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segunda-feira, julho 13, 2026
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Itapuã sofre com obra abandonada pelo DNIT

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A obra de construção das marginais da BR-364, no município de Itapuã do Oeste, caminha para completar 5 anos de total abandono, o que tem causando sérios transtornos à população da região e motoristas que utilizaram diariamente a rodovia federal.  A responsabilidade da execução dos serviços é do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (DNIT), que nos últimos enfrentou sérios problemas de falta de recursos em sua pasta.

Os comerciantes são os mais prejudicados com a paralisação dos trabalhos e já contabilizam prejuízos em decorrência da paralisação das obras. “Em função do período chuvoso, a situação se agravou nos últimos dias por conta da quantidade de buracos no entorno da rodovia”, disse o morador João Ricardo, que utiliza a rodovia todos os dias. “Diariamente somos acionados para socorrer motoristas que conduzem veículos pequenos. Muitos não conhecem o local e acabam caindo nos buracos. A situação se agrava ainda mais no período da noite, em conseqüência da falta de iluminação”, explicou.

No local não há sinalização e o mato toma conta da rodovia. Os comerciantes também enfrentam problemas para entrar no comércio. A lama toma conta da entrada dos comércios. Os comerciantes reclamam ainda que estão perdendo clientes por conta da lama na frente dos comércios e já pensam em reduzir o número de funcionários.

O próprio poder público também sofre com paralisação das obras. Moradores contam que recentemente uma ambulância, que transportava paciente do interior para a capital, caiu dentro de um buraco e teve que ser rebocada. Por sorte, não aconteceu um acidente.

Os empresários também estudam a criação de uma comissão para ir até o DNIT em Brasília. Na semana passada, o prefeito Moises Cavalheiro (MDB) esteve em Porto Velho em uma reunião com a superintendência do DNIT em Rondônia. Uma nova reunião será realizada ainda essa semana para tratar do assunto. “Acreditamos que teremos boas notícias nos próximos dias”, disse o prefeito. Enquanto isso, a população vai contabilizando prejuízos em decorrência da falta de investimento do governo federal.

Defensoria Pública anuncia seleção para estagiários

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A Defensoria Pública de Rondônia divulgou o edital 01/2020, para formação de cadastro reserva de estagiários de Direito, com remuneração de R$ 1000, mais vale transporte.

As pré-inscrições serão abertas no próximo dia 3 e seguem até 14 de fevereiro. As provas serão realizadas no dia 8 de março e o resultado final em 8 de abril.

Segundo o edital, é obrigatória a confirmação da inscrição no núcleo da Defensoria Pública da vaga escolhida, das 7h30 às 13h30, levando um quilo de alimento não perecível.

CLIQUE AQUI E CONFIRA AS REGRAS

As vagas são para as Comarcas de Porto Velho, Alta Floresta do Oeste, Ji-Paraná, Alvorada do Oeste, Presidente Médici, Buritis, Cerejeiras, Colorado do Oeste, Espigão D’Oeste, Jaru, Nova Brasilândia D’Oeste, Ouro Preto do Oeste, Pimenta Bueno, Rolim de Moura, Santa Luzia D’Oeste, São Miguel do Guaporé e Vilhena.

Inscrições para coral de mulheres da Defensoria de RO terminam na terça, 28

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Terminam nesta terça-feira (28) as inscrições para o Coral de Mulheres da Defensoria Pública de Rondônia (DPE-RO). São 30 vagas oferecidas e o coral é voltado para servidoras, comissionadas, estagiárias e defensoras públicas da DPE-RO, além de mulheres e meninas que sejam usuárias dos serviços do órgão.

O projeto Coral de Mulheres tem duração indeterminada e é realizado em parceria com uma escola de música de Porto Velho. A participação é gratuita e voluntária.

Para integrar o projeto não é necessário ter nenhuma experiência musical anterior. As inscrições são gratuitas e realizadas pela internet.

Entre os objetivos do projeto estão a divulgação da música e cultura de Rondônia, intercâmbio entre as instituições jurídicas e visibilidade e empoderamento às mulheres na comunidade local.

O processo de escolha das participantes será em duas etapas: análise de documentação e avaliação de afinação, timbre, ritmo e enquadramento da voz no devido naipe. O resultado deve ser divulgado no próximo dia 31 de janeiro.

