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Assembleia Legislativa contribuiu com informações para Aneel rejeitar novo aumento de energia em Rondônia

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Após uma longa defesa de argumentos, quando foram apresentadas as graves denúncias levadas à Assembleia Legislativa, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) indeferiu a Revisão Tarifária Extraordinária (RTE) apresentada pela Energisa para aumentar em mais 25% as tarifas no estado de Rondônia. O presidente da Assembleia Legislativa, Laerte Gomes (PSDB), compareceu à reunião em Brasília na manhã desta terça-feira e fez um pronunciamento relatando o impacto social e econômico do último aumento da energia e as consequências do péssimo serviço prestado pela concessionária causando prejuízos aos municípios.

O presidente da Aneel, André Pepiton da Nóbrega, e a diretora Elisa Bastos Silva, relatora da RTE da Energisa, e os demais representantes do órgão ouviram atentamente as explicações dos membros da bancada federal e do presidente Laerte Gomes. O senador Marcos Rogério (DEM), presidente da Comissão de Infraestrutura do Senado, apresentou dados técnicos para desmentir a pretensão da empresa. Segundo o parlamentar, conforme orientação da Aneel o reajuste extraordinário poderá ser pedido a qualquer tempo desde que algum “evento provoque significativo desequilíbrio econômico-financeiro, ou em casos de criação, alteração ou extinção de tributos, desde que o impacto sobre as atividades da empresa seja devidamente comprovado”. “Questiono: qual é o evento relevante que alterou o equilíbrio econômico-financeiro, apenas um ano após iniciar a recém obtida concessão com tarifa reajuste em 25%? “, perguntou o senador, derrubando a defesa da Energisa.

 

Grave desequilíbrio para o povo 

Em seu pronunciamento, o presidente Laerte Gomes relatou como a Energisa está sendo responsável pelo desequilibro social e econômico da população após o último reajuste da tarifa e a consequência para os serviços básicos das prefeituras e as empresas pelas constantes quedas de energia no Estado. “Rondônia vive um caos social e isso nós somos testemunhas nas grandes, pequenas e médias cidades. As reclamações são muitas. A distribuidora está efetuando corte em véspera de feriado, nas sextas-feiras, e até no final de semana, deixando o consumidor impossibilitado de regularizar seu débito. Tratam Rondônia como fosse uma terra sem lei; chegam sem se identificar, retiram o relógio e depois reinstalam e a energia vem dobrada”, disse o deputado Laerte Gomes. O presidente da Assembleia observou que em 33 anos de Rondônia nunca tinha visto uma união da sociedade civil e da classe político com o mesmo objetivo. “É o sentimento de raiva por estar sendo lesados por uma empresa que detém a concessão do poder público”, destacou o parlamentar.

 

Isenção de juros e multas 

Enquanto a Energisa trata Rondônia como “terra sem lei” quando atende os consumidores, a mesma empresa pede a redução de multas e juros da sua dívida, reduzindo de R$ 2 bilhões para R$ 700 milhões. “Para cobrar do cidadão, a empresa joga duro, mas para pagar o Estado quer a benção do poder público”, afirmou o presidente da Assembleia Legislativa, lamentando que o projeto aportou na Casa da negociação entre estado e a Energisa reduzindo a conta da concessionária em mais de R$ 1,3 bilhão por conta da redução dos encargos. Fora o atendimento precário e desrespeitoso com a população, Laerte Gomes também denunciou que a Energisa fez um convênio com o IPEM (Instituto de Pesos e Medidas de Rondônia) no valor de R$ 1 milhão para aferir os relógios de energia. A descoberta foi feita na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que já está sofrendo com ameaças de terceiros de fabricação de dossiês contra deputados.

O presidente da Assembleia Legislativa exortou a Aneel que as denúncias contra a Energisa serão apuradas pela Casa através da CPI e nenhum parlamentar vai se intimidar com ameaças e nem reportagens na mídia paga pela empresa. “Peço a colaboração da Aneel para que nos ajude a apurar o que está chegando ao nosso conhecimento. Essa empresa tem concessão pública e precisa respeitar nossa população”, reafirmou o parlamentar, corroborando as palavras do senador Marcos Rogério, pugnando pelo indeferimento do reajuste da tarifa, o que foi feito por unanimidade pela Aneel. Laerte parabenizou a participação dos deputados Lucio Mosquini (MDB), Leo Moraes (PTB), Mauro Nazif (PSB), Silvia Cristina (PDT) e o senador Marcos Rogério pela defesa intransigente ao Estado de Rondônia.

Profissionais da fisioterapia devolvem autoestima a pacientes em Rondônia

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Ajudar na recuperação dos movimentos do corpo, no desenvolvimento, na postura, atuar na prevenção de doenças, e até devolver a vida e a autoestima aos pacientes, não é uma tarefa fácil, mas é a profissão que muitos escolheram para a vida. O mês de outubro é dedicado aos profissionais da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional. Ambas as profissões trabalham lado a lado em prol da saúde humana, auxiliando na prevenção, tratamento e reabilitação de pacientes.

