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sábado, julho 18, 2026
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Hominídeo recém-descoberto desafia o que se acredita que nos torna humanos

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Uma espécie de hominídeo descoberta há pouco tempo vem desafiando o entendimento da ciência sobre o que nos torna humanos. Agora, paleontólogos encontraram indícios em um sistema de cavernas na África do Sul que revelam algo surpreendente sobre o Homo naledi, primata descrito pela primeira vez em 2015.

De acordo com o artigo que relata a pesquisa, disponibilizado na segunda-feira (5) no servidor de pré-impressão bioRxiv e aguardando revisão por pares, esse nosso ancestral de cérebro pequeno apresentava hábitos que, até então, tinham sido detectados pela primeira vez apenas nos neandertais e nos Homo sapiens.

Os autores do estudo afirmam que os achados na caverna ilustram um dos primeiros exemplos de rituais de sepultamento e oferecem as primeiras evidências de múltiplos enterros e ações funerárias. Além disso, o Homo naledi pode ter sido o primeiro grupo de hominídeos a fazer uso de simbologias – o que prova que essa capacidade não está relacionada ao tamanho do cérebro, como se pensava.

Pesquisadores dentro de um sistema de cavernas conhecido como “Estrela Ascendente”, localizado perto da atual Joanesburgo. Crédito: Mathabela Tsikoane

Esses dados questionam vários pressupostos-chave sobre a evolução comportamental e cognitiva em hominídeos do Pleistoceno.

“Estamos olhando para um comportamento cultural que é muito humano em uma espécie que tem um cérebro com um terço do tamanho do nosso”, disse John Hawks, paleoantropólogo da Universidade de Wisconsin-Madison e coautor do estudo. “Isso contradiz a ideia de que foi o tamanho do cérebro que nos tornou humanos”.

Quem era o Homo naledi

Evidências fósseis sugerem que o Homo naledi viveu entre 241 mil e 335 mil anos atrás dentro de um sistema de cavernas denominado “Estrela Ascendente”, que fica nas redondezas da atual Joanesburgo, a maior cidade da África do Sul. 

Embora a parte inferior do corpo, os pés, as mãos e os dentes desse primata tivessem aspectos que pareciam humanos, sua estrutura média de 100 quilos e 1,50 m carregava um cérebro do tamanho de uma laranja – semelhante ao dos chimpanzés.

“Nunca tivemos uma criatura que manifestasse a nossa complexidade além de nós mesmos”, disse Lee Berger, paleoantropólogo e explorador residente na National Geographic, também coautor da pesquisa. “O Homo naledi ameaça a narrativa muito claramente definida da ascensão do excepcionalismo humano”.

Evidências fósseis sugerem que o Homo naledi viveu entre 241 mil e 335 mil anos atrás. Crédito: Robert Clark/National Geographic

Tanto Berger quanto Hawks fizeram parte do grupo de pesquisadores que descobriu a espécie há oito anos no subsistema “Estrela Ascendente”, que recebeu esse nome porque naledi significa estrela em um dialeto sul-africano. 

Composto por múltiplas câmaras, o local tem um acesso extremamente estreito, o que dificultou a entrada dos cientistas. 

Um esforço internacional possibilitou a descoberta de mais de 1.500 ossos pertencentes a indivíduos Homo naledi em uma das câmaras do labiríntico espaço.

Essa abundância de ossos permitiu à equipe de pesquisa reconstruir um esqueleto completo e cerca de 15 parciais. Eles também encontraram evidências de uso de fogo, incluindo lareiras e ossos carbonizados.

Abundância de ossos no local intrigou os cientistas

Na época, um dos maiores mistérios em torno da descoberta dessa nova espécie de hominídeo era como tantos ossos foram parar naquele lugar. Algumas hipóteses foram levantadas pelos paleoantropólogos. 

Uma delas sugeria que um grupo desses indivíduos teria morrido, todos juntos, dentro da caverna. Outra possibilidade pensada foi que um deslizamento de terra ou inundação teria levado os ossos para dentro dali. A teoria mais controversa, no entanto, era de que o local pudesse ter sido usado como cemitério por aquele povo. 

Assim, uma exploração mais aprofundada de outras câmaras dentro da caverna – mais de quatro quilômetros do sistema, que tem pelo menos 300 metros de profundidade, foram mapeadas até agora – revelou corpos, incluindo de crianças, em diferentes níveis de depressões do solo que, segundo os pesquisadores, foram cavados intencionalmente.