As selecionadas precisam ter disponibilidade para frequentar os ensaios e apresentações do grupo, além de concordar com os deveres previstos em edital.

Os ensaios regulares devem acontecer nas segundas-feiras, das 16h as 17h30. O primeiro ensaio está marcado para 3 de fevereiro.

Site de reserva de vagas em escolas volta ao ar após ficar 6 dias em manutenção, em RO

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O site para a reserva de vagas da Secretaria de Estado da Educação de Rondônia (Seduc-RO) voltou a funcionar nesta segunda-feira (27).

A página ficou fora do ar na última quarta-feira (22) e, com isso, pais ou responsáveis que desejam reservar uma vaga para estudantes na rede pública de Rondônia esperaram por seis dias até que a página voltasse a funcionar.

Desde que o site caiu, quem tentava entrar na página se deparava apenas com a mensagem de “Página Temporariamente em Manutenção”.

Site para reserva de vagas da Seduc está fora do ar — Foto: Divulgação/Seduc-RO

A demora na manutenção preocupou aqueles que, por instabilidade no portal, não tinham conseguido uma vaga no ano letivo de 2020.

É o caso de Crys Silva, de 22 anos, que busca uma vaga para terminar os estudos. “Essa situação prejudicou muito porque a gente ia nas escolas pra tentar arrumar uma vaga e não conseguia. As pessoas diziam que a gente só iria conseguir fazer a matrícula se fizesse a reserva da vaga. Então isso tudo tomou muito do nosso tempo”, comentou Crys.

Diante da queda do site, a Seduc informou que ninguém será prejudicado e quem tiver o comprovante será realocado para instituições de ensino com vagas em aberto.

Ainda segundo a secretaria, o prazo de reserva será prorrogado por 48 horas, a partir desta segunda-feira.

Operação de fiscalização ambiental apreende 12 dragas atuando de forma ilegal no Rio Madeira

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Teve início na manhã de sexta-feira (24), a operação conjunta da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam) e a Polícia Militar Ambiental (PMA), com o apoio do Exército Brasileiro. A ação de fiscalização foi realizada dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) do rio Madeira e visou impedir a extração irregular de minérios.

Durante o final de semana de operação foram abordadas 12 balsas, que estavam realizando garimpagem na área de proteção ambiental,  segundo o Boletim de Ocorrência da Polícia Militar Ambiental foram apreendidos mais de mil gramas de mercúrio, aproximadamente 132 gramas de ouro e 264 gramas de ouro azogado. Todo o material apreendido dentro das embarcações foi entregue à Polícia Federa. Além disso, as dragas só são devolvidas aos proprietários após a retirada dos motores pelo Exército, conforme informado pelo capitação Jairo, da Polícia Militar Ambiental.

O secretário de Desenvolvimento Ambiental, Elias Rezende, ressalta a importância do apoio incondicional da Polícia Militar Ambiental em ações de fiscalização da Sedam, trabalho que demonstra a qualidade e precisão das atividades desenvolvidas pela secretaria. O secretário disse, ainda, que a Sedam espera um avanço grande as ações de fiscalização durante o ano de 2020.

A ação de fiscalização dentro da Apa do Rio Madeira permanece em andamento e os moradores de Porto Velho e região podem informar caso presenciem algum tipo de crime ambiental. “A população pode realizar denúncias ao registrar o flagrante com fotos, vídeos ou informar os nomes dos envolvidos à Sedam”, destacou Elias Rezende.

As denúncias também podem ser informadas por meio do número (69) 3212-9613 (Coordenadoria de Proteção Ambiental) e (69) 3212-9648 / 98482-8690 (Ouvidoria Ambiental), ou ainda, o Batalhão de Polícia Ambiental (BPA), pelo número (69) 3230-1088. A identidade do cidadão será mantida em sigilo absoluto.

Ceplac ensina técnicas de enxertia de cacaueiros a reeducandos e produtores de Porto Velho

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O compromisso de cooperação entre apenados e a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) dá mais um passo a partir desta terça-feira (28), com o treinamento em enxertia de cacaueiros com clones de alta produtividade na Fazenda Futuro.

No ano passado, a Ceplac distribuiu mais de um milhão de sementes para a produção de mudas; alguns produtores distribuíram volume semelhante.

O treinamento é fruto do acordo de cooperação entre a as Secretarias de Estado da Agricultura (Seagri) e Justiça (Sejus), e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater). Cabe à Emate promover a difusão tecnológica nos 52 municípios de Rondônia.