Segundo Rodrigo Moreira, diretor do Centro de Reabilitação de Rondônia (Cero), o trabalho destes profissionais abrange cerca de de 22 especialidades diferentes, sendo 15 na área de fisioterapia e sete na área de terapia ocupacional, reconhecidas pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Coffito). “O dia 13 de outubro é dedicado à nossa profissão. Nosso trabalho vai além da reabilitação, já que ofertamos qualidade de vida e salvamos pessoas, quando identificamos problemas como AVC, derrame e infarto, responsáveis por muitas perdas no país”, destacou o diretor.

Desde que foi criada do através do Decreto Lei N. 938, de 13 de outubro de 1969, a profissão completou no início do mês 50 anos de regulamentação. Marcos André faz fisioterapia há pouco mais de três meses no Cero. No dia 19 de janeiro deste ano ele sofreu um grave acidente de moto quando ia para casa. Acidente, este, que quase lhe custou a vida. Ele teve fraturas graves, lesões pulmonares, paradas cardíacas, além de passar por mais de três cirurgias.

“Desde que comecei a frequentar o Cero, com pouco tempo já recuperei os movimentos da perna. Nem acredito que vou poder voltar a andar. Só tenho a agradecer a todos os profissionais que nos ajudam e motivam no tratamento”, relatou.

A terapeuta ocupacional Iuska Rockia ressalta, ainda, a importância do trabalho emocional e o vínculo que os profissionais criam com os pacientes. Há nove anos na profissão, ela se diz realizada como ser humano. “O terapeuta ocupacional tanto reabilita quanto habilita um paciente. Quando eles chegam aqui, nós não olhamos só o problema, mas todo o contexto social que o paciente está inserido. Temos papel fundamental nos presídios, hospitais, escolas, clínicas e demais áreas onde há um ser humano” relatou a profissional.

Ela descreve a vivência diária com os pacientes, marcada por emoções e agradecimentos. “Tem pacientes que chegam aqui desejando ter de volta apenas o movimento da mão, por exemplo, ou apenas de poder pegar um copo de água sem auxilio de outras pessoas. É um trabalho de amor para com o outro”, destaca.

A dona de casa Laiane Gomes entende bem o amor ofertado pelos profissionais. A filha, Manuela Gomes, possui microcefalia e faz tratamento no Cero. Desde que iniciou já apresenta grandes melhorias.

“Quando a Manuela nasceu eu não sabia como lidar com o problema da microcefalia, e aqui aprendi a enxergar as potencialidades da minha filha, como os profissionais sempre nos ensinam. Tenho colocado em prática tudo o que eles me falam”, agradeceu Laiane.

O Governo do Estado comemora os 50 anos de existência das duas profissões que possuem papel fundamental na saúde humana, e que estão presentes em todos os hospitais do Estado.

Bolsonaro assina 13º salário para beneficiários do Bolsa Família

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O presidente da República, Jair Bolsonaro, assinou, nesta terça-feira, 15, a Medida Provisória que garante o pagamento do 13º salário para os beneficiários do programa Bolsa Família. A criação do pagamento extra havia sido anunciada em abril, mas ainda não tinha sido assinada de fato. O 13º do programa foi uma promessa de campanha do presidente e foi incluída nas metas dos 100 dias de governo.

A parcela será paga em dezembro e seguirá o calendário regular já estabelecido pelo programa social. De acordo com o Ministério da Cidadania, o pagamento foi possível devido ao aumento de 2,58 bilhões de reais no orçamento da pasta. “O presidente não só manteve o Bolsa Família, como valorizou ainda mais o programa. Essa parcela certamente vai ajudar muito as famílias mais pobres, principalmente no mês do Natal”, afirma o ministro Osmar Terra. Por se tratar de Medida Provisória, o texto precisa ser aprovado pelo Congresso Nacional em até 120 dias para não perder a validade.

Segundo o Ministério da Cidadania, o governo iniciou a convocação de mais de 5.000 ex-beneficiários do Bolsa Família a devolverem recursos recebidos indevidamente, no valor de 5,8 milhões de reais. As pessoas foram identificadas porque há suspeita de informações irregulares prestadas intencionalmente ao Cadastro Único.

O programa atende às famílias que vivem em situação de extrema pobreza, com renda per capita mensal de até 89,00 reais, e pobreza, com renda entre 89,01 reais e 178,00 reais mensais. Na folha de setembro, o Bolsa Família atendeu 13,5 milhões de famílias, somando 2,5 bilhões de reais. O benefício médio foi de 189,21 reais. Os interessados devem se inscrever no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal. O registro pode ser feito nos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) ou na gestão municipal do Bolsa Família e do Cadastro Único.