Lee Berger, paleoantropólogo e explorador residente na National Geographic, adentrando a caverna subterrânea através de um dos estreitos acessos ao local. Créditos: Berger et. al, 2023

“Pude ver o contorno dessa área perturbada que claramente interrompeu o chão estável da caverna”, disse Berger. “Quer você chame de sepultura ou não, é um buraco cavado com um corpo naledi que foi coberto pela sujeira desse buraco”.

Com cuidado e segurança, as equipes trouxeram o conteúdo de um desses buracos para a superfície, onde ele foi examinado usando métodos como tomografia computadorizada. As análises comprovaram que os ossos pertenciam todos ao mesmo indivíduo, o que apoia a ideia de que eles haviam descoberto um corpo sepultado, e não uma mistura de ossos de diferentes pessoas que pudessem ter caído juntas ali.

“A ideia de lidar com a morte de forma ritualizada é, na verdade, uma das últimas coisas preciosas ligadas ao ser humano”, disse Berger, acrescentando que o difícil acesso e a profundidade da caverna subterrânea sustenta a ideia de que o Homo naledi estava fazendo algo semelhante. “Eles não queriam seus mortos em um espaço fácil de chegar, assim como nós também não”.

Símbolos adotados pelo hominídeo têm ligação surpreendente com homem moderno

Em julho de 2022, durante a extensão da pesquisa, foram descobertas gravuras dentro de uma das câmaras, que incluíam padrões cruzados semelhantes a uma hashtag moderna que foram feitos com uma ferramenta pontiaguda.

O significado pretendido dos símbolos dentro da Estrela Ascendente ainda não foram determinados, segundo os pesquisadores, mas o ato de gravar desenhos intencionais é amplamente considerado um grande passo cognitivo na evolução humana.

Símbolos esculpidos nas paredes dentro de uma das câmaras da caverna. Crédito: Berger et. al, 2023

Traços cruzados parecidos com os encontrados nesse local foram identificados em um sítio neandertal em Gibraltar que tem apenas dezenas de milhares de anos. “Eles são estranhamente semelhantes, e estão a oito mil quilômetros de distância, o que é simplesmente louco”, disse Hawks.

Uma explicação, de acordo com Berger, é que esses símbolos cruzados “são profundamente compartilhados por nosso último ancestral comum e ficam dentro de nós”.

Juiz nega suspender indicação de Zanin ao Supremo

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Cristiano Zanin, advogado de Lula durante entrevista coletiva após o julgamento do pedido de registro de candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva para a presidência da República nas eleições de outubro, no TSE.

A Justiça Federal em Brasília decidiu nesta segunda-feira (5) negar pedido feito por deputados de oposição para barrar o ato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que indicou o advogado Cristiano Zanin para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF).

A decisão, proferida pelo juiz Rolando Spanholo, foi motivada por uma ação popular protocolada pelos deputados federais Nikolas Ferreira (PL-MG) e Alexandre Ramagem (PL-RJ).

Na petição, os parlamentares defenderam a anulação do ato por entenderem que Zanin é “amigo íntimo e advogado particular de Lula”, o que feriria os princípios constitucionais da impessoalidade e moralidade. Antes da indicação, ele atuou como defensor de Lula nos processos da Operação Lava Jato.

Na decisão, o magistrado escreveu que a Constituição deu ao presidente da República a prerrogativa de indicar ministros ao STF e não colocou barreiras para a indicação.

“E isso em nada se altera pelo fato de que o presidente da República mantém estreita relação pessoal e profissional com o advogado Cristiano Zanin Martins. Nosso sistema constitucional não elenca um rol de impedimentos expressos e confere grande margem de discricionariedade ao presidente da República”, destacou.

Spanholo acrescentou que Zanin precisa passar por sabatina no Senado para tomar posse no Supremo.

“Fica claro que a discricionariedade do presidente da República é limitada ao ato de indicar. Cabe ao Senado Federal (e somente a ele) reconhecer (ou não) que, de fato, o advogado Cristiano Zanin Martins atende às exigências constitucionais e deve mesmo ocupar a vaga de ministro do STF”, concluiu.

Na semana passada, Lula enviou ao Senado mensagem presidencial na qual indicou Cristiano Zanin para a vaga que foi aberta com a aposentadoria de Ricardo Lewandowski.