Estima-se que até às 17h do próximo dia 29, quarta-feira, a unidade demonstrativa da Fazenda Futuro tenha prontos três mil porta-enxertos. A unidade concluiu pouco mais de 20 mil mudas até agora. Elas serão entregues à Sejus e à Secretaria Municipal de Agricultura (Semagric) de Porto Velho.

Nesse treinamento, reeducandos e produtores do município de Porto Velho e entorno aprenderão três aspectos essenciais ao êxito do trabalho nessa unidade: condução, formação e manutenção de lavouras.

São esperados 30 a 40 participantes. A demanda é muito latente, explica o coordenador da Ceplac no estado, João Batista Nogueira: “Muitos extensionistas estão se aposentando, e uma grande lacuna se abre, por isso, o momento exige apoio para o direcionamento e orientação de produtores rurais e reeducando; estes poderão contribuir muito para o êxito do empreendimento rural”, assinala.

Oito técnicos do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) também participarão da assistência técnica à mão de obra apenada.

“O objetivo maior do treinamento é dar sustentabilidade à cacauicultura rondoniense. Atualmente, a produtividade média no estado é de 710 quilos por hectare”, informa o coordenador de pesquisa, assistência técnica e extensão rural da Ceplac em Rondônia, Amarildo Pinheiro Virgulino.

Mudas de cacau de qualidade são atualmente vendidos por particulares até a R$ 7 cada uma.

Em outubro de 2019, totalizava 8.100 toneladas a produção cacaueira rondoniense, conforme dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As áreas produtoras se concentram nas regiões de Ariquemes, Cacoal, Jaru e Colorado do Oeste.

“Já existe a diversificação da produção cacaueira, juntamente com lavouras de café”, informa Amarildo Virgulino.

A Emater está incentivando produtores a substituir 12 mil hectares de cacaueiros plantados no estado por plantas originárias de clones altamente produtivos, trazidos da Bahia.

Conforme ele explica, o cacau exige ambiente com equilíbrio biológico, pois fora dele, as plantas estão sujeitas ao ataque de pragas, entre as quais a Moniliophtora perniciosa, fungo pertencente à ordem Agaricales, conhecido anteriormente por Crinipellis perniciosa [vassoura de bruxa].

Essa doença que afeta os tecidos jovens dos cacaueiros, levando à sua perda de produtividade e originando prejuízos econômicos.

Atualmente, os principais compradores do cacau rondoniense são a Barry Callebaut [uma das maiores processadoras de cacau do mundo] em Ilhéus (BA), a Cargill do Pará e a Indeca, de São Paulo. Cerealistas regionais também compram parte da safra.

A ampliação do viveiro da Sejus na Fazenda Futuro receberá R$ 200 mil provenientes de emenda parlamentar do senador Acyr Gurgacz, de Rondônia, com o compromisso de atender à rotatividade de lavouras em pequenas propriedades.

PROGRAMAÇÃO

Terça-feira, 28:
8h – Recepção aos participantes e convidados
8h30 – Ações teóricas e práticas sobe enxertia de cacaueiros, com explicações dos extensionistas Francisco Tarcísio Lisboa e Valdir Antônio Venturine
10h10 – Intervalo
10h25 – Continuação do treinamento
12h – Almoço
Das 14h às 17h–  Mesma programação e encerramento

Quarta-feira, 29:
Mesma programação e mesmos horários

434 municípios recebem recurso extra para combate a doenças

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Doenças transmitidas por vetores, como a malária, a leishmaniose e a Doença de Chagas ainda fazem muitas vítimas no Brasil. Para prevenir e controlar essas doenças, o Ministério da Saúde repassou, no fim de dezembro de 2019, R$ 35,5 milhões em recursos extras para 434 municípios de 24 estados brasileiros. Os locais foram escolhidos por apresentarem maior número de casos das doenças nos últimos anos. Com o recurso extra, os estados e municípios poderão reforçar as ações de vigilância para prevenção, controle e eliminação dessas doenças.

Os 434 municípios contemplados com os recursos extras da Portaria nº 3.775, de 24 de dezembro de 2019 estão nos estados do Acre, Alagoas, Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Piauí, Paraná, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Rio Grande do Sul, Sergipe, São Paulo, Tocantins, Distrito Federal e Espírito Santo.

