem tem uma justificativa plausível para casar de imediato”, disse o juiz, que foi convencido a realizar as cerimônias após contato da irmã de Guimarães, funcionária do fórum na capital.

A iniciativa se ampliou a outras localidades. Na comarca de Petrolina, ao menos quatro casamentos virtuais foram realizados nas últimas duas semanas de março.

Denise Guimarães e Marcelo Siqueira foram surpreendidos com matrimônio virtual Foto: Arquivo pessoal

Se o sonho do casamento não precisou ser adiado, as comemorações e a lua de mel tiveram de ser reagendadas. Pelo menos no caso de Guimarães e Siqueira. O jantar pós-cerimônia para 70 convidados foi cancelado. A festa ocorreria no salão do prédio onde a irmã da noiva mora, mas o local foi fechado pelo síndico. A viagem para Natal (RN) no último dia 27 também teve de ser reprogramada.

“Estamos em lua de mel de quarentena em Garanhães (cidade onde o casal vai morar). Conseguimos cancelar tudo o que podíamos, menos bolo, doces, flores. Parte do buffet nós pegamos e alguns serviços ficaram como crédito de um ano”, contou Guimarães.

No Twitter, Bolsonaro promete zerar impostos sobre vitamina D e zinco

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O presidente Jair Bolsonaro prometeu “zerar” o imposto da vitamina D nos próximos dias, em uma publicação na sua conta do Twitter. O tema ganhou destaque na última semana após um estudo realizado por cientistas na Universidade de Turim, na Itália, apontar o nutriente como um aliado no combate ao coronavírus.

A pesquisa apontou que a maioria dos pacientes hospitalizados por covid-19 apresentou falta da vitamina D, especialmente os idosos.

“Medicamentos (entre outros) que tiveram todos seus impostos zerados pelo governo federal: Hidroxicloroquina e Azitromicina. Outros que serão ‘zerados’ nos próximos dias: zinco e vitamina D”, escreveu Bolsonaro.

No entanto, ainda não há estudos científicos que comprovem a eficácia do nutriente no combate ou prevenção da covid-19. De acordo com especialistas, a deficiência de vitamina D está diretamente ligada à baixa imunidade. Mas ela só pode ser detectada através de exame de sangue e sua suplementação deve ser orientada por um profissional de saúde.

O governo federal já havia anunciado que deixaria de tributar a hidroxicloroquina e a azitromicina, medicamentos que também estão passando por testes para a utilização no combate ao novo coronavírus.

Outro nutriente sobre o qual Bolsonaro prometeu zerar a tributação, sem mais detalhes, é o zinco.

No site do Ministério da Saúde, porém, uma imagem que mostra um produto que contém vitamina C e zinco foi tratada como “fake news” na prevenção da covid-19. O texto afirma que “até o momento, não há nenhum medicamento específico ou vacina que possa prevenir a infecção pelo novo coronavírus”.

‘O senhor que me demita’, diz Mandetta em briga com Bolsonaro por telefone

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No jantar que teve com Davi Alcolumbre e Rodrigo Maia na noite desta quinta — como o Radar revelou mais cedo –, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, narrou aos chefes do Legislativo o tenso diálogo que travou com o presidente Jair Bolsonaro pelo telefone.

Durante a ligação, o presidente teria dito ao ministro da Saúde que ele deveria pedir demissão e deixar o governo. Mandetta rebateu de pronto: “O senhor que me demita, presidente”.

A partir desse momento, a conversa teria esquentado ainda mais, ao ponto de o ministro da Saúde recomendar ao presidente que ele se responsabilizasse sozinho pelas mortes causadas pelo coronavírus, que já infectou 8.230 brasileiros e matou 343 pessoas.

Apesar da tensa discussão, Mandetta trabalha normalmente nesta sexta e já participou de uma série de reuniões.

Como o Radar mostrou mais cedo, depois de ser atacado publicamente pelo presidente nesta quinta, o ministro da Saúde foi jantar com os presidentes do Senado e da Câmara na residência oficial do Senado.

Na conversa, o ministro estava inconsolável. Disse aos chefes do Congresso que a situação com o presidente era “insustentável”.

Seguidamente boicotado nos bastidores pelo Palácio do Planalto, atacado nas redes sociais por aliados de Bolsonaro e agora publicamente pelo próprio chefe da República, Mandetta revelou estar no seu limite.

Na conversa, que entrou a madrugada, Mandetta disse a Maia e Alcolumbre que, por ele, está fora do governo. Bolsonaro não mereceria o empenho dele e de seus técnicos. Os chefes do Legislativo apelaram para que ele resistisse o máximo possível no cargo.

Em uma videoconferência do Valor, Maia disse que Bolsonaro “não tem coragem de tirar o ministro e mudar oficialmente a política de enfrentamento à pandemia”.

Bolsonaro deixou claro nesta quinta que teme ficar com a conta das mortes da pandemia no Brasil, se realizar mudanças no plano de combate do ministério e dos governadores. Mesmo assim, bateu duro em Mandetta.