Para tomar posse no STF, ele precisa passar por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e ter nome aprovado em votação no plenário da Casa.

Zanin tem 47 anos e formou-se em direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) em 1999. É especialista em litígios estratégicos e decisivos, empresariais ou criminais, nacionais e transnacionais.

SP anuncia plano com R$ 2,13 bilhões para recuperação ambiental

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Parque Estadual da Serra do Mar. Foto: R. de Morais

Os parques estaduais de São Paulo receberão investimentos de R$ 36,9 milhões para revitalização de cinco unidades de conservação, com potencial para o turismo ecológico. Entre eles, está o Parque Estadual Ilha Anchieta, que está aberto à visitação desde abril. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (5), Dia Mundial do Meio Ambiente, pelo governo estadual durante a apresentação do novo Plano de Meio Ambiente. Ao todo, o plano prevê R$ 2,13 bilhões em recursos públicos e privados, e mais R$ 5,6 bilhões já previstos para o programa IntegraTietê até 2026.

O maior investimento será nas ações de biodiversidade, com R$ 1 bilhão. Pelas estimativas do governo estadual até 2026, 37,5 mil hectares de vegetação serão restaurados por meio de seis programas, como o Refloresta São Paulo e o Conexão Mata Atlântica.

Haverá ainda um concurso público para a Companhia Ambiental de São Paulo (Cetesb), com a previsão de 224 novas contratações até o final deste ano.

Concessão

Outro eixo de ação do plano é a manutenção de oito parques urbanos e estudos de concessão ou permissão de uso de mais quatro unidades urbanas na capital. São elas: Parque Ecológico do Tietê (quatro núcleos), Parque Estadual da Juventude, Parque Estadual do Belém e Parque Jequitibá.

Animais silvestres

Segundo o governo estadual, o plano contempla ainda a construção ou revitalização de cinco unidades dos Centros de Recuperação de Animais Silvestres.

Para reforçar a fiscalização da Polícia Militar Ambiental, o montante a ser investido é de de R$ 111,7 milhões para o reforço da fiscalização da Polícia Militar Ambiental, que recebeu 61 viaturas e um barco blindado,  e teve sedes de batalhões reformadas.

Bioeconomia e Finanças Verdes

No eixo de Bioeconomia e Finanças Verdes, os investimentos diretos e indiretos somam R$ 586 milhões, por meio de duas linhas de crédito. Os recursos são destinados a financiamentos para prefeituras e empresas, com foco em projetos de eficiência energética, energias renováveis, mobilidade urbana sustentável, saneamento, biodiversidade e resíduos sólidos urbanos.

“Outra ação prática é o ICMS Ecológico, projeto de lei em que a parcela da alíquota recebida por municípios que protegem áreas de mata ou que possuem mais de 30% do território coberto por vegetação nativa aumenta de 1% para 2%. Assim, o potencial de destinação às cidades que mais preservam a natureza é de R$ 732 milhões por ano”, diz o governo estadual.

No eixo de Resiliência e Adaptação Climática, serão destinados R$ 341 milhões para ações de impacto em segurança hídrica sob responsabilidade do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) e da Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp). O plano também contempla ações voltadas para a educação e conscientização ambiental.

Reese Witherspoon é a atriz mais rica do mundo, segundo a Forbes

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Reese Witherspoon se tornou a atriz mais rica do mundo, segundo um levantamento da revista Forbes. Dados indicam que ela tem um patrimônio acumulado de US$ 440 milhões, cerca de R$ 2,1 bilhões.

A atriz de Legalmente Loira conseguiu status de “ricaça” após vender uma parte da produtora Hello Sunshine, fundada em 2016.

A empresa é detentora de títulos como Big Little Lies, Daisy Jones and the Six e Litte Fires Everywhere.

Em 2021, a transação foi avaliada em US$ 900 milhões, cerca de R$ 4,4 bilhões. Agora, parte da produtora pertence à Blackstone, mas a atriz ainda tem uma participação estimada em 18% dos lucros.

Sobre Reese Witherspoon

Reese Witherspoon é uma renomada atriz, produtora e empresária americana. Nascida em 22 de março de 1976, em Nova Orleans, Louisiana, fez sua estreia no cinema no filme “The Man in the Moon” em 1991.

Ela é provavelmente mais conhecida por seus papéis em filmes como “Legalmente Loira” (2001), “Doce Lar” (2002) e “Johnny & June” (2005), pelo qual ganhou um Oscar de Melhor Atriz por sua interpretação de June Carter Cash.