Para malária, foram considerados municípios prioritários, aqueles que apresentaram 80% da carga da doença, de acordo com os dados do Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Malária (Sivep-Malária) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) no ano de 2019 (janeiro a outubro). Neste período, 131,9 mil casos da doença foram confirmados em todo o país.

Os locais prioritários para Leishmaniose visceral foram definidos de acordo com o índice que leva em conta diferentes variáveis, como número de casos e taxa de incidência; gerado pelo Sistema de Informação Leishmanioses nas Américas (SisLeish) da OPAS/OMS. Em 2018, 3,4 mil casos foram confirmados em todo o país.

Para a Doença de Chagas, foram considerados municípios prioritários, levando em conta uma análise de vários critérios, incluindo internação e mortalidade, além de vulnerabilidade para a transmissão vetorial domiciliar e incidência de casos agudos. Em 2018, 380 casos agudos da doença foram confirmados no país. Ainda, foi levada em consideração a estimativa de população do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2018, aplicada aos municípios.

Conselho da Amazônia e a Força Nacional Ambiental tentam corrigir equívocos

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Na semana passada, o governo federal criou o Conselho da Amazônia e a Força Nacional Ambiental para passar o recado ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, de que o meio ambiente é importante para o Brasil. Diante do fiasco no setor no primeiro ano de governo, trata-se de um sinal necessário, e que reduz os poderes do ministro Ricardo Salles. A maior floresta tropical do mundo, com a maior biodiversidade do planeta e milhares de quilômetros de fronteiras, pode ser a diferença entre um acordo estratégico com a Europa ou um embargo comercial com poder para abalar a frágil recuperação econômica do país. É o calcanhar de Aquiles da política externa do governo Bolsonaro. Apesar disso, o Executivo parece ignorar que já possui uma estrutura para fiscalizar e trabalhar com a sustentabilidade na floresta tropical.

O anúncio da criação do conselho e de uma corporação nos moldes da Força Nacional de Segurança Pública foi feito no último dia 21, um dia após o início do fórum. O vice-presidente, Hamilton Mourão, será o responsável por coordenar os trabalhos a partir do Palácio do Planalto, embora não estejam claras quais serão as diretrizes e quanto de dinheiro o governo disponibilizará. Já está certo que o grupo tratará da regularização fundiária e da agenda da bioeconomia, por exemplo. Acontece que o cuidado com a agenda de bioeconomia era uma das funções do Serviço Florestal Brasileiro, órgão equipado com cientistas e laboratórios e que foi entregue ao Ministério da Agricultura em janeiro de 2019.
Na fiscalização, o problema se repete, conforme lembra o presidente da Associação dos Servidores da Carreira de Especialistas em Meio Ambiente (Asibama), Alexandre Gontijo. O trabalho sempre coube ao Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) e ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Por vezes, os órgãos contaram com a ajuda do Exército, estratégico para a região, e da Força Nacional, que emprestará a forma para a criação da Força Nacional Ambiental. “Temos pouca informação do que será esse conselho. Não é uma coisa que está definida. Mas é importante dizer que já temos órgãos ambientais que trabalham com a Amazônia há muito tempo”, afirma Gontijo.
Por meio de nota, o general Mourão destacou a criação do conselho como uma decisão do presidente da República, que “denota a excepcional importância que ele concede à Amazônia”. Ainda segundo o texto, a preocupação de Bolsonaro não se limita à preservação mas, também, ao desenvolvimento da região, “beneficiando, em particular, os brasileiros que lá habitam e ao país, de uma maneira geral”. Salles, por sua vez, disse que o conselho trabalhará em consonância com a Secretaria da Amazônia, do Ministério do Meio Ambiente. O ministério estuda usar parte dos R$ 430 milhões provenientes da Operação Lava-Jato para financiar a Força Nacional Ambiental.
“Estão tentando recriar a roda”, critica Gontijo. “A Amazônia é muito importante. É preciso promover o desenvolvimento sustentável, de acordo com os recursos disponíveis em cada região. A floresta controla o regime de chuvas que alimenta, inclusive, o agronegócio. Se acabar, todo o resto acaba”, alerta.

