O boletim InfoGripe, divulgado semanalmente pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mostra que dez capitais brasileiras apresentam sinal de crescimento moderado, probabilidade maior que 75%, ou forte, probabilidade maior que 95% na tendência de longo prazo (seis semanas) de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e de covid-19.
Os casos notificados e óbitos no país apresentam ocorrência muito alta, segundo o boletim. O coordenador do InfoGripe, pesquisador Marcelo Gomes, observou que 20 das 27 capitais apresentam sinal de estabilidade ou crescimento na tendência de longo prazo.
Capitais
Em Aracaju, Florianópolis, Fortaleza, João Pessoa, Macapá, Maceió e Salvador há sinal forte de crescimento no longo prazo. Nas capitais, Belém, São Luís e São Paulo, observa-se sinal moderado de crescimento do número de infectados para a tendência de longo prazo, acompanhado de sinal de estabilização na tendência de curto prazo.
As capitais, Belém, Florianópolis, Fortaleza, João Pessoa, Macapá, Salvador e São Luís já completam ao menos um mês com manutenção do sinal de crescimento na tendência de longo prazo em todas as semanas.
Já a capital paulista apresenta sinal de crescimento a longo prazo pela primeira vez desde o início do processo de queda, embora já venha dando sinais de possível interrupção da tendência de queda. Porto Alegre apresentou sinal de estabilização tanto na tendência de curto quanto de longo prazo.
Marcelo Gomes destacou a necessidade de cautela em relação às próximas semanas, especialmente em relação a eventuais avanços nas ações de flexibilização das medidas para diminuição do contágio na capital gaúcha.
Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, não confirmou sinal de estabilização na tendência de longo prazo, retornando ao sinal de queda nesse indicador. Segundo o coordenador do InfoGripe, embora a tendência de curto prazo tenha mantido sinal de estabilização, ainda é preciso cautela em relação a ações de flexibilização.
“Como já relatado em boletins anteriores, identificamos diferença significativa entre as notificações de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) no estado do Mato Grosso registradas no sistema nacional Sivep-Gripe e os registros apresentados no sistema próprio do estado. Tal diferença se manteve até a presente atualização”, avaliou Marcelo Gomes.
Macrorregiões
Em 12 das 27 unidades federativas observa-se tendência de longo prazo com sinal de queda ou estabilização em todas as respectivas macrorregiões de saúde. Nos demais 15 estados, Amapá, Pará e Tocantins (Norte), Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, e Sergipe (Nordeste), Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo (Sudeste), Rio Grande do Sul e Santa Catarina (Sul), e Mato Grosso do Sul (Centro-Oeste) há ao menos uma macrorregião estadual com tendência de curto e/ou longo prazo com sinal moderado ou forte de crescimento.
Dados
A análise refere-se à semana epidemiológica de 18 a 24 de outubro e tem com base os dados inseridos no Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe) até o dia 27 deste mês.
Andressa Urachfez um apelo em sua rede social. Ela quer de volta todas as doações que fez a igreja evangélica que frequentava. No Instagram, Urach contou que ficou decepcionada com o templo e, caso não receba o que doou, irá entrar na Justiça e procurar os seus direitos.
Conversei amigavelmente com a igreja para eles me devolverem as doações que fiz nos últimos anos, mas infelizmente não tive retorno ainda, não queria entrar na justiça. Mas não estou bem, estava vulnerável na época e não pensei no futuro do meu filho e muito menos no meu, estava em uma fase muito frágil e ainda estou, então vou voltar aos meus tratamentos”, explicou.
E continuou: “Gente eu não escondo nada de ninguém. Nos últimos meses passei por uma decepção tão grande, que literalmente rasgou meu coração, não deu para estudar, vou ter que trancar a faculdade de jornalismo, pois não tenho cabeça para pensar sobre isso. Dediquei meus últimos 6 anos da minha vida para Jesus como todos sabem, mas acabei me sentindo como um objeto descartável, nunca me senti assim nem no tempo da prostituição. Sei que Jesus não tem nada haver com isso e a obra de Deus é feita por pessoas falhas. Fui excluída de grupos fazendo eu me sentir como se eu tivesse ‘demônios’ por deixar de fazer parte da instituição. Se eu falasse tudo que aconteceu comigo nesses últimos anos vocês ficariam escandalizados e eu teria virado ateia. Mas graças a Deus no hospital em 2014 estive de frente com a morte e passei por uma experiência pessoal com Deus e sei que Jesus é vivo”.