Além de sua carreira como atriz, Witherspoon se tornou uma figura proeminente na produção de filmes.

Em 2012, ela fundou a Pacific Standard, uma produtora que participou de vários filmes e séries de TV de grande aclamação, como “Livre” (2014) e “Big Little Lies” (2017-2019).

Posteriormente, lançou a Hello Sunshine, uma empresa de mídia que se concentra em histórias conduzidas por mulheres.

Além de seu trabalho no cinema e na TV, Witherspoon também se aventurou na moda com sua marca de roupas, Draper James.

Reese Witherspoon permanece uma figura altamente influente na indústria do entretenimento. Ela continua a atuar, produzir e se engajar em várias atividades empresariais.

TSE marca julgamento de Bolsonaro para 22 de junho

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Brasília (DF) 18/05/2023 Ex-presidente, Jair Bolsonaro, na saída do Senado federal após visitar seu filho e senador, Flávio Bolsonaro. Foto Lula Marques/ Agência Brasil.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) marcou para 22 de junho o julgamento do processo aberto contra o ex-presidente Jair Bolsonaro após a reunião com embaixadores, realizada em julho do ano passado, no Palácio da Alvorada, em que ele atacou o sistema eletrônico de votação. Se for condenado, Bolsonaro ficará inelegível por oito anos e não poderá disputar as próximas eleições.

Na ação, ex-presidente é acusado de abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação. Após a realização da reunião do presidente com embaixadores, o PDT entrou com uma ação de investigação no TSE.

Em seguida, de forma liminar, o tribunal determinou a retirada das imagens do encontro das redes sociais e da transmissão oficial do evento por entender que houve divulgação de fatos inverídicos ou descontextualizados sobre o sistema de votação.

Em parecer enviado ao TSE, a Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) defendeu a condenação de Bolsonaro. Para o órgão, Bolsonaro divulgou aos embaixadores informações inverídicas sobre o sistema de votação.

Durante a tramitação da ação, a defesa de Bolsonaro defendeu que o caso não poderia ser julgado pela Justiça Eleitoral. No entendimento dos advogados, o evento com os embaixadores foi realizado em 18 de julho, quando Bolsonaro não era candidato oficial às eleições de 2022 e o nome dele ainda não tinha sido aprovado em convenção partidária.

Governo retomará Bolsa Verde para comunidades tradicionais da Amazônia

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Brasília (DF), 05/06/2023 - Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, fala a EBC, durante solenidade de homenagem para lembrar um ano da morte do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips. Foto Valter Campanto/Agência Brasil.

O governo federal vai retomar o programa Bolsa Verde, que fazia pagamentos a famílias que vivem em áreas de reserva extrativista e comunidades tradicionais da Amazônia, como forma de estimular a preservação da floresta e promover a regeneração de áreas degradadas.

O anúncio foi feito nesta segunda-feira (5) pela ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, durante evento de celebração do Dia Mundial do Meio Ambiente, no Palácio do Planalto.

“Essas famílias receberão uma ajuda do Estado como pagamento pelos serviços que eles prestam para a proteção do meio ambiente. Cerca de 80% das florestas protegidas no mundo estão sob domínio dessas comunidades tradicionais. Isso tem a ver com o reconhecimento do papel que essas comunidades têm para manter os serviços ecossistêmicos preservados”, afirmou a ministra a jornalistas.

Criado em 2011 pelo governo da então presidente Dilma Rousseff, o Bolsa Verde previa a concessão, a cada três meses, de R$ 300 para famílias em situação de extrema pobreza que vivessem em áreas de proteção ou de reserva e que comprovassem produção sustentável.

O programa, no entanto, foi encerrado ainda em 2017, durante o governo de Michel Temer, que sucedeu Dilma Rousseff após o impeachment de 2016. O valor e a periodicidade dos pagamentos do programa que será retomado não foram detalhados por Marina Silva, mas, segundo ela, a iniciativa deverá abranger, inicialmente, cerca de 30 mil famílias. Na versão anterior do programa, os pagamentos alcançaram mais de 70 mil beneficiários.  

O recurso será pago inclusive para famílias que já recebem outros benefícios, como o Bolsa Família. “Essa adicionalidade tem a ver com aquilo que elas fazem, modo de vida que ajuda a preservar os biomas brasileiros”, explicou a ministra. A ideia é que, mais adiante, o programa contemple comunidades tradicionais que vivem em outros biomas, como o Cerrado e a Mata Atlântica.