Campanha

O vice-presidente da Comissão do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara, Camilo Capiberibe (PSB-AP), se mostra cético com o conselho e a nova corporação. Ele destaca que o trato dispensado ao meio ambiente pelo governo Bolsonaro está atrelado à base eleitoral do presidente da República e não acredita que ele vá mudar. “Durante todo o ano de 2019, a gente acompanhou e o governo foi muito consistente em sua visão de projeto de desenvolvimento da Amazônia. Um desenvolvimentismo com base na visão do governo militar, que é ocupar as áreas, integrar os povos indígenas ao que eles consideram a civilização moderna. É a visão do presidente e se reflete, inclusive, na última declaração que ele deu, sobre índios se tornarem seres humanos como nós”, critica.
Para o deputado federal, trata-se de uma tentativa do governo de dar uma resposta para investidores. “Tivemos aumento do desmatamento em 2019. Paralisação do fundo Amazônia. Queda recorde nas multas do Ibama. Pra mim, está claro que o governo precisa dar uma resposta aos investidores, porque foi dado um ultimato por parte de investidores. É um sinal para o mercado. Não acredito que o presidente vá recuar nessa questão ambiental, pois ele tem grileiros, desmatadores, a parte mais atrasada do agronegócio na sua base eleitoral. O governo tem um compromisso muito definido e teria que romper essa aliança com esse setor e não vai fazer isso”, afirma Capiberibe.

Velha novidade

Se o conselho não leva em conta recursos humanos e técnicos disponíveis no próprio governo, tampouco é novidade a estratégia de diluir o trabalho do Ministério do Meio Ambiente. É o que aponta o professor de direito ambiental da Fundação Getúlio Vargas, Rômulo Sampaio. No governo Lula, ele lembra, a Secretaria de Assuntos Estratégicos, com status de ministério, também tirou o bioma do guarda-chuva do Meio Ambiente. À época, reclamava-se de um protecionismo por parte da pasta. O novo órgão daria mais liberdade para o Executivo investir em desenvolvimento para a região. Hoje, porém, o motivo é exatamente o oposto. “É um reposicionamento do governo que confessa que errou feio na avaliação dos cuidados da Amazônia e da pauta ambiental”, diz Sampaio.
Por outro lado, ele vê com bons olhos a criação do grupo de trabalho. “O descaso com o meio ambiente é um motivo fácil para a imposição de barreiras comerciais por outros países. O governo tenta fazer uma correção de rota. E me parece que acerta no comando. O general Mourão, de todos que poderiam ocupar a função, me parece ser o que mais conhece a Amazônia e com maior capacidade de diálogo”, pondera o professor da FGV.
O especialista destaca ainda que vários governos anteriores já tinham compreendido a importância da Amazônia. “O próprio regime militar percebeu que quando você fala de Amazônia, tem que passar a impressão de que se importa com a floresta e está comprometido com a defesa dela. Vários países condicionam repasses de recursos a essa proteção. Não é à toa que as primeiras leis ambientais vêm da ditadura militar”, lembra.

Segurança nacional

Professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), o doutor em ecologia Henrique dos Santos Pereira destaca, por sua vez, o valor da floresta para o Brasil e para o mundo. “É o maior bioma brasileiro e detemos a maior parte da floresta tropical. Portanto, somos os principais responsáveis por sua preservação”, destaca. “Sendo a maior floresta tropical do mundo, é o maior centro de diversidade do planeta. Do ponto de vista humano, cultural, tem uma gama muito grande de etnias, com muitas populações tradicionais. E também tem uma parte urbana e industrial que é a casa de milhões de brasileiros”, elenca.
O bioma também é uma região importante do ponto de vista da segurança nacional. São milhões de quilômetros de fronteiras com sete países que também guarnecem parte da floresta. “Portanto, é muito importante a presença do Estado nessas regiões. A Amazônia também guarda recursos minerais estratégicos para o nosso país. Os grandes empreendimentos hidrelétricos dependem da região. E o que chama a atenção em escala global é o seu papel para o clima do planeta. Em tempos de crise climática, fica fragilizada nossa posição perante as demais nações, quando há um aumento no desmatamento. Se o Brasil não detiver o desmatamento, a própria floresta pode virar um grande emissor de gás carbônico. Passamos de heróis para vilões climáticos”, alerta Pereira.
O principal inimigo da região, ainda de acordo com o especialista, é a expansão da pecuária. Em torno de 70% a 80% das áreas queimadas são convertidas em pastagem. “Há também um impacto social sobre as populações locais, com invasão de territórios tradicionais e terras indígenas. É preciso que os governos assegurem os direitos dessas comunidades com a demarcação de terras”, lembra. Os povos tradicionais e os indígenas, pelo contrário, são considerados por estudiosos defensores da floresta e ajudam a preservá-la.