Bombeiros confirmam 2ª morte em desabamento em Fortaleza

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SÃO PAULO, 16 OUT (ANSA) – O Corpo de Bombeiros confirmou nesta quarta-feira (16) a segunda morte no desabamento de um prédio residencial em Fortaleza. Outras nove pessoas foram resgatadas com vida, e nove estão desaparecidas.

As duas vítimas são Frederick Santana de Santos, 30 anos, que estava em um mercadinho ao lado do Edifício Andrea e acabou atingido pelos escombros, e uma mulher ainda não identificada, cujo corpo foi achado com ajuda de cães farejadores.

Construído em 1995, o prédio ficava no cruzamento das ruas Tibúrcio Cavalcante e Tomás Acioli, em um bairro de classe média da capital cearense, e tinha sete andares e 13 apartamentos (dois por andar e um na cobertura).

No entanto, segundo a Prefeitura de Fortaleza, não há registros oficiais do edifício, que foi construído de maneira irregular.

Um vídeo feito na garagem do prédio um dia antes do desabamento revela colunas de sustentação deterioradas e com as vigas à mostra. (ANSA)

PSL cancela reunião sobre possível expulsão de deputados bolsonaristas

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Brasília — A cúpula do PSL cancelou uma reunião que faria agora no começo da tarde na liderança do partido na Câmara dos Deputados. Na pauta, estava a possível expulsão de deputados da ala associada ao presidente Jair Bolsonaro.

O grupo bolsonarista está em confronto com os parlamentares ligados ao presidente da sigla, Luciano Bivar, que teve endereços como alvo da Polícia Federal nesta manhã.

O líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (GO), negou, no entanto, que vai haver qualquer expulsão do partido.

“O seu adversário você mantém pertinho de você. Não mantém longe. Faz parte da guerra. Se você trabalha comigo e quer ser mandada embora, ai você briga comigo, eu te deixo de castigo. Agora, não vou dar de presente o que você quer”, afirmou.

O deputado sinalizou que a fala de Bolsonaro na semana passada sobre o partido, dita a um popular na porta do Alvorada, foi um sinal de que a operação da PF contra o presidente do partido deputado federal Luciano Bivar (PE), poderia acontecer.

“Só o Saci Pererê e o Papai Noel que não sabiam dessa operação da PF”, disse. “Todo mundo sabia depois da fala do presidente na semana passada. Ele deu o recado”, afirmou.

Na semana passada, o presidente falou a um apoiador, que se identificou como pré-candidato pela legenda no Recife, para que ele esquecesse o partido, que “está queimado para caramba”.

Em entrevista em seguida, Bivar disse que Bolsonaro já decidiu pela saída do partido e afirmou: “Acho que ele quis sair porque tem preocupação com as denúncias de laranjas. Ele quer ficar isento dessas coisas”.

Dois dias depois, Bolsonaro e mais 21 parlamentares enviaram um requerimento para Bivar solicitando uma auditoria nas contas públicas dos últimos cinco anos do partido.

No documento, os advogados Karina Kufa e Marcello Dias de Paula chamam de “precárias” as prestações de contas do partido. Dizem, ainda, que “a contumaz conduta pode ser interpretada como expediente para dificultar a análise e camuflar irregularidades”. (Leia a a representação na íntegra)

A ofensiva de parte dos membros do PSL vem na esteira das recentes investigações do Ministério Público e da Polícia Federal que acusam o partido de ter usado candidatas-laranja nas eleições. No começo do mês, o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, foi indiciado como autor do esquema em Minas Gerais, mas foi mantido no cargo pelo presidente.

Recentemente, um depoimento dado à PF e uma planilha revelados pela Folha de São Paulo sugerem que dinheiro do esquema de Minas Gerais foi desviado por caixa 2 às campanhas de Antônio e do presidente Bolsonaro.

Por que mais de 70% dos casos de câncer de mama no Brasil são diagnosticados em estágio avançado

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O relato é breve:

“Câncer de mama

6 meses esperando biópsia

Agora aguardando consulta com oncologista

Para começar quimioterapia.”

No início do ano, a Femama, que reúne 72 entidades filantrópicas que apoiam mulheres com câncer de mama, colocou no ar uma página intitulada “Relatos de Espera”, para que pacientes compartilhassem as dificuldades que tiveram para serem diagnosticadas e começarem o tratamento.

Entre as dezenas de mensagens está a de Cristiane, de Mangaratiba (RJ), enviada no dia 6 de fevereiro.

Com mais ou menos adjetivos, as histórias são parecidas, e não por acaso: as deficiências do Sistema Único de Saúde (SUS), na visão de muitos especialistas, postergam diagnóstico e tratamento de milhares de mulheres em todo o Brasil e aprofundam as desigualdades entre ricas e pobres.

Para especialistas como o mastologista Rodrigo Gonçalves, pesquisador da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), esse é um ponto central na luta do país contra o câncer de mama, que tem atingido – e matado – cada vez mais mulheres no Brasil.