A modelo ainda disse que ama a igreja, mas não consegue mais frequentá-la porque pegou ranço. “Hoje como todos sabem tenho contrato com a Record aqui no Rio Grande do Sul e dependo financeiramente do meu salário e o mesmo vai até março do próximo ano. (Se eles não me demitirem até lá), como já fizeram da outra vez que estava em São Paulo quando desobedeci a orientação que recebi e casei com o pai do meu filho”, concluiu
Um valor equivalente a mais de R$ 600 mil foi arrecadado para apoiar uma estrela involuntária do novo filme “Borat: Fita de Cinema Seguinte”, estrelado por Sacha Baron Cohen.
Jeanise Jones, de 62 anos, foi recrutada para o filme que mostra o jornalista cazaque Borat pregando peças em cidadãos americanos.
Ela aparece em várias cenas após ser convidada a tomar conta da filha fictícia do infame personagem de Cohen.
Após o lançamento do filme na semana passada, o pastor de sua igreja criou uma página de crowdfunding para os fãs “dizerem obrigado”.
O pastor Derrick Scobey disse que Jones trabalhava na congregação da Igreja Batista Ebenezer, na cidade de Oklahoma. Devido à pandemia do coronavírus, ela recentemente perdeu seu emprego após 32 anos.
Na página da vaquinha virtual, Scobey disse que os produtores do filme pediram uma “avó negra para um pequeno papel em um documentário”.
Durante as filmagens, Jones foi encarregada de cuidar de Tutar, a filha de Borat, interpretada pela atriz Maria Bakalova.
Em várias cenas, a mulher desvia dos comentários misóginos feitos pelo personagem de Sacha Baron Cohen. Ela também encoraja Tutar a “ser feliz” e diz a ela para “usar seu cérebro, porque seu pai é um mentiroso”.
Sacha Baron Cohen retorna como Borat 14 anos depois do filme original
‘Veio do coração’
“Isso não foi planejado para Jeanise. Tudo veio do coração”, disse Scobey. “Ela é uma das pessoas mais autênticas que já conheci.”
Em uma entrevista ao New York Post, Jones declarou que, durante sua aparição no filme, ela estava tentando dar os melhores conselhos possíveis.
“Nesse tipo de situação, você não pode deixar de ter paciência porque está tentando ajudar alguém — pelo menos, foi o que pensei”, disse ela.
Em declarações à Variety, ela afirmou que ainda não assistiu ao filme, que atraiu milhões de telespectadores durante o fim de semana de estreia no Amazon Prime Video. Por seu papel, Jones recebeu US$ 3.600 (algo em torno de R$ 20 mil).
Jones revelou que, desde o início das filmagens, ela estava preocupada com o bem-estar de Tutar. Mas, depois que uma amiga mostrou um trailer do filme no começo deste mês, ela relembrou a experiência com bom humor.
“Estou feliz em saber que [a Sra. Bakalova] não está realmente nessa situação”, disse ela à Variety. “[O Sr. Cohen], eu não sei. Não era real, então eu apertava sua mão e dizia: ‘Você me pegou.'”
A Fábrica de Cretinos Digitais. Este é o título do último livro do neurocientista francês Michel Desmurget, diretor de pesquisa do Instituto Nacional de Saúde da França, em que apresenta, com dados concretos e de forma conclusiva, como os dispositivos digitais estão afetando seriamente — e para o mal — o desenvolvimento neural de crianças e jovens.
“Simplesmente não há desculpa para o que estamos fazendo com nossos filhos e como estamos colocando em risco seu futuro e desenvolvimento”, alerta o especialista em entrevista à BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC.
As evidências são palpáveis: já há um tempo que o testes de QI têm apontado que as novas gerações são menos inteligentes que anteriores.
Desmurget acumula vasta publicação científica e já passou por centros de pesquisa renomados como o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e a Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.
Seu livro se tornou um best-seller gigantesco na França. Veja abaixo trechos da entrevista com ele.
BBC News Mundo: Os jovens de hoje são a primeira geração da história com um QI (Quociente de Inteligência) mais baixo do que a última?
Michel Desmurget: Sim. O QI é medido por um teste padrão. No entanto, não é um teste “estático”, sendo frequentemente revisado. Meus pais não fizeram o mesmo teste que eu, por exemplo, mas um grupo de pessoas pode ser submetido a uma versão antiga do teste.