Marco temporal

Marina Silva também criticou a tese do marco temporal, aprovada pela Câmara dos Deputados por meio do Projeto de Lei (PL) 490/2007, na semana passada. O texto prevê que os povos indígenas e tradicionais terão direito somente às terras que ocuparam até 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal.

O PL agora segue para análise do Senado. Além disso, a tese também será analisada em julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), que será retomado nesta semana. Para a ministra, o texto aprovado na Câmara “constitui uma grande injustiça” contra os povos indígenas. Segundo ela, há uma contradição em relação àqueles posseiros que buscam regularizar ocupações e não têm impedimentos de ordem temporal como a prevista no marco.

“Enquanto aqueles que ocuparam terra até recentemente buscam regularizar suas áreas, [submeter] aqueles que estão aqui milenarmente a uma lógica de poderem demarcar suas terras que estavam ocupadas somente até a Constituição de 1988. É uma grande contradição que tenho absoluta certeza que a sabedoria, o senso de Justiça do Supremo irá fazer esta avaliação e as devidas reparações, como fez tantas vezes, inclusive em relação à Terra Indígena Raposa Serra do Sol”, argumentou.

O processo que motivou o julgamento na Corte trata da disputa pela posse da Terra Indígena (TI) Ibirama, em Santa Catarina. A área é habitada pelos povos Xokleng, Kaingang e Guarani, e a posse de parte da TI é questionada pela procuradoria do estado.

O placar do julgamento está empatado em 1 voto a 1: o ministro Edson Fachin votou contra a tese do marco temporal, e Nunes Marques se manifestou a favor. A análise foi suspensa em setembro de 2021 após um pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes.

A decisão do Supremo não valerá apenas para esse território, mas para todos os casos relacionados a disputas envolvendo áreas indígenas.

MP da reestruturação

Marina Silva também avaliou que a retirada de atribuições de sua pasta não afetará as prioridades do governo. Na semana passada, o Congresso Nacional aprovou a Medida Provisória (MP) que definiu a estrutura administrativa do governo. O texto final retirou diversas funções das pastas do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e também do Ministério dos Povos Indígenas (MPI).

“O compromisso do presidente Lula é que internamente, no governo, [possamos] fazer todos os esforços para que não haja prejuízo da implementação de suas prioridades”, afirmou a jornalistas.

Um pouco antes, durante seu discurso na cerimônia alusiva ao Dia Mundial do Meio Ambiente, a ministra disse acatar a decisão do Congresso Nacional, “porque na democracia, a gente acata as decisões legítimas” do Poder Legislativo, mas ressaltou que não concorda com as medidas, porque elas enfraquecem uma “política ambiental robusta”.

O texto final da MP, que ainda precisa ser sancionado pelo presidente, tirou do MMA a Agência Nacional de Águas (ANA), passando a supervisão do órgão ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. Já o Cadastro Ambiental Rural (CAR), um cadastro eletrônico obrigatório a todas as propriedades e posses rurais, passou a ser vinculado ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos.

O relatório ainda retirou da competência do MMA o Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa), o Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos (Sinir) e o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (Singreh). Os três sistemas serão agora de responsabilidade do Ministério das Cidades.

Por fim, o texto final também retirou do Ministério dos Povos Indígenas sua principal atribuição, a de homologação de terras de povos originários, devolvendo-a à pasta da Justiça e Segurança Pública, como era em governos anteriores.

Quatro adolescentes que praticavam bullying com colega gay que se matou são condenados pela Justiça da França

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Quatro adolescentes da França foram condenados pela Justiça por ofenderem um colega de escola gay que se suicidou. O caso comoveu o país e levantou preocupações sobre o bullying escolar.

Em 7 de janeiro, Lucas, um garoto de 13 anos, escreveu um bilhete no qual expressava o desejo de pôr fim à sua vida na cidade de Golbey.

Seus familiares denunciaram que ele sofria assédio e que alunos de sua própria escola faziam bullying com ele e proferiam insultos homofóbicos.

Um tribunal de menores da região de Épinal condenou os quatro adolescentes por assédio, mas sem vinculá-lo ao suicídio de Lucas.

A pena será anunciada em 22 de janeiro de 2024. Os condenados podem pegar até 18 meses de prisão. A pena seria de até cinco anos de prisão se o bullying fosse vinculado ao suicídio.