Melhorar o acesso das mulheres ao SUS é uma das principais recomendações do paper Avaliação ética do rastreamento de câncer de mama no Brasil para se fazer frente às estatísticas negativas.

O trabalho, que está sendo submetido a uma publicação internacional, é assinado por ele e outros três colegas: José Maria Soares Jr, professor da Faculdade de Medicina da USP, Edmund Chada Baracat, pró-reitor de Graduação da USP, e José Roberto Filassi, professor chefe do setor de mastologia da FMUSP.

O texto ressalta o número elevado de diagnósticos da doença em estágio mais avançado. A proporção passa de 70%: 53,5% dos diagnósticos são em estágio 2 e 23,2% em estágio 3, de acordo com os dados do Estudo Amazona, assinado por pesquisadores de 19 instituições e que leva em conta dados de pacientes atendidos pelas redes pública e particular.

Em países como Estados Unidos, por exemplo, 62% dos casos são detectados em estágio inicial, quando os tumores ainda são localizados.

O paper dos pesquisadores brasileiros ressalta que, se tomadas apenas as mulheres com acesso à saúde privada, as proporções se invertem. A grande maioria recebe o diagnóstico no estágio inicial da doença.

Essa diferença, dizem, mostra como é “perverso” o sistema “dual” de saúde no Brasil, em que quem tem condições paga o sistema privado e quem não tem depende unicamente do SUS.

Quanto mais tardio o diagnóstico, menores as chances de sobrevivência da paciente e mais invasivo o tratamento – o número de sessões de quimio e radioterapia e a necessidade da retirada da mama, a mastectomia.

Um ano do nódulo à cirurgia

Cristiane da Silva Abreu realizou uma mastectomia radical com esvaziamento axilar no dia 26 de dezembro de 2018, quase um ano depois de descobrir um nódulo abaixo do mamilo.

Em busca de um diagnóstico, no começo do ano passado ela procurou a ginecologista da rede privada com quem costumava fazer sua prevenção.

Sem plano de saúde, a carioca separava pelo menos R$ 300 por ano para tentar fugir da fila do SUS, pagar a consulta com especialista e alguns exames.

Desta vez, a mamografia mostrou uma alteração do tipo bi-rads 4 na mama, que indica suspeita de malignidade e necessita de biópsia para confirmação.

Cristiane e os filhos, Gabriel, Rebeca e Raquel

Por conta da região delicada em que se encontrava o nódulo, o procedimento precisava ser cirúrgico – e não apenas por meio de uma punção -, com retirada e reconstituição do mamilo.

Isso foi em março. Abril, maio, junho, julho, agosto… A espera durou 6 meses – e poderia ter sido maior.

Cristiane decidiu acionar um cunhado que trabalhava na Secretaria de Saúde de Mangaratiba e que intercedeu por ela junto à secretaria da pasta, que transferiu seu caso para o hospital federal Cardoso Fontes.

“Fiz a biópsia e, na saída do procedimento, a médica alertou que muito provavelmente eu precisaria fazer a mastectomia.”

Foram mais três meses até a cirurgia, que retirou a mama esquerda e parte do músculo peitoral. A reconstrução da mama seria delicada, demandaria uma série de enxertos – e, por isso, ela decidiu que não faria.

O relato de Cristiane é o que abre este texto. Ao contrário do que a mensagem econômica nas palavras pode sugerir, ela é uma dessas pacientes que tiram energia das dificuldades.

Dando risada, contou na conversa por telefone com a reportagem que, para fazer valer a isenção ao IPTU à qual tem direito, já que passou a ser considerada portadora de deficiência após a cirurgia, chegou a “invadir” a prefeitura de Mangaratiba.

“Fui no gabinete do prefeito e mostrei minha cicatriz”, diz a funcionária pública, hoje com 47 anos.

Cristiane da Silva Abreu mostra sua cicatriz

Cristiane não precisou fazer quimioterapia, como pensava em fevereiro de 2019. Por recomendação médica, entretanto, tem de acompanhar de perto a outra mama. Até hoje, porém, não conseguiu uma consulta.

“Liguei no começo do ano e disseram que a agenda de 2019 já estava fechada.”

Mais de 60 dias entre diagnóstico e tratamento

Para as pacientes do SUS, a espera para realização de uma biópsia – fundamental para entender o tipo de câncer e as possibilidades de tratamento – leva entre 75 e 185 dias, conforme os dados citados no trabalho de Gonçalves.

O intervalo entre o diagnóstico do câncer de mama e o primeiro tratamento no SUS leva mais de 60 dias em mais de 50% dos casos, de acordo com os dados reunidos pelo Painel-Oncologia, do Instituto Nacional de Câncer (INCA) até 2017. Os números de 2018 apontam uma proporção ligeiramente menor, mas há um volume grande de casos sem informação (cerca de 7%), ou seja, em que não se sabe o intervalo do diagnóstico ao tratamento.