Neurocientista Michel Desmurget
E, ao fazer isso, os pesquisadores observaram em muitas partes do mundo que o QI aumentou de geração em geração. Isso foi chamado de ‘efeito Flynn’, em referência ao psicólogo americano que descreveu esse fenômeno. Mas recentemente, essa tendência começou a se reverter em vários países.
É verdade que o QI é fortemente afetado por fatores como o sistema de saúde, o sistema escolar, a nutrição, etc. Mas se considerarmos os países onde os fatores socioeconômicos têm sido bastante estáveis por décadas, o ‘efeito Flynn’ começa a diminuir.
Nesses países, os “nativos digitais” são os primeiros filhos a ter QI inferior ao dos pais. É uma tendência que foi documentada na Noruega, Dinamarca, Finlândia, Holanda, França, etc.
BBC News Mundo: E o que está causando essa diminuição no QI?
Desmurget: Infelizmente, ainda não é possível determinar o papel específico de cada fator, incluindo por exemplo a poluição (especialmente a exposição precoce a pesticidas) ou a exposição a telas. O que sabemos com certeza é que, mesmo que o tempo de tela de uma criança não seja o único culpado, isso tem um efeito significativo em seu QI. Vários estudos têm mostrado que quando o uso de televisão ou videogame aumenta, o QI e o desenvolvimento cognitivo diminuem.
Os principais alicerces da nossa inteligência são afetados: linguagem, concentração, memória, cultura (definida como um corpo de conhecimento que nos ajuda a organizar e compreender o mundo). Em última análise, esses impactos levam a uma queda significativa no desempenho acadêmico.
BBC News Mundo: E por que o uso de dispositivos digitais causa tudo isso?
Desmurget: As causas também são claramente identificadas: diminuição da qualidade e quantidade das interações intrafamiliares, essenciais para o desenvolvimento da linguagem e do emocional; diminuição do tempo dedicado a outras atividades mais enriquecedoras (lição de casa, música, arte, leitura, etc.); perturbação do sono, que é quantitativamente reduzida e qualitativamente degradada; superestimulação da atenção, levando a distúrbios de concentração, aprendizagem e impulsividade; subestimulação intelectual, que impede o cérebro de desenvolver todo o seu potencial; e o sedentarismo excessivo que, além do desenvolvimento corporal, influencia a maturação cerebral.
BBC News Mundo: Que dano exatamente as telas causam ao sistema neurológico?
Desmurget: O cérebro não é um órgão “estável”. Suas características ‘finais’ dependem da nossa experiência. O mundo em que vivemos, os desafios que enfrentamos, modificam tanto a estrutura quanto o seu funcionamento, e algumas regiões do cérebro se especializam, algumas redes são criadas e fortalecidas, outras se perdem, algumas se tornam mais densas e outras mais finas.
Prova de QI em 1947
Observou-se que o tempo gasto em frente a uma tela para fins recreativos atrasa a maturação anatômica e funcional do cérebro em várias redes cognitivas relacionadas à linguagem e à atenção.
Deve-se ressaltar que nem todas as atividades alimentam a construção do cérebro com a mesma eficiência.
BBC News Mundo: O que isso quer dizer?
Desmurget: Atividades relacionadas à escola, trabalho intelectual, leitura, música, arte, esportes… todas têm um poder de estruturação e nutrição muito maior para o cérebro do que as telas.
Mas nada dura para sempre. O potencial para a plasticidade cerebral é extremo durante a infância e adolescência. Depois, ele começa a desaparecer. Ele não vai embora, mas se torna muito menos eficiente.
O cérebro pode ser comparado a uma massa de modelar. No início, é úmida e fácil de esculpir. Mas, com o tempo, fica mais seca e muito mais difícil de modelar. O problema com as telas é que elas alteram o desenvolvimento do cérebro de nossos filhos e o empobrecem.
BBC News Mundo: Todas as telas são igualmente prejudiciais?
Desmurget: Ninguém diz que a “revolução digital” é ruim e deve ser interrompida. Eu próprio passo boa parte do meu dia de trabalho com ferramentas digitais. E quando minha filha entrou na escola primária, comecei a ensiná-la a usar alguns softwares de escritório e a pesquisar informações na internet.
Os alunos devem aprender habilidades e ferramentas básicas de informática? Claro. Da mesma forma, pode a tecnologia digital ser uma ferramenta relevante no arsenal pedagógico dos professores? Claro, se faz parte de um projeto educacional estruturado e se o uso de um determinado software promove efetivamente a transmissão do conhecimento.