Bolsonaro faz balanço positivo de viagem à Índia

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Nova Délhi —  Ao encerrar os compromissos oficiais do último dia da visita de Estado à Índia, o presidente Jair Bolsonaro fez um balanço positivo da viagem.

“Estou muito feliz com a minha passagem por aqui e muito honrado de ser convidado a participar da solenidade da data da República. Estamos encerrando a missão na Índia voltando para o brasil com boa notícia”, disse o presidente, nesta segunda-feira (27/01) a jornalistas, após participar da abertura do seminário de negócios  “India-Brazil Business Forum”, em Nova Délhi. “O Brasil recupera a sua confiança no mundo e um futuro promissor nos aguarda”, garantiu.
Durante a sua apresentação, o presidente voltou a falar de como foi sua trajetória até chegar à Presidência e destacou como principal fator para que essa confiança fosse retomada a conclusão da reforma da Previdência. Ele a chamou de  “grande obra” do primeiro ano de governo, porque “outros não conseguiram fazer”. E foi bastante aplaudido quando a chamou de “A mãe das reformas”.
“Os números se fizeram presentes e o mundo começou a olhar com maneira diferente para nós”, destacou ele, citando uma das consequências da aprovação da mudança no sistema de aposentadorias que foi a queda na taxa básica de juros (Selic), que está no menor patamar da história, de 4,5% ao ano. “Os juros chegaram a um nível nunca imaginado no nosso país. Isso faz com que a projeção da nossa dívida diminua com o tempo. Transforma o Brasil mais confiável em honrar seus compromissos”, acrescentou.
Durante a visita de Estado, que começou no sábado (25), foram assinados entre os governos brasileiro e indiano 15 acordos de cooperação e memorandos de entendimento em várias áreas, como energia, agricultura, ciência e tecnologia, facilitação de negócios e biocombustíveis. A aguardada liberação dos vistos para viajantes dos dois países, no entanto, não foi anunciada. “Estamos estudando ainda”, reiterou Bolsonaro.
Em relação à aproximação do Brasil com a Ìndia, o presidente reforçou a estratégia da ampliação de parcerias entre os dois países como forma de ajudar no crescimento conjunto e no comércio bilateral. “A oportunidade está aí. Somos 20% da população mundial. Estamos entre as 10 maiores economia do mundo. Temos muito a fazer juntos e, dessa forma, elevar Brasil e Índia a um local de destaque que eles merecem”, explicou.
O compromisso conjunto dos dois países é trabalhar acordos e parcerias para mais do que dobrar a corrente comercial, de US$ 7,1 bilhões em 2019, para US$ 15 bilhões até 2022.
No seminário, o presidente foi o último a falar na abertura após a exposição de ministros dos dois países e ele disse que ficou orgulhoso com o que ouviu. “Isso me dá certeza de que chegaremos a um local de destaque para o nosso país”, disse.
No encerramento, Bolsonaro reforçou que descobriu mais semelhanças do que imaginava entre Brasil e Índia. “Temos a lealdade, temos a cultura, temos a vontade de crescer e temos um povo maravilhoso. Conseguimos todos os objetivos que nós queremos”, completou.
O seminário, realizado no hotel Taj Palace, um dos mais tradicionais da capital indiana, tinha cerca de 450 participantes. Um dos organizadores do evento, a Apex Brasil,  informou que foram convidados 70 empresas brasileiras e, do lado indiano, segundo a assessoria do governo, havia 164 empresas indianas presentes.
Não foram anunciados investimentos no Brasil. Do lado brasileiro, no entanto, a fabricante de motores industriais WEG, anunciou a ampliação de sua fábrica na Índia, iniciando a produção de geradores de energia eólica na unidade de  Husur, ao sul de Nova Délhi, apostando no potencial de diversificação da matriz energética indiana.
A empresa sediada em Santa Catarina e com faturamento anual de R$ 11,9 bilhões está no país asiático desde 2009, vai investir US$ 20 milhões nessa empreitada. Segundo o diretor geral da companhia, João Paulo Gualberto da Silva, a expectativa é ampliar o quadro atual de 850 para 1,1 mil funcionários até o fim do ano.
Durante o seminário, os destaques entre as autoridades brasileiras ficou por conta da secretária Especial para Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), da Casa Civil, Martha Seillier, que anunciou a intenção de dobrar o número de projetos neste ano.
Em 2019, foram realizados 39 leilões e um dos mais aguardados para este ano será o das licenças para o serviço da quinta geração da telefonia móvel (5G), que devem movimentar R$ 20 bilhões em investimentos no mercado. “Precisamos de mais investimentos privados. Em 2020 vamos dobrar os projetos e temos importantes investimentos acontecendo nos aeroportos”, afirmou
A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, destacou a importância dos acordos firmados entre os dois países em busca de ampliar a cooperação na ampliação do comércio e também na transferência de tecnologia em vários segmentos, como etanol e biotecnologia. Ela ressaltou que o potencial da parceria para cooperação em biocombustíveis é grande, porque a Índia é o maior produtor mundial de açúcar, e o uso da tecnologia do etanol na mistura da gasolina também deve alavancar negócios. Outro mercado que está sendo aberto pela Índia para o Brasil é abriu o mercado para o gergelim brasileiro.
Tereza ainda ressaltou que o crescimento da exigência para a produção agrícola com impacto ambiental mínimo é uma oportunidade para a agroindústria nacional. “Queremos nos tornar uma potência agroambiental global e a preservação do meio ambiente não é uma ideia conflitante. A agricultura é um dos setores mais afetados pela mudanças climáticas”, disse.
Após o seminário, Bolsonaro viajou no início da tarde para Agra, onde foi visitar o Taj Mahal, famoso palácio da mármore e um dos principais cartões postais da Índia. Na volta, no fim da tarde, ele embarca de volta para o Brasil.