Gráfico

A médica mastologista Maira Caleffi, presidente voluntária da Femama e chefe do serviço de mastologia do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, lembra que uma lei aprovada em 2012 determina um prazo máximo de 60 dias para início do tratamento após o diagnóstico.

“Os gestores públicos já estão usando os 60 dias como indicador de eficiência, cobram dos hospitais – mas, como tudo no Brasil, as coisas demoram a mudar.”

Agora, a entidade faz campanha pela aprovação da “Lei dos 30 dias”, que estabelece um prazo máximo de um mês para que a mulher consiga ser diagnosticada. O projeto passou pela Câmara em dezembro do ano passado e está parado no Senado.

Caleffi conta que o PL já entrou e saiu da pauta algumas vezes e que agora está parado na Comissão de Finanças e Tributação.

“Eles dizem que não tem dinheiro (no sistema público de saúde para garantir o diagnóstico em 30 dias)”, diz a médica, que defende pautas de interesse das pacientes com câncer de mama há 26 anos.

Nódulo de 14 centímetros

A gaúcha Katia Lopes recebeu o primeiro diagnóstico de câncer de mama aos 28 anos, em 2006. A cidade de Tramandaí, onde vive, não tem médicos especialistas. Assim, ela fez todo o tratamento em Porto Alegre, a uma hora e quarenta de ônibus.

Foi uma maratona.

Para as sessões de quimioterapia – que começaram cerca de 8 meses depois de ela sentir o nódulo no seio -, acordava de madrugada para chegar a tempo ao ponto de onde saia o transporte disponibilizado pela prefeitura, que partia às 4h30 da manhã.

Em 2015, quase dez anos depois da primeira mastectomia radical, ela sentiu um nódulo na outra mama. O fato de já ser paciente oncológica não fez diferença na fila de espera do SUS: foram três meses até que conseguisse se consultar com a mastologista que a acompanhava.

Outro diagnóstico de malignidade. O nódulo cresceu rápido e, quando ela foi operada, em 22 de janeiro de 2017, o tumor media 14 centímetros.

Planalto com iluminação cor de rosa

Em 2006, a médica deu encaminhamento na prefeitura para que Katia fosse submetida a um teste genético.

O procedimento ajudaria a medir o risco de ela desenvolver câncer na outra mama ou em outras partes do corpo, mas até hoje não foi liberado.

Katia conseguiu se aposentar por invalidez depois da primeira mastectomia, que foi bastante invasiva. Recentemente, entretanto, o pente fino que o INSS vem fazendo sobre aposentadorias por invalidez e auxílio doença cortou o benefício.

Ela entrou na Justiça, mas perdeu a causa.

Há 6 meses procura emprego, “alguma coisa que não seja pesada”, já que sente dores quando força o movimento dos braços.

Seu advogado tenta garantir na Justiça um auxílio de meio salário mínimo por mês, que ela espera para ajudar a pagar as despesas de casa, com quem mora com o filho, de 25 anos.

‘Fura fila’

As histórias de Cristiane e Katia, que foram diagnosticadas jovens, antes dos 50 anos, não são casos raros: 41,1% de todos os casos de câncer de mama no país atingem mulheres até essa idade, conforme os dados do Estudo Amazona, citados no trabalho do médico Rodrigo Gonçalves.

Nos EUA, por exemplo, o percentual de diagnósticos até os 54 anos de idade (parâmetro adotado pelo National Cancer Institute) é de 30,4%.

O mastologista afirma que ainda “não existe nenhuma explicação sólida sobre os motivos de termos mais mulheres jovens com câncer no Brasil”, mas chama atenção para o fato de que as diretrizes para o rastreamento da doença estabelecidas pelo Ministério da Saúde recomendam a mamografia em mulheres entre 50 e 69 anos, a cada dois anos.

“O Brasil está copiando as recomendações de rastreamento de países desenvolvidos – e que não atendem a 41% da população afetada pela doença”, ressalta.

A sugestão dele e dos colegas, entretanto, não é reduzir a idade de rastreamento – que representaria um custo elevado para o sistema de saúde sem necessariamente trazer benefícios na mesma proporção -, mas melhorar o acesso das mulheres ao SUS, especialmente aquelas com nódulos palpáveis e lesões suspeitas.

Nesses casos, eles recomendam que as pacientes tenham prioridade na fila para consulta e exames – o que já acontece em hospitais públicos como o Pérola Byington, em São Paulo, exemplifica o médico.

Segundo o mastologista Luiz Henrique Gebrim, diretor do Pérola Byington, 70% das mulheres com câncer diagnosticadas no SUS palparam o nódulo – é o que os médicos chamam de “self detected cancer” (“câncer autodetectado”).

“Elas não precisam de mamografia, precisam de exame clínico e biópsia”, concorda.

Mulher fazendo mamografia

Na unidade, que recebe os casos já triados, as pacientes são submetidas à biópsia no mesmo dia da consulta com o especialista. Detectado em estágio inicial, a mortalidade do câncer de mama cai em até 30%.