Porém, quando uma tela é colocada nas mãos de uma criança ou adolescente, quase sempre prevalecem os usos recreativos mais empobrecedores. Isso inclui, em ordem de importância: televisão, que continua sendo a tela número um de todas as idades (filmes, séries, clipes, etc.); depois os videogames (principalmente de ação e violentos) e, finalmente, na adolescência, um frenesi de autoexposição inútil nas redes sociais.
BBC News Mundo: Quanto tempo as crianças e os jovens costumam passar em frente às telas?
Desmurget: Em média, quase três horas por dia para crianças de 2 anos, cerca de cinco horas para crianças de 8 anos e mais de sete horas para adolescentes.
Bebê usando dispositivo móvel
Isso significa que antes de completar 18 anos, nossos filhos terão passado o equivalente a 30 anos letivos em frente às telas ou, se preferir, 16 anos trabalhando em tempo integral!
É simplesmente insano e irresponsável.
BBC News Mundo: Quanto tempo as crianças devem passar em frente a telas?
Desmurget: Envolver as crianças é importante. Eles precisam ser informados de que as telas danificam o cérebro, prejudicam o sono, interferem na aquisição da linguagem, enfraquecem o desempenho acadêmico, prejudicam a concentração, aumentam o risco de obesidade, etc.
Alguns estudos mostram que é mais fácil para crianças e adolescentes seguirem as regras sobre telas quando sua razão de ser é explicada e discutida com eles. A partir daí, a ideia geral é simples: em qualquer idade, o mínimo é o melhor.
Além dessa regra geral, diretrizes mais específicas podem ser fornecidas com base na idade da criança. Antes dos seis anos, o ideal é não ter telas (o que não significa que de vez em quando você não possa assistir a desenhos com seus filhos).
Quanto mais cedo forem expostos, maiores serão os impactos negativos e o risco de consumo excessivo subsequente.
A partir dos seis anos, se os conteúdos forem adaptados e o sono preservado, o tempo em frente a tela pode chegar até meia hora ou até uma hora por dia, sem uma influência negativa apreciável.
Outras regras relevantes: sem telas pela manhã antes de ir para a escola, nada à noite antes de ir para a cama ou quando estiver com outras pessoas. E, acima de tudo, sem telas no quarto.
Mas é difícil dizer aos nossos filhos que as telas são um problema quando nós, como pais, estamos constantemente conectados aos nossos smartphones ou consoles de jogos.
BBC News Mundo: Por que muitos pais desconhecem os perigos das telas?
Desmurget: Porque a informação dada aos pais é parcial e tendenciosa. A grande mídia está repleta de afirmações infundadas, propaganda enganosa e informações imprecisas. A discrepância entre o conteúdo da mídia e a realidade científica costuma ser perturbadora, se não enfurecedora. Não quero dizer que a mídia seja desonesta: separar o joio do trigo não é fácil, mesmo para jornalistas honestos e conscienciosos.
Mas não é surpreendente. A indústria digital gera bilhões de dólares em lucros a cada ano. E, obviamente, crianças e adolescentes são um recurso muito lucrativo. E para empresas que valem bilhões de dólares, é fácil encontrar cientistas complacentes e lobistas dedicados.
menino jogando videogame
Recentemente, uma psicóloga, supostamente especialista em videogames, explicou em vários meios de comunicação que esses jogos têm efeitos positivos, que não devem ser demonizados, que não jogá-los pode ser até uma desvantagem para o futuro de uma criança, que os jogos mais violentos podem ter ações terapêuticas e ser capaz de aplacar a raiva dos jogadores, etc.
O problema é que nenhum dos jornalistas que entrevistaram esse “especialista” mencionou que ela trabalhava para a indústria de videogames. E este é apenas um exemplo entre muitos descritos em meu livro.
Isso não é algo novo: já aconteceu no passado com o tabaco, aquecimento global, pesticidas, açúcar, etc.
Mas acho que há espaço para esperança. Com o tempo, a realidade se torna cada vez mais difícil de negar.
BBC News Mundo:Há estudos que afirmam, por exemplo, que os videogames ajudam a obter melhores resultados acadêmicos…
Desmurget: Digo com franqueza: isso é um absurdo.
Essa ideia é uma verdadeira obra-prima de propaganda. Baseia-se principalmente em alguns estudos isolados com dados imprecisos, que são publicados em periódicos secundários, pois muitas vezes se contradizem.
