Um estudo divulgado pela Fundacentro mostra que a organização coletiva pode melhorar as condições de renda, saúde e segurança no trabalho da reciclagem. As cooperativas de catadores foram associadas a avanços importantes quando comparadas ao trabalho realizado de forma desorganizada em lixões.
A pesquisa analisou uma experiência em Presidente Prudente, no interior de São Paulo, e entrevistou 47 dos 90 cooperados. Entre os resultados estão maior uso de equipamentos de proteção, treinamentos, prevenção de acidentes, gestão coletiva e distribuição organizada da renda.
Mesmo tendo sido realizado fora da Região Norte, o estudo interessa diretamente a Rondônia. As cooperativas de catadores podem ajudar municípios a estruturar a coleta seletiva, melhorar a comercialização dos recicláveis e reduzir a exposição dos trabalhadores a objetos cortantes e materiais contaminados. O público também pode acompanhar outras notícias de meio ambiente no TVdoPOVO.
- o que mudou com as cooperativas de catadores;
- como a organização pode reduzir riscos;
- por que o tema interessa a Rondônia;
- como os moradores podem ajudar;
- quais cuidados ainda são necessários.
O que mudou no trabalho organizado
Segundo a Fundacentro, as cooperativas de catadores analisadas trouxeram melhorias que vão além do dinheiro recebido no fim do mês. Os trabalhadores passaram a contar com equipamentos de proteção, programas de prevenção de acidentes e capacitações para atividades de triagem e operação.
A experiência também ampliou a participação nas decisões. Os próprios cooperados passaram a administrar áreas operacionais e administrativas, dividir responsabilidades e acompanhar a distribuição dos recursos obtidos com a venda dos materiais.
Segurança precisa de estrutura e treinamento
O contato com resíduos pode expor trabalhadores a vidro quebrado, objetos perfurocortantes, poeira, substâncias contaminadas e esforço físico repetitivo. Por isso, as cooperativas de catadores precisam combinar proteção individual com galpões adequados, equipamentos seguros e orientação permanente.
A formalização de um grupo não elimina automaticamente todos os problemas. Falta de ventilação, máquinas sem proteção, ausência de água potável ou armazenamento inadequado podem manter riscos mesmo dentro de uma organização regularizada.
Por que o estudo interessa a Rondônia
Em Rondônia, ainda existem desafios para ampliar a coleta seletiva e impedir que materiais recicláveis sejam misturados ao lixo comum. O fortalecimento das cooperativas de catadores pode ajudar na coleta, triagem, prensagem e venda dos materiais, desde que existam estrutura, contratos e acompanhamento.
Em Ji-Paraná, por exemplo, foi autorizado em 2026 um processo relacionado à contratação da Coocamarji para recebimento, coleta, triagem e processamento de recicláveis. A autorização administrativa, porém, não deve ser confundida com contrato concluído ou serviço plenamente funcionando.
Porto Velho e outros municípios também precisam combinar organização dos trabalhadores, educação ambiental e planejamento da coleta. Sem separação correta nas casas e empresas, parte do material perde valor ou chega contaminada aos galpões.
Moradores também podem reduzir os riscos
O trabalho das cooperativas de catadores depende da forma como o material é separado. Restos de comida, vidro solto, lâminas, seringas e lixo de banheiro aumentam os riscos e podem inutilizar papel, papelão, plástico e outros recicláveis.
O morador pode colaborar separando os resíduos secos dos orgânicos. Embalagens devem estar vazias, enquanto vidro quebrado e objetos cortantes precisam ser protegidos conforme a orientação do serviço local.
Cooperativa não resolve tudo sozinha
Os resultados indicam benefícios possíveis, mas não significam que todas as cooperativas de catadores garantam automaticamente renda justa, segurança e acesso completo a direitos. A experiência estudada possui condições próprias e não deve ser repetida como regra para todos os municípios.
Para gerar avanços duradouros em Rondônia, é necessário unir organização coletiva, apoio técnico, contratos transparentes, educação ambiental e participação dos moradores. Sem essas condições, a cooperativa pode existir apenas no papel.