A mãe de Lucas expressou alívio: “Queria que meu filho fosse reconhecido como vítima de bullying, era tudo que devia a ele, essa é a minha luta agora”, disse ela.

O governo tem um programa para combater o bullying escolar.

Outros casos

Essa tragédia não foi a única desde o início do ano. Houve outros casos de bullying que terminaram de forma trágica na França nos últimos meses.

  • Em 29 de abril, uma criança de 10 anos se suicidou perto da cidade de Lyon, em um contexto de bullying na escola, segundo seus pais.
  • Em 12 de maio, Lindsay, uma adolescente de 13 anos, tirou a própria vida na cidade de Vendin-le-Vieil . A Justiça acusou quatro menores de “bullying escolar que levou ao suicídio”. O ministro da Educação, Papa Ndiaye, se reuniu nesta segunda-feira com os familiares de Lindsay, cuja mãe o acusou de não ser “sincero” no combate ao suicídio.

Lula anuncia novo plano de segurança para a Amazônia

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta segunda-feira (5), data em que se celebra o Dia Mundial do Meio Ambiente, que o governo federal vai lançar um novo plano de segurança para a Amazônia, em parceria com os governos estaduais.

São medidas para combater crimes como grilagem de terras públicas, atividades ilegais de garimpo, extração de madeira, mineração, além de caça e pesca em territórios indígenas, áreas de proteção ambiental e no bioma como um todo.

“Esses crimes que degradam o meio ambiente são alimentados e, ao mesmo tempo, alimentam um verdadeiro ecossistema criminal. É o tráfico de drogas, de armas e de pessoas, a lavagem de dinheiro, o trabalho escravo, os assassinatos por encomenda e a exploração sexual de crianças e adolescentes”, destacou Lula, durante discurso em evento no Palácio do Planalto. A ação foi chamada pelo presidente de Plano Amazônia: Preservação e Soberania.

Entre as ações que serão realizadas, o presidente citou a criação da Companhia de Operações Ambientais da Força Nacional de Segurança Pública, a instalação de bases fluviais e terrestres integradas para o fortalecimento dos serviços de segurança pública na região, construção ou reforma de postos policiais, além de quarteis e delegacias em pontos estratégicos.

O plano prevê também aparelhamento e modernização de meios e infraestrutura dos órgãos de segurança pública que atuam na Amazônia Legal, a implantação do Centro de Cooperação Policial Internacional para a proteção da Amazônia e de centros integrados de comando e controle, “com ênfase em inteligência integrada”.

“A mensagem que estamos passando aos criminosos e ao mundo é muito clara: tolerância zero com a devastação de nosso meio ambiente. Total proteção aos povos indígenas, inclusive com o uso da força quando necessário, e a demarcação do maior número possível de seus territórios.”

Outros pontos mencionados incluem a ampliação e modernização dos meios navais que patrulham os rios da Amazônia, a modernização da rede de Capitanias, delegacias e agências da autoridade marítima, suporte dos pelotões da fronteira, aumento de operações na Amazônia, aquisição e modernização de sistemas aeroespaciais e de equipamentos logísticos para as Forças Armadas. O presidente não informou quando as medidas começarão a ser implementadas.

Desenrola beneficiará famílias com dívidas de até R$ 5 mil

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Real Moeda brasileira

Em elaboração desde o início do ano para aliviar a situação de pessoas endividadas, o Programa Desenrola terá a medida provisória (MP) publicada ainda esta semana, disse nesta segunda-feira (5) o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Segundo ele, a MP será editada agora para permitir a entrada em vigor do programa em julho.

O programa de renegociação de pequenas dívidas, explicou Haddad, será limitado a famílias que ganhem até dois salários mínimos e estejam devendo até R$ 5 mil. O Desenrola, informou o ministro, deverá beneficiar cerca de 30 milhões de pessoas.

Segundo o ministro, o Desenrola levará cerca de um mês para entrar em vigor por causa de burocracias. Nos últimos meses, o lançamento do programa foi adiado sucessivas vezes porque a B3, a bolsa de valores brasileira, estava elaborando o sistema informático para os credores aderirem às renegociações. “Tem uma série de providências burocráticas a serem tomadas até abertura do sistema dos credores”, justificou o ministro.