“Mandetta já sabe que estamos nos bicando. Ele está extrapolando. Mas não posso demitir ministro em meio ao combate. Nenhum ministro meu é indemissível”, disse Bolsonaro nesta quinta.

EFEITO CORONAVÍRUS: COMO O MINISTRO DA SAÚDE SE TORNOU ALVO DO PRESIDENTE BOLSONARO

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O dia do “fico” de Luiz Henrique Mandetta começou com uma videoconferência e terminou com lamentos de frustração. Era manhã da quarta-feira 25, e o ministro fora desautorizado de forma constrangedora pelo presidente da República na noite anterior, quando Jair Bolsonaro fez um pronunciamento à nação negando a necessidade de isolamento social como forma de conter o avanço do novo coronavírus.

Ao contrariar publicamente a orientação mais premente de seu ministro da Saúde, o presidente abriu uma vala de distanciamento com Mandetta e colocou-o entre a cruz e a espada. Se ficasse no governo, estaria sujeito a um chefe que o diminuía diariamente. Se saísse, deixaria a pasta à mercê da ala mais radical do bolsonarismo, que enxerga na paralisação provocada pela pandemia um obstáculo à reeleição do presidente em 2022.

Mandetta optou por ficar. Permaneceram também as divergências com o presidente. Na noite desta quinta-feira (2), Bolsonaro disse que nenhum de seus ministros é ‘indemissível’ e que ‘falta humildade’ a seu ministro da Saúde. Ao ser questionado sobre as declarações do presidente, Mandetta disse que está trabalhando e não viu a entrevista.

Carreata contra o isolamento social em Belém, em movimento organizado por militantes bolsonaristas. A polícia foi acionada para prender os manifestantes. Foto: Filipe Bispo / Fotoarena / Agência O Globo

Naquela quarta-feira, na entrevista diária que concede à imprensa para divulgar os números da doença, o ministro tentou distensionar a relação com o presidente e, para isso, flexibilizou a recomendação de isolamento que Bolsonaro tanto criticava. Depois de sua fala colocando em xeque o isolamento, Mandetta foi bombardeado por ligações de aliados e técnicos da saúde.

Ainda muito ligado à classe médica de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, ele tem o mesmo número de celular desde quando atendia em consultório. Também permanece em grupos de WhatsApp dos quais fazia parte antes de virar ministro. Nesses grupos, foi duramente criticado. Cobravam dele uma defesa mais enérgica das medidas de isolamento social, conforme as diretrizes das principais autoridades sanitárias do mundo. Sua mulher, Terezinha, médica em um hospital público de Brasília, é também defensora da política de isolamento — e usou a hashtag #ficaemcasa justamente ao publicar uma foto do casal. Em uma postagem, o deputado federal Fábio Trad (PSD-MS), primo de Mandetta, fazia um apelo para que o ministro não abandonasse suas convicções. “Fique com a ciência. Se isto lhe custar o ministério, paciência. Sangue não vira água!”, escreveu o político em sua conta no Twitter.

Mandetta em cerimônia oficial no Palácio do Planalto, ao lado de um amigo e um ex-amigo. Caiado continua muito próximo. Já Onyx Lorenzoni, de quem se aproximou quando era deputado, se distanciou. Foto: Carolina Antunes / PR

As cobranças surtiram efeito. Mandetta recuou da retórica presidencial e, no sábado pela manhã, se dirigiu ao Palácio da Alvorada para uma reunião com ministros e Bolsonaro. Lá, informou ao presidente que teria de “endurecer” o discurso para que as pessoas permanecessem isoladas. Caso contrário, todos assistiriam a milhares de mortes de infectados pela Covid-19. Deu ainda uma reprimenda no presidente, em tom cordial, mas sério. Disse que, quando Bolsonaro sai às ruas para se encontrar com o povo ou diz que o brasileiro “pula no esgoto” e “não acontece nada”, está desautorizando seu ministro da Saúde.

E avisou: quando houvesse pronunciamentos desse tipo, ele teria de divergir do próprio chefe.

Aplicativo Coronavírus-SUS, do Governo do Brasil, é inseguro – É FAKE NEWS!

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Para combater as Fake News sobre saúde, o Ministério da Saúde, de forma inovadora, está disponibilizando um número de WhatsApp para envio de mensagens da população. Vale destacar que o canal não será um SAC ou tira dúvidas dos usuários, mas um espaço exclusivo para receber informações virais, que serão apuradas pelas áreas técnicas e respondidas oficialmente se são verdade ou mentira.

Qualquer cidadão poderá enviar gratuitamente mensagens com imagens ou textos que tenha recebido nas redes sociais para confirmar se a informação procede, antes de continuar compartilhando. O número é (61)99289-4640

Não compartilhe essa mensagem, ela é falsa.

O aplicativo Coronavírus-SUS-COVID-19, foi desenvolvido pelo Ministério da Saúde utilizando todos os padrões de segurança e preza pela confidencialidade das informações de seus usuários.

As permissões solicitadas aos usuários são validadas por meio de certificação de segurança e são necessárias para disponibilizar aos usuários todos os recursos disponíveis no aplicativo.

Para saber mais sobre o coronavírus, acesse: saude.gov.br/coronavirus.

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