Previdência: Espera por benefício triplica em dez anos no Brasil

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Em meio a polêmicas sobre a condução dos trabalhos e a fila de quase 2 milhões de pedidos de benefícios represados, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) tenta contornar a falta de servidores com a implementação de um modelo de gestão mais moderno. Os resultados, até o momento, são controversos. Na última década, o tempo médio de concessão de benefícios triplicou: foi de 27 para 81 dias. Quem pediu aposentadoria no fim de 2019 esperou, em média, 124 dias para recebê-la — ou seja, mais de quatro meses. Dez anos antes, a espera média era de 33 dias.

O país saiu de um estoque de 384 mil análises represadas para 1 milhão na última década. O governo alega que o principal motivo para o salto foi a digitalização do sistema, que acontece, aos poucos, desde 2016. O aplicativo do INSS digital, lançado em 2018, permitiu que os segurados passassem a fazer os pedidos pela internet ou pelo telefone, sem necessidade de ir às agências. O resultado é que desapareceu a fila física para entregar os documentos pessoalmente, mas surgiu uma invisível espera de pessoas que protocolaram a demanda on-line e, agora, aguardam resposta.
Em outras palavras, acabou a “triagem” feita pelos servidores e, pela facilidade de se iniciar o processo, explodiu o número de pedidos. Mas, em tese, também ficou mais fácil avaliar as solicitações nos últimos anos. Em 2019, 1 milhão de benefícios foram concedidos de forma automática, sem a necessidade de intervenção de servidores, o que não existia 10 anos atrás. Mesmo assim, a fila continua inadministrável.
Uma das razões é que, enquanto a demanda cresce exponencialmente, os servidores se aposentam e não são repostos. Ao mesmo tempo em que o sistema é modernizado, mais de 17 mil servidores se aposentaram, só na última década. Sobraram 23 mil, o menor número de funcionários da história da autarquia. Sem gente para cuidar dos processos, que se empilharam, em 2019, na maior velocidade desde que o INSS foi criado, o crescimento do estoque de pedidos foi inevitável.
O ano de 2019 terminou com 1,3 milhão de processos parados há mais de 45 dias, fora os mais de 500 mil dentro desse prazo, considerado razoável pelo INSS. Ou seja, 68,4% dos pedidos represados esperam há mais de um mês e meio. Dez anos antes, o percentual de pedidos nessa situação era de 15,8%. “O que não mudou nesse período foi o fato de sempre ter milhões de pessoas esperando respostas, seja presencialmente ou, agora, remotamente”, afirma a advogada Adriane Bramante, presidente do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP).
Informatizar o sistema melhorou as perspectivas, mas ainda há gargalos, afirma Bramante. “O site do Meu INSS é bom, porque concede automaticamente, e a expectativa é de que os números melhorem”, avalia. Mas, apesar de resolver a grande maioria dos casos de forma digital, “muitos segurados são excluídos disso por não terem acesso à internet, não estarem informatizados ou serem analfabetos digitais”, aponta.