Apesar de o programa estar atrelado à vontade das empresas credoras, o ministro se disse otimista em relação ao Desenrola. “O programa depende da adesão dos credores, uma vez que a dívida é privada. Mas nós entendemos que muitos credores quererão participar do programa dando bons descontos justamente em virtude da liquidez que vão obter, porque vai ter garantia do Tesouro [Nacional]”, comentou Haddad.

Em troca de participar da negociação, a empresa credora terá garantia do Tesouro caso o devedor não consiga honrar os compromissos. Para Haddad, o fato de o Tesouro cobrir eventuais calotes incentivará os credores a oferecerem o máximo de desconto possível aos devedores.

“O programa funcionará como um leilão. A ideia é que o credor dê o maior desconto possível, porque ele tem um estímulo para isso [a garantia do Tesouro Nacional]”, explicou o ministro.

Segundo Haddad, bancos oficiais, como o Banco do Brasil, participarão do programa. Ele disse que a instituição financeira considerou positiva a modelagem do Desenrola e estimou que o programa terá sucesso. O ministro afirmou que bancos privados também estão interessados em aderir ao Desenrola.

Idaron chama atenção para início do vazio sanitário da soja que começa neste mês

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A Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril de Rondônia – Idaron chama a atenção do produtor rural para o início do vazio sanitário da soja, período em que não se pode semear ou manter plantas vivas da espécie no campo, com vistas à prevenção e ao controle da ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi). O período inicia neste mês. O objetivo é reduzir a população do fungo na entressafra e assim atrasar a ocorrência da doença durante a safra.

Em Rondônia, para a safra 22/23, o período de vazio sanitário foi dividido em duas regiões, de acordo com a Portaria SDA nº 607 de 21 de junho de 2022. Na Região I, que compreende os municípios de Cabixi, Cerejeiras, Chupinguaia, Colorado do Oeste, Corumbiara, Pimenteiras do Oeste e Vilhena, o período começa dia 10 de junho, e se estende até 10 de setembro. Na Região II, que envolve os demais municípios de Rondônia, o vazio vai de 15 de junho a 15 de setembro.

MEDIDAS FITOSSANITÁRIAS

O gerente de inspeção e defesa sanitária vegetal, Jessé de Oliveira Júnior explicou que, a medida tem como base, o programa nacional de controle da ferrugem asiática da soja, instituído no âmbito do Ministério da Agricultura e Pecuária – Mapa, que estabelece as medidas fitossanitárias que devem ser adotadas por cada região do Brasil para a prevenção e controle da praga. “Por força de lei, durante o vazio sanitário, é proibida a semeadura da soja em todo o território rondoniense”, destacou.

No período do vazio, também não é permitida a existência de plantas vivas de soja em áreas sob sistema de irrigação, de cultivo tradicional ou qualquer outra modalidade de cultivo, exceto os excepcionalmente autorizados com a finalidade de pesquisa. “Os proprietários, arrendatários ou detentores a qualquer título de áreas que foram cultivadas com soja, são obrigados a eliminar, antes do vazio sanitário, todas as plantas vivas de soja, sejam elas cultivadas ou voluntárias, em toda a área de domínio ou posse”, salientou Jessé de Oliveira.

O governador de Rondônia, Marcos Rocha ressaltou sobre a importância do trabalho de inspeção da Agência. “A cultura da soja tem impacto na balança comercial de Rondônia. Somos um dos maiores produtores da região Norte. O trabalho desenvolvido pela Idaron para prevenir a ocorrência da ferrugem da soja, não tem apenas aspecto fitossanitário, mas econômico, visto que protege uma das mais importantes commodities produzidas no Estado”, destacou.

FERRUGEM ASIÁTICA

A doença causa sérios danos, principalmente foliares nas culturas. Sem as folhas, as plantas reduzem sua produção devido à falta de fotoassimilados. O vazio sanitário se tornou a principal medida para combater e prevenir a doença em razão de sua rápida expansão nas áreas de produção de soja, aos elevados prejuízos e difícil combate a este fungo. Suas perdas podem ser de 10% a 90% nas diversas regiões produtoras, o que pode causar prejuízos acumulados, tanto ao produtor quanto à economia do Estado. “A ausência de plantas interrompe o ciclo de reprodução e desenvolvimento do Phakopsora pachyrhizi, que obtém seus nutrientes das células vivas das plantas. No caso, os hospedeiros dos Phakopsora são as plantas da soja”, alertou o gerente de inspeção.

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