Em uma interessante pesquisa experimental, consoles de jogos foram dados a crianças que iam bem na escola. Depois de quatro meses, elas passaram mais tempo jogando e menos fazendo o dever de casa. Suas notas caíram cerca de 5% (o que é muito em apenas quatro meses!).
Em outro estudo, as crianças tiveram que aprender uma lista de palavras. Uma hora depois, algumas puderam jogar um jogo de corrida de carros. Duas horas depois, foram para a cama.
Na manhã seguinte, as crianças que não jogaram lembravam cerca de 80% da aula em comparação com 50% das que jogaram.
Os autores descobriram que brincar interferia no sono e na memorização.
BBC News Mundo: Como o Sr. acha que os membros dessa geração digital serão quando se tornarem adultos?
Desmurget: Costumo ouvir que os nativos digitais sabem “de maneira diferente”. A ideia é que embora apresentem déficits linguísticos, de atenção e de conhecimento, são muito bons em “outras coisas”. A questão está na definição dessas “outras coisas”.
Vários estudos indicam que, ao contrário das crenças comuns, eles não são muito bons com computadores. Um relatório da União Europeia explica que a baixa competência digital impede a adoção de tecnologias educacionais nas escolas.
Menina olhando tela
Outros estudos também indicam que eles não são muito eficientes no processamento e entendimento da vasta quantidade de informações disponíveis na internet.
Então, o que resta? Eles são obviamente bons para usar aplicativos digitais básicos, comprar produtos online, baixar músicas e filmes, etc.
Para mim, essas crianças se assemelham às descritas por Aldous Huxley em seu famoso romance distópico Admirável Mundo Novo: atordoadas por entretenimento bobo, privadas de linguagem, incapazes de refletir sobre o mundo, mas felizes com sua sina.
BBC News Mundo: Alguns países estão começando a legislar contra o uso de telas?
Desmurget: Sim, especialmente na Ásia. Taiwan, por exemplo, considera o uso excessivo de telas uma forma de abuso infantil e aprovou uma lei que estabelece multas pesadas para pais que expõem crianças menores de 24 meses a qualquer aplicativo digital e que não limita o tempo de tela de meninos entre 2 e 18 anos.
Na China, as autoridades tomaram medidas drásticas para regulamentar o consumo de videogames por menores: crianças e adolescentes não podem mais brincar à noite (entre 22h e 8h) ou ultrapassar 90 minutos de exposição diária durante a semana (180 minutos nos finais de semana e férias escolares).
BBC News Mundo: O Sr. acredita que é bom que existam leis que protegem as crianças das telas?
Desmurget: Não gosto de proibições e não quero que ninguém me diga como criar minha filha. No entanto, é claro que as escolhas educacionais só podem ser exercidas livremente quando as informações fornecidas aos pais são honestas e abrangentes.
Acho que uma campanha de informação justa sobre o impacto das telas no desenvolvimento com diretrizes claras seria um bom começo: nada de telas para crianças de até seis anos de idade e não mais do que 30-60 minutos por dia.
BBC News Mundo: Se essa orgia digital, como você a define, não para, o que podemos esperar?
Desmurget: Um aumento das desigualdades sociais e uma divisão progressiva da nossa sociedade entre uma minoria de crianças preservadas desta “orgia digital” — os chamados alfas do livro de Huxley —, que possuirão, através da cultura e da linguagem, todas as ferramentas necessárias pensar e refletir sobre o mundo, e uma maioria de crianças com ferramentas cognitivas e culturais limitadas — os chamados gamas na mesma obra —, incapazes de compreender o mundo e agir como cidadãos cultos.
Os alfas frequentarão escolas particulares caras com professores humanos “reais”. Já os gamas irão para escolas públicas virtuais com suporte humano limitado, onde serão alimentados com uma pseudo-linguagem semelhante à “novilíngua” de (George) Orwell (em 1984) e aprenderão as habilidades básicas de técnicos de médio ou baixo nível (projeções econômicas dizem que este tipo de empregos serão super-representados na força de trabalho de amanhã).
Um mundo triste em que, como disse o sociólogo Neil Postman, eles vão se divertir até a morte. Um mundo no qual, através do acesso constante e debilitante ao entretenimento, eles aprenderão a amar sua servidão. Desculpe por não ser mais otimista.
Talvez (e espero que sim) eu esteja errado. Mas simplesmente não há desculpa para o que estamos fazendo com nossos filhos e como estamos colocando em risco seu futuro e desenvolvimento.