Estratégia

O número de funcionários segue caindo, mas a produtividade deles aumentou na última década, embora não o suficiente para conter a fila. Em dezembro de 2010, cada servidor conseguia analisar 236 processos por mês. No mesmo mês do ano passado, a média foi de 409 — maior índice da história do sistema. O desempenho se deve “justamente pelas ações empreendidas por esse governo”, disse o secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, na coletiva de imprensa em que apresentou a estratégia para reduzir a fila, em 13 de janeiro.
O que o governo tem feito, na verdade, é tentar remediar a falta de servidores com incentivos aos 23 mil que ainda trabalham na autarquia. As ações mencionadas pelo secretário incluem teletrabalho, jornada semipresencial e bônus para quem analisa processos fora do expediente. Essas medidas, segundo o INSS, são responsáveis, ao menos em parte, pela melhora no tempo de concessão nos últimos meses.
O auge da espera foi em julho de 2019, quando a média era de 191 dias para aposentadorias e 124, para pensões. Desde então, tem diminuído. Especialista em direito previdenciário, Washington Barbosa, diretor acadêmico do Instituto Dia e coordenador do Instituto de Estudos Previdenciários (Ieprev), diz que “os problemas têm acontecido desde o início da década, mas as grandes inovações para resolvê-los começaram, na verdade, nos últimos dois anos”. Ele cita a proposta de incentivo aos servidores como uma das mais acertadas nas últimas gestões do INSS.
Na visão de Barbosa, não é por acaso que os índices começaram a melhorar na mesma época em que os servidores passaram a ter a opção de trabalhar em casa, ir às agências apenas três vezes por semana ou analisar processos depois do expediente. Essas três alternativas ficam a critério do servidor, que, em todos os casos, ganha um bônus de R$ 57,50 por processo feito além do necessário.
No caso do semipresencial, quando só precisa ir à agência três vezes por semana, e do teletrabalho, que é a distância, é preciso analisar certa quantidade de processos extra por mês para se manter no regime. Cada benefício avaliado vale uma quantidade de pontos — aposentadoria, por exemplo, vale um, salário-maternidade, 0,75. No semipresencial, a meta é de 90 pontos. Já no teletrabalho, é mais alta: 117 pontos.
Quem trabalha constantemente nas agências não tem um mínimo de processos a cumprir, mas ganha a mais quando continua depois do expediente. Nenhum servidor é obrigado a participar desses programas de metas, mas muitos optam por aderir, para aumentar a remuneração. O problema é que alguns acabam trabalhando muito além dos horários, o que preocupa as entidades representativas de servidores públicos.
Diretor da Federação Nacional de Sindicatos de Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social (Fenasps), Moacir Lopes acredita que esse tipo de incentivo pode melhorar os índices momentaneamente, mas não é sustentável. “Com o bônus, as pessoas passaram a trabalhar até o dobro do normal. Já se chegou à produção máxima, com jornada extenuante, não tem mais como subir”, avalia. Na avaliação de Barbosa, “a diferença entre o remédio e o veneno é a dose”. Ou seja, talvez seja preciso regulamentar o bônus, mas não acabar com ele.

Digitalização

O fato é que, com essas mudanças, a produtividade aumentou, mas não o suficiente para diminuir a fila a níveis satisfatórios. Ainda assim, o deficit de servidores não pode ser ignorado. Técnicos do INSS admitem que, possivelmente, será preciso aumentar o quadro de pessoal. Mas defendem que isso só seja estudado depois que a fila for reduzida a níveis razoáveis, para ser possível avaliar a quantidade real que precisa ser contratada.
“O negócio é que a contratação de servidores não é para resolver problemas atuais, ela é feita pensando nos próximos 35 anos. Até lá, a digitalização estará mais consolidada. Será que daqui a dez anos precisaremos do mesmo número de servidores que havia 10 anos atrás?”, questiona um do técnico do INSS que tem discutido as mudanças a serem implementadas neste ano, como a contratação de militares da reserva para reforçar o atendimento nas agências.
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