“Nós economizamos mais (porque reduzimos os tratamentos de alta complexidade) e salvamos mais gente.”

Com apoio da fundação americana Susan Komen, o hospital está replicando seu modelo em outros Estados. Segundo Gebrim, já foram treinados cerca de 100 médicos em cidades como Manaus, Belém e Teresina.

A diretora geral do Instituto Nacional de Câncer (Inca), Ana Cristina Pinho, respondendo a questionamentos da reportagem enviados ao Ministério da Saúde, afirmou que as áreas técnicas do instituto e a pasta defendem a hierarquização dos casos, para que as lesões suspeitas sejam verificadas de forma mais célere, e diz que a diretriz para o fast track já existe no SUS.

“Na prática ele não funciona a contento, de maneira organizada, estruturada. Não é isso que a gente vê. Precisa que a rede esteja funcionando mais adequadamente, e esse é um trabalho a ser feito”, disse, por telefone.

Segundo ela, já existem protocolos de encaminhamento rápido nos casos suspeitos para investigação diagnóstica na atenção primária, que é de competência dos municípios.

“Nada disso é possível sem o envolvimento dos gestores municipais e estaduais. O SUS, na sua concepção, é um sistema tripartite, que funciona necessariamente em rede. Se a rede não funciona, o sistema não vai funcionar.”

Aumento da mortalidade

Questionada sobre o aumento da mortalidade do câncer de mama no Brasil, que muitos especialistas consideram em parte reflexo da dificuldade de acesso de muitas mulheres ao SUS, a diretora geral do INCA aponta outras razões – a maior longevidade do brasileiro, o aumento no número de casos e de uma melhor “qualificação e apuração das bases de dados”.

“A incidência do câncer de mama está aumentando na população, mas por quê? Porque a nossa população está vivendo mais. Então é um processo natural. A gente está seguindo a tendência no mundo. Isso mostra avanços, de um modo geral, para a saúde da população, proporcionado pela cobertura universal (do sistema de saúde).”

Segundo ela, “a tendência é que a mortalidade, pelo menos durante um período, aumente. E, a partir de um determinado momento, ela comece a reduzir, na média.”

Ana Cristina Pinho também ressalta que a mortalidade, de forma geral, não aumentou de maneira proporcional ao aumento da incidência, e que ela chegou a cair em algumas regiões.

No lançamento da Campanha Outubro Rosa deste ano, a página do Ministério da Saúde destaca que a mortalidade no país está abaixo da média global, em linha com a de países como Estados Unidos, Reino Unido e França, mas não menciona que ela está crescendo.

O indicador passou de 9,15 por 100 mil habitantes para 12,11 por 100 mil entre 1980 e 2016 – alta de 32% -, conforme os dados da International Agency on Research on Cancer (Iarc), ligada à Organização Mundial de Saúde. A mesma base mostra que os países citados pela pasta em seu site têm reduzido a mortalidade desde meados dos anos 90.

Gráfico mortalidade do câncer de mama no Brasil

 

Estado e Prefeitura de Vilhena firmam parceria na recuperação de estradas na zona rural

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A recuperação de estradas da zona rural de Vilhena vai contar com o apoio especial do Estado a partir deste mês. Recentemente o secretário municipal de Obras, Marcelo Boca, se reuniu com o diretor da residência de Vilhena do DER (Departamento de Estradas e Rodagens), Diego Delani Cirino dos Santos. Do encontro surgiu uma parceria importante para o andamento fluído dos trabalhos de patrolamento, nivelamento e encascalhamento na zona rural do município.

“No Termo de Cooperação ficou definido que o DER vai nos ajudar a recuperar estradas que seriam de nossa responsabilidade, quando eles estiverem mais próximos da região. E nós também vamos contribuir da mesma forma, nas ocasiões em que nossas máquinas estiverem realizando obras nas cercanias de linhas do Estado”, conta Marcelo.

Alguns impasses devem ser resolvidos com essa medida. Há várias estradas que fazem parte do território de outros municípios vizinhos, mas que não têm conexão com outras estradas em seus municípios. Ou seja, os produtores e moradores da localidade têm que sair por Vilhena para ter acesso à cidade.

Com essa parceria, mesmo que a estrada seja de jurisdição do Estado, o município, poderá, através do termo de cooperação, melhorar a trafegabilidade desses produtores, visto que eles acabam escoando seus produtos para Vilhena, já que estão “encurralados” nas linhas onde moram.

A Prefeitura, assim, já realizou trabalhos nesse sentido na “Estrada Velha de Colorado”, em direção a Nova Conquista e na linha Rio Vermelho. No período chuvoso o Estado dará sua contrapartida, oferecendo maquinário e apoio para garantir que as estradas da zona rural que são de responsabilidade da Prefeitura não se deteriorem.

“Vilhena tem mais de 2.600 km de estradas vicinais na zona rural em todo o seu território. Boa parte delas são de solo arenoso, o que exige trabalhos constantes. Essa parceria entre Prefeitura e Governo é de suma importância, pois ambas trabalham em prol da população. Algumas estradas são consideradas corredores agrícolas e têm sido vitais para produtores rurais transportarem seus alimentos até a cidade”, analisa Diego, diretor do DER Vilhena.

Futebol de campo: Jacaré é o campeão municipal de 2019 em Jaru; Juventus leva o título da série B

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O estádio Leal Chapelão foi o palco das finais do campeonato municipal de futebol de campo de Jaru, na noite do último sábado (12).

Pela categoria principal da competição, o Time do Jacaré Futebol Clube foi campeão ao vencer o União Guadalupe, por 4 a 1.

Já pela série B, o Juventus ganhou de 1 a 0 do WS/Furacão e levou o título.
A final contou com a presença do vereador Paulão do Esporte e de um grande público.

A competição foi realizada pela prefeitura de Jaru, através do departamento de esportes e organizada pela Associação de Rádio Interativa Jaruense.

Foram 5 meses de competição, e contou com mais de mil pessoas, entre jogadores e comissão técnica, nas 39 equipes participantes.

Pela série B, o artilheiro foi o jogador Ronan, do Galo da Serra, com 11 gols marcados. O melhor goleiro, com apenas 4 gols sofridos, foi Robert do Juventus. Subiram para a principal, o campeão Juventus, o WS/Furacão e o Galo da Serra.

Já na série A, o artilheiro foi o atleta Woshington, do União Guadalupe, com 7 gols marcados; E pela terceira vez seguida, o goleiro Rogério, do Tarilândia, foi o menos vazado. Ele levou apenas 4 gols. E caíram para o grupo de acesso, os times: Serra Verde, Ajax e CS7.

DIA DOS PROFESSORES | A doce e difícil missão de ensinar: professores falam sobre as experiências e paixões da vida na Educação

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closeup of a chalkboard with the text dia do professor, teachers day written in Portuguese, a pile of old books and a pot with pencils on a rustic wooden table

De lutas e desafios, de amor à profissão e à Educação é que se faz o Dia dos Professores, comemorado nesta terça-feira (15). Com vidas dedicadas ao ensino e ao estímulo a uma nova perspectiva, professores da rede pública estadual falam sobre a carreira e o encanto da labuta como educadores.

A professora de Matemática, Claudenice Ambrósio de Lima, 50 anos, só como educadora pelo Estado tem 30 anos de serviço e conta que entrou no Magistério por vocação. “Eu sou paraibana, e a minha irmã mais velha foi a minha inspiradora porque ela era professora na época. Quando a substituía em sala de aula, eu me identifiquei muito. Entrei na faculdade muito cedo, aos 16 anos, e quando eu escolhi a licenciatura, ainda cheguei a fazer engenharia civil, mas o meu lado pendeu mais para a licenciatura em Matemática mesmo”, lembra.

A trajetória da educadora começou com o ensino infantil até chegar atualmente como formadora de professores. “É muita perseverança, sempre trabalhei na rede pública, mesmo trabalhando com a rede privada. Até o ano passado ainda estava na sala de aula, e eu gosto. A sala de aula é meu laboratório. Já passei por todas as frentes. Fundamental I e II, Ensino Médio, Cursinho, e agora com os professores. Mas é a sala de aula é meu forte”, declara.

Daniel Diogo de Araújo Júnior, 50 anos, é também professor de Matemática há quase 30 na rede pública estadual. “Eu comecei no dia 2 de abril de 1990, na cidade de Rolim de Moura, por um contrato, à época, emergencial, e trabalhava com o Ensino Fundamental e Médio, no distrito de Nova Estrela, onde foi a minha primeira experiência. Os desafios, a princípio, são conhecer e estar inserido nesse meio. O maior deles eu diria que é conhecer a comunidade, o seu público, e tentar reverter várias situações, que às vezes são de risco, dificuldades, frustrações, junto com os alunos e comunidade escolar. O professor se desafia em fazer com o aluno sinta prazer em estar na escola”.

Em toda a jornada na Educação, Daniel diz que sente o prazer em dar aula, em passar o conhecimento.

“Passei por várias experiências, e pra mim é muito prazeroso tentar interferir positivamente na vida dos meus alunos. Graças a Deus, do testemunho que eu tenho, já ficaram muitas marcas no caminho, bons frutos”, diz Daniel Diego, professor de Matemática.

No Estado há três anos, Adevaldo Barroso Barbosa, 32 anos, já atua na Educação desde 2014. Pedagogo especializado em Libras, o profissional diz que a área é ainda um campo novo.

“Enfrentamos muitas barreiras e desafios, mas acredito ser algo inovador, que pode abrir portas e dar o suporte para um público que não tem acessibilidade. O maior diferencial é lá na ponta. Dou aula em faculdade em cursos como enfermagem, odontologia, pedagogia, e vejo a real necessidade do público. Um surdo que chega na unidade de saúde e não tem o atendimento para o seu problema pela falta de conhecimento dos profissionais na hora de comunicar com esse cidadão. Então, com profissionais que entendam essa comunicação se faz a acessibilidade a esse público”.

A valorização profissional ainda é o maior dos desafio para o professor. “Na área de Libras, há ainda muita falta de conhecimento de gestores, de não saberem a diferença entre o professor de Libras, o intérprete, o tradutor, e o instrutor, e as necessidades reais desses profissionais. Há muito o que se avançar, mas acredito que os primeiros passos já estão sendo dados”.

Maria do Socorro da Costa Santos, aos 52 anos, já está em processo de aposentadoria, mas atua há 33 anos como pedagoga em Rondônia. “Já fui professora de Magistério, séries iniciais, supervisora escolar, e atualmente trabalho com a formação de gestores”.

O desafio, segundo a professora, é saber se colocar como gestora em sala de aula. “Quando você está à frente de uma turma, você tem que saber administrá-la. Tem que ter bastante sapiência para fazer com que o aluno compreenda a importância do aprendizado. O professor tem que vender ‘seu peixe’, se sentir parte do processo como aquela pessoa que está ali para aprender”.

A professora lembra a importância da família ser presente da vida educacional dos alunos. “É difícil porque às vezes os pais não trabalham a seriedade que é o aprendizado, do conhecimento, do estudo para ser um futuro profissional e isso acaba sobrando para o professor essa conscientização. É desafiador, mas muito compensador ao final do processo, quando percebemos que o aluno aprendeu, que fizemos a diferença na vida deles. É gratificante”.

Para os novos professores em formação, Maria do Socorro dá o recado: “é viciante ser professor. Que os novos profissionais tenham muita paciência, porque estamos vivendo um mundo totalmente diferente daquele em que eles vivenciaram quando estavam na escola. Hoje os alunos tem muitos estímulos externos, e chegar dentro da sala de aula e ficar só no ABC sem criatividade no planejamento pedagógico, sem que o professor faça com que ele se apaixone pelo que ele está fazendo, não é fácil. Busquem meios novos, livros diferentes, vídeos, músicas que levem à aprendizagem para fazer essa diferença”.

Anvisa adia de novo votação sobre plantio de maconha medicinal

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) adiou pela segunda vez em sete dias a votação sobre a liberação do plantio de maconha para fins medicinais durante reunião da diretoria realizada na manhã desta terça-feira, 15, em Brasília. O registro de medicamentos com base na planta também foi colocado em discussão.

A votação havia sido marcada para a terça-feira 7, mas foi adiada após os diretores Fernando Mendes e Antônio Barra Torres pedirem vistas do processo (mais tempo para avaliar). Apenas o presidente da Anvisa, William Dib, votou favorável à proposta – a diretoria tem cinco integrantes.

A regulamentação do plantio da cannabis para a extração do canabidiol, substância capaz de amenizar sintomas de diversas doenças crônicas, como epilepsia refratária, mal de Alzheimer, autismo e ansiedade é acompanhada de forte resistência do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL). O ministro da Cidadania, Osmar Terra, interlocutor do governo na questão, entende que qualquer aval oficial, ainda que tenha por finalidade a produção de um remédio, dará vazão a “um começo da legalização” e serviria de alavanca para a expansão do consumo da droga.

O presidente da Anvisa se emocionou ao se pronunciar na reunião e fez uma homenagem aos servidores da agência sem os quais “não teria chegado até aqui hoje”, disse Dib com a voz embargada. Devido à pressão bolsonarista, nos últimos meses, ele perdeu o apoio de ao menos dois dos outros quatro diretores. O peso do governo aumentou em julho, com a indicação do contra-almirante da Marinha Antônio Barra Torres para uma dessas diretorias, no lugar de Jarbas Barbosa. Torres já se manifestou contra a liberação, enquanto Barbosa era a favor. O contra-almirante deve assumir a chefia da Anvisa em 2020.

A senadora Mara Gabrilli (PSDB) participou da reunião e defendeu a liberação da substância para fins medicinais. “Quem diz que a maconha é a pior das drogas deve ter parado nos anos 1960 porque há drogas muito piores, como heroína e crack”, diz ela, que faz uso de cannabis medicinal para tratar sintomas da lesão medular que a deixou tetraplégica.

No outro pólo da discussão, o senador Eduardo Girão (Podemos) também se pronunciou, mas de maneira contrária à liberação do plantio da cannabis. “Em 2014, foi revelado um plano secreto para liberar a maconha no Brasil”, disse. “No vídeo, um ativista pró-maconha revelava que o plano era primeiro sensibilizar a população brasileira sobre a dor das crianças para depois liberar a droga no país”, completou, sem citar a fonte.

O senador Styvenson Valentim (Podemos) também se pronunciou contrário ao cultivo da planta ainda que para fins medicinais devido à falta de garantias de segurança de que a drogas não será desviada.

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