Imagens de satélite em alta resolução mostram o desmatamento “sistemático” de um trecho da Amazônia brasileira durante um período de mais de três anos, de maio de 2017 a setembro de 2020.
Os dados foram coletados pela empresa Planet, sediada em San Francisco, no Estado americano da Califórnia, e disponibilizados em um vídeo divulgado recentemente em sua página no YouTube. Ela não deu maiores detalhes sobre a localização do trecho ou o tamanho da área coberta pelas imagens.
A Planet é uma das empresas envolvidas em um projeto de mapeamento de dados de satélite exclusivo sobre as florestas tropicais do mundo que acaba de ser anunciado, com financiamento da Noruega.
O mapa, com imagens de alta resolução, cobre 64 países, inclusive o Brasil, e será atualizado mensalmente.
Seu diferencial é que poderá ser acessado por qualquer pessoa e gratuitamente.
O governo norueguês está financiando o projeto por meio de sua Iniciativa Internacional para o Clima e as Florestas (NICFI).
O conjunto de dados deve ser “uma enorme ajuda na luta contra o desmatamento”, de acordo com Sveinung Rotevatn, ministro do Clima e Meio Ambiente da Noruega.
“Há muitas partes do mundo onde imagens de alta resolução simplesmente não estão disponíveis, ou onde estão disponíveis — as ONGs, comunidades e universidades nesses países não podem pagá-las porque são muito caras”, diz ele à BBC.
“Então, decidimos pagar a conta do mundo, basicamente”, acrescenta.
O NICFI concedeu um contrato de US$ 44 milhões (R$ 250 milhões) a Airbus, Planet e Kongsberg Satellite Services (KSAT) pelo acesso a fotos e conhecimento especializado.
A gigante aeroespacial europeia Airbus está abrindo seu arquivo de imagens Spot desde 2002. Já a Planet opera a maior constelação de satélites de imagem em órbita atualmente. A empresa obtém uma imagem completa da superfície terrestre diariamente (se a nuvem permitir) e fornecerá a maior parte dos dados para o mapa mensal daqui para frente. Por fim, a KSAT unirá as informações e fornecerá suporte técnico aos usuários.
A edição do Fantástico deste domingo (1°) promete. A apresentadora Xuxa Meneghel concedeu uma entrevista exclusiva ao “show da vida”, que irá ao ar neste fim de semana. Na última quinta-feira (29), Tadeu Schmidt já havia anunciado a presença da Rainha dos Baixinhos na emissora entre os intervalos da programação.
“Uma entrevista exclusiva com a Xuxa! Ela conversou com a repórter Renata Ciribelli sobre a inspiração pro livro infantil que escreveu”, iniciou Tadeu, citando Maya, a Bebê Arco-Íris, obra que lançou recentemente através da editora Globo Livros. “Também falou sobre o preconceito que enfrentou no início da carreira”, destacou o jornalista, antes de uma fala da apresentadora sobre a associação do nome dela à prostituição.
“E e a trajetória de sucesso”, concluiu Schmidt. “Eu quero relembrar minha vida, minha história, o que eu vivi com a cabeça erguida”, complementou Xuxa no VT.
Em seu instagram, a jornalista Renata Ceribelli ainda comentou: “Xuxa fala do novo livro, onde um anjo escolhe nascer em uma família de duas mães, e também do que aprendeu e não repetiria em sua vida . Incrível como ela sempre me surpreende. E tenho certeza de que vai surpreender vc também”.
A última grande participação da loira no Fantástico foi em 2012, quando revelou abusos sexuais no quadro “O que vi da vida”. Quem gostou da novidade foram os fãs da apresentadora, que atualmente é contratada da Record. “Entrevista da Xuxa no ‘Fantástico’ domingo. É agora que a lenda anuncia seu comeback”, celebrou um. “Chamada do ‘Fantástico’ com Xuxa?! Globo, quero o ‘Planeta Xuxa’ de volta!”, pediu outro. “Vocês sabem que assim que a Xuxa assinar com a Globo os planetas se alinham e o corona deixa de existir, né?”, brincou mais um.
Uma jovem de 19 anos foi estuprada dentro de um hotel fazenda na cidade de Esmeraldas, na região metropolitana de Belo Horizonte e ficou grávida. Ela denunciou o caso para a Polícia Militar nesta sexta-feira (30). A vítima é funcionária do hotel fazenda e foi estuprada por um carpinteiro do local, de 30 anos.
“Ela contou que quando ia trocar de roupa, foi surpreendida pelo homem que a agarrou e a arrastou para um quarto de hóspedes onde cometeu a conjunção carnal, usando de violência física. A vítima é de família muito católica e não teve coragem de contar para os pais. Ela também foi ameaçada de morte pelo suspeito caso revelasse o crime”, explicou o tenente Livingstone Ribeiro.
Ainda de acordo com o tenente, familiares contaram que após o estupro a jovem estava com um comportamento estranho e bastante depressiva. A vítima também percebeu que havia mudanças em seu corpo e, nesta sexta, resolveu fazer um teste de gravidez e descobriu que está gestante por causa do estupro, que aconteceu a cerca de um mês.
A vítima foi socorrida para o Hospital Municipal 25 de maio em Esmeraldas, onde exames médicos constataram a gravidez. Ela será levada ainda para o Hospital Regional de Betim onde vai tomar coquetel contra doenças sexualmente transmissíveis (DST).
A Polícia Militar faz diligências para tentar encontrar o suspeito do crime. A reportagem não conseguiu contato com o hotel fazenda. O local é de alto padrão e as diárias custam a partir de R$ 600.
A Superintendência Estadual de Desenvolvimento Econômico e Infraestrutura (Sedi) e o Sistema Nacional de Emprego de Rondônia (Sine-RO) apresentaram o projeto Geração Emprego EAD, na última quinta-feira (29). A plataforma tem o objetivo de gerar capacitação e qualificação profissional à distância para a população.
O superintendente da Sedi, Sérgio Gonçalves, destacou que o programa Geração Emprego foi lançando há alguns meses pelo governador de Rondônia, Marcos Rocha, e com a pandemia houve a necessidade de expandir para uma plataforma digital. “O programa é uma ferramenta de enfrentamento ao desemprego. O desemprego não é gerado apenas pela falta de vagas, mas, também, pela falta de capacitação profissional”, afirmou.
“Até o final de 2022 temos como objetivo atingir mais de 70 mil trabalhadores”, ressaltou o superintendente.
Ainda durante a coletiva, a coordenadora do Sine, Glenda Hara, enfatizou que outro propósito da plataforma é gerar qualidade de vida para as pessoas mais vulneráveis. “Quando você finalizar o curso, o Sine irá fazer uma nova reformulação do seu currículo e direcionar para as vagas disponíveis no momento”.
GERAÇÃO EMPREGO EAD
A plataforma tem como objetivo beneficiar mais de dois mil trabalhadores para a qualificação de mão de obra. Serão oferecidos cursos nas áreas de indústria (8), Comércio e Serviço (5) e Construção Civil (1).
Os cursos são gratuitos e os candidatos poderão se inscrever até o dia 10 de novembro de 2020.
Milhares de manifestantes desafiaram as restrições impostas por causa da pandemia e tomaram as ruas de Varsóvia nesta sexta-feira (30) em protesto contra o endurecimento da lei sobre o aborto na Polônia. É a maior manifestação no país desde que o Tribunal Constitucional proibiu o procedimento em casos de má formação fetal.
Por causa dos altos índices de infecção pelo coronavírus — foram 21,6 mil novos casos de Covid-19 apenas nesta sexta —, a Polônia restringiu reuniões públicas para, no máximo, cinco pessoas. Diante da megamanifestação, a promotoria polonesa afirmou que vai processar os organizadores por causarem “ameaças epidemiológicas”, crime que pode levar a oito anos de prisão.
Manifestantes participam de ato em Varsóvia, nesta sexta (30), contra restrições ao aborto na Polônia — Foto: Dawid Zuchowicz/Agencja Gazeta via Reuters
‘Dignidade = liberdade’, diz cartaz de manifestante que foi às ruas de Varsóvia nesta sexta (30) em protesto contra medida que endurece regras do aborto na Polônia — Foto: Kacper Pempel/Reuters
Os protestos vêm acontecendo desde a semana passada, quando a instância mais alta da Justiça polonesa declarou inconstitucional a permissão do aborto para casos de má formação fetal. Com a decisão, a prática fica permitida apenas para gravidez decorrente de estupro ou incesto, ou quando há risco para a saúde da mãe.
Durante os protestos, os manifestantes carregavam cartazes com dizeres como “Você não tem que andar sozinha” ou “Deus é mulher”. Alguns dos participantes também levavam guarda-chuvas pretos ou placas com o sinal de um raio, símbolos dos protestos.
Policiais formaram barreiras de contenção para evitar depredações a igrejas e outros monumentos. Não havia registro de incidentes violentos graves até a última atualização desta reportagem.
Protestos na Polônia
Confeitaria em Varsóvia, na Polônia, produz doces com desenhos de um raio, símbolo dos protestos pró-aborto no país — Foto: Kuba Stezycki/Reuters
A Polônia, de maioria católica e com uma das populações mais religiosas da Europa, tem uma das legislações mais duras em relação ao aborto no continente. Essas restrições encontram apoio no governo polonês, comandado pelo partido nacionalista conservador PiS.
No domingo, houve episódios de violência no país, quando manifestantes favoráveis ao aborto entraram em choque com policiais e com ativistas católicos. A tensão ficou ainda maior quando um grupo invadiu uma igreja que celebrava missas.
Além dos protestos contra as restrições ao aborto, o governo polonês enfrenta manifestações também de comerciantes e grupos de direita contrários às medidas de confinamento impostas para conter a pandemia do coronavírus. Diferentemente de outros países europeus, a segunda onda na Polônia já é mais letal do que a primeira, entre março e maio.
O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) afirmou, em entrevista à revista Veja publicada nesta sexta-feira, 30, que a polêmica em torno da vacina contra Covid-19 desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan é “briga política” com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). Segundo Mourão, “é lógico que o governo federal vai comprar doses do imunizante”. “Já colocamos os recursos no Butantan para produzir essa vacina. O governo não vai fugir disso aí.”
A fala de Mourão à Veja difere do posicionamento de Jair Bolsonaro sobre o assunto. Em diversas ocasiões, o presidente já disse que não irá comprar a vacina. Ele chegou a desautorizar um acordo feito pelo Ministério da Saúde de intenção de compra de 46 milhões de doses da Coronavac. Além disso, Bolsonaro vem tendo embates públicos com Doria sobre a obrigatoriedade da imunização. Doria defende a imunização compulsória no Estado. Já Bolsonaro diz que a vacinação contra covid-19 não será obrigatória.
Ao explicar por que não se incomoda quando opiniões suas são rebatidas publicamente pelo presidente Jair Bolsonaro, o vice-presidente sustentou que “tem vida”, compartilhando na entrevista o que chamou de “momentos de liberdade”: fazer alongamento e exercício de manhã, comer fora de casa e tomar uísque com sua esposa às sextas-feiras e, no sábado, jogar voleibol e “jogar conversa fora” no boteco. “Domingo saímos para almoçar ou vou à casa do meu filho para um churrasco”, relatou.
Amazônia e eleições
Presidente do Conselho Nacional da Amazônia Legal, Mourão disse na entrevista que “não está tudo bem” na região, mas negou que o governo federal esteja de braços cruzados diante do desmatamento e de queimadas ou “passando a boiada”, em referência à fala do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, na reunião ministerial de 22 de abril, sobre medidas infralegais para afrouxar a legislação ambiental.
Mourão defendeu que o governo federal não errou no enfrentamento das ilegalidades na Amazônia e citou reunião com embaixadores na qual disse ter argumentado que o Executivo “busca coibir que as ilegalidades avancem ou que elas extrapolem algo” que seria admissível. Mourão está organizando uma viagem à região com diplomatas, principalmente de países europeus, para sobrevoar algumas áreas, inclusive desmatadas.
Diante de especulações de que Bolsonaro teria vontade de lançar outro candidato a vice para tentar a reeleição em 2022, o general da reserva alegou não estar preocupado com a próxima disputa presidencial, mas admitiu que poderia tentar uma vaga no Senado.
Mourão se disse confortável para discordar do presidente, mas comentou que polêmicas ocorreram porque, na sua visão, ele falou algo sem saber a opinião de Bolsonaro sobre o assunto. “A partir do momento em que eu sei o que ele pensa, fico em silêncio, mesmo que discorde”, afirmou à Veja.
Ainda na entrevista, o vice-presidente rejeitou a constatação de que há muitos militares no governo, estimando que eles somam cerca de 3 mil – “metade do que estão falando” -, defendeu o diálogo com o “governo de turno” dos Estados Unidos, independentemente se comandado por Donald Trump ou Joe Biden a partir do ano que vem, e apontou que qualquer empresa comprometida com “soberania, privacidade e economia” poderá disputar o leilão de 5G, sem excluir a participação da Huawei.
Por fim, Mourão deu o motivo de ser um dos poucos integrantes do primeiro escalão do governo federal a não contrair o novo coronavírus: “Máscara, álcool na mão, álcool para dentro”